Opinião: Brasileiros precisam conter euforia com desempenho de Massa

Getty Images

Alguns brasileiros ficaram eufóricos com o fim de temporada de Felipe Massa. A festa pela chegada ao pódio no GP do Brasil e a alegria de ver o piloto da Williams chegar em segundo lugar nos Emirados Árabes, roubando um pouco a cena (na TV daqui, claro) da briga entre Hamilton e Rosberg pelo título, criaram uma espécie de nova esperança para 2015.

LEIA MAIS
Felipe Massa projeta primeira vitória na Williams em 2015‏

Há pouco mais de um ano, quando Massa teve sua saída anunciada pela Ferrari e ainda não tinha um carro para correr na temporada 2014, o Brasil esteve arriscado de não ver nenhum de seus pilotos no grid. A reviravolta veio com o anúncio da contratação do piloto pela Williams, seguida pelos patrocínios do Banco do Brasil e da Petrobrás. O primeiro, aliás, trazido com o piloto de testes da equipe inglesa, o também brasileiro Felipe Nasr.

No ano que vem, tudo mudará. O campeonato não recomeça simplesmente de onde parou, como fez parecer o discurso de alguns mais exaltados com as chances de Massa finalmente quebrar o jejum de títulos do Brasil na Fórmula 1 em 2015. Aliás, esse tabu já completou 23 anos, período no qual o automobilismo acabou perdendo força entre a massa, mas continuou com a força de seus fãs fiéis.

A Williams tem o motor Mercedes, está reestruturada após anos de fracassos, passou no teste da primeira temporada pós-mudanças, superando inclusive a Ferrari no Mundial de Construtores, conta com bons patrocínios, tem uma dupla boa de pilotos, mas tudo dependerá do carro que for apresentado no começo do próximo ano.

No papel, esta promete ser uma das temporadas mais legais de todos os tempos. Vettel na Ferrari, Alonso possivelmente na McLaren, Massa e Bottas firmes na Williams, revanche entre Hamilton e Rosberg na Mercedes, Ricciardo assumindo papel de líder na Red Bull, todos fatores muito interessantes, mas que vão por água abaixo se uma dessas equipes conseguir disparar em rendimento na concepção de seus novos carros, como fez a Mercedes este ano, com suas intermináveis dobradinhas que superaram até a McLaren de Senna e Prost em 1988.

Pode até ser que a Williams seja a vencedora da vez. Mas, nesse caso, a preocupação não diminuiria. Massa tem ao seu lado um piloto jovem e capaz de batê-lo, como já mostrou em 2014. Valtteri Bottas é a aposta de futuro da equipe, mas não terá vida fácil ao lado do brasileiro, que pretende ser sempre o número 1. É aí que mora, aliás, o único fator positivo que uma temporada leva à outra. Massa saiu com mais moral, com mais confiança em si. Talvez isso seja importante nessa batalha interna, já que ambos terão o mesmo equipamento.

Mas, se a Williams não for a vencedora, nada do que Massa fez importará muito, a menos que ele demonstre agora ser um gênio que ainda não conhecemos. Aí, então, o brasileiro poderá tirar leite de pedra e vencer mesmo contra carros inferiores. Isso só o tempo dirá.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.