Opinião: Hamilton foi perfeito e calou os críticos na conquista do bi na Fórmula 1

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O segundo título mundial de Lewis Hamilton, conquistado neste domingo (23) com a vitória no GP dos Emirados Árabes, vai entrar para a história da Fórmula 1 como um espetáculo de um gênio. Em agosto deste ano, em um de meus primeiros textos de opinião no Torcedores.com, eu disse que Hamilton nunca mereceu tanto ser campeão como em 2014. Na época, ele ainda era vice-líder, diante de um Rosberg mais regular, mas não tão genial.

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O destino – e a metade final da temporada – tratou de mostrar a diferença entre ambos. Rosberg fez uma temporada sensacional, mas não é ainda um piloto do porte de Lewis Hamilton. A diferença final no campeonato entre ambos acabou sendo de 67 pontos, algo que a pontuação dobrada dos Emirados fez de bom, fez justiça. Hamilton foi campeão com 11 vitórias, contra seis do alemão.

Hamilton teve momentos que servem de lição aos pilotos que estão chegando, mas também aos que já estão no grid. Seu título é a expressão máxima de um prêmio que não escolhe só os competentes, mas também os gênios. A história da Fórmula 1, que tem o inglês empatado em conquistas com o espanhol Fernando Alonso, está mais justa neste domingo.

O inglês, que sempre declarou sua idolatria de infância por Ayrton Senna, agora está a um título de igualar seu herói. Hamilton também alcança a marca de ser o primeiro piloto campeão mundial com a Mercedes desde Juan Manuel Fangio. É o primeiro inglês bicampeão mundial desde Graham Hill. Fez história e assim deve ser visto este último capítulo da Fórmula 1 2014.

Driblou o nervosismo e calou seus críticos, que diziam ser ele um piloto inconstante, instável, sujeito a erros toscos. Fez na última corrida do ano um manual de como defender uma vantagem. Uma lição que ele certamente gostaria de ter aprendido em 2008, quando só foi campeão graças a uma tirada de pé histórica de Timo Glock na volta final, devido ao estado de seus pneus. Dessa vez, Hamilton agiu mais como um “professor”, por mais que esse título deva ser sempre guardado para o gênio Alain Prost.

Ninguém sabe como será a próxima temporada. Não sabemos se a Mercedes voltará a exercer domínio, se a Williams vai se aproximar, como pareceu nessa reta final, se a McLaren-Honda será uma candidata de fato ao título, se a Ferrari de Vettel voltará a viver os tempos gloriosos de Maranello. Mas, Hamilton sempre deverá ser considerado como um favorito. O tri é questão de tempo, mesmo que demore mais de um ano. A Fórmula 1 teve hoje a ascensão de mais um grande.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.