Opinião: Hamilton é seu próprio e maior adversário na decisão da F1

Lewis Hamilton precisa chegar em segundo lugar no GP dos Emirados Árabes para ser campeão pela segunda vez na carreira. Lewis Hamilton largará em segundo lugar no GP dos Emirados Árabes neste domingo (23). Entre duas frases que parecem se juntar a uma tendência de título a favor do piloto inglês da Mercedes, está o comportamento do próprio Hamilton. Para ser bi mundial, ele precisa fazer uma corrida muito mais conservadora do que está acostumado a fazer.

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Hamilton, em tese, conta com a superioridade de sua própria equipe como um fator a mais nas suas probabilidades de título. Afinal, ele teria que ser ultrapassado por alguém de um time inferior para perder o troféu. Isso, se Rosberg confirmar mesmo a vitória após sair na pole position conquistada neste sábado (22) com um desempenho espetacular.

Já há mais uma daquelas coisas do destino que podem ajudar Hamilton. Em condições normais, apenas Williams e Red Bull, em fins de semana fantásticos, acima de média, espetaculares, conseguem bater de frente com a Mercedes. Afinal, a equipe alemã acumula 11 dobradinhas este ano, um recorde histórico.

Pois bem, a Red Bull foi punida por não passar nas especificações técnicas das asas dianteiras e verá seus dois pilotos, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo, largando dos boxes, nas últimas posições.

Sobram, portanto – frisemos de novo, em condições normais – apenas os dois carros da Williams. Por mais que eu me esforce, não consigo ver Valtteri Bottas, que larga em terceiro, ou Felipe Massa, o quarto colocado no grid, lutando de igual para igual contra o líder do campeonato.

Aí vem o imponderável. A Mercedes, que tem o melhor mais confiável carro da temporada, pode estar em um mau dia e Hamilton ser o ‘premiado’ com uma quebra? Pode. Mas as chances são iguais para seu companheiro, Rosberg, que corre com máquina idêntica.

Hamilton, largando em segundo, pode ser vítima de um toque das Williams na primeira curva? Pode, mas quem garante que Rosberg também não ficará neste bolo? As chances que o imponderável traz são iguais para ambos. Hamilton, portanto, é seu próprio e maior adversário.

Seu histórico de erros em momentos decisivos precisa ficar de vez no passado. A corrida em Interlagos, no último dia 9, é o exemplo a ser seguido, ainda assim com lições a serem aprendidas. Hamilton foi segundo colocado e preservou sua vantagem no campeonato. Mas cometeu um erro que custou a vitória, um resultado que poderia dar uma folga ainda maior para a corrida final.

O inglês já tem 10 vitórias neste ano. Rosberg, se vencer, vai a seis, pouco mais da metade. Hamilton será campeão com resultados impressionantes. Rosberg, se conseguir reverter a vantagem, será o campeão da regularidade, em meio às polêmicas sobre pontuação dobrada e o caos que será para os fãs aceitar que um piloto que ganha seis corridas tire o título de um que venceu 10.

Hamilton não precisa contribuir com isso. É só fazer o que sabe. É só mais uma corrida. O bi está muito próximo. A calma é a maior aliada. Que venha mais uma decisão emocionante na Fórmula 1!



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.