Opinião: Não foi o São Paulo quem perdeu o Brasileirão. Foi o Cruzeiro que o ganhou

O Campeonato Brasileiro de 2014 acabou ontem (20). Depois que Everton Ribeiro deslocou Marcelo Grohe, colocando a bola no fundo da rede gremista e calando a Arena Grêmio, a disputa pelo título teve seu desfecho. Apesar de matematicamente a virada ainda ser possível, moralmente e animicamente, a disputa pelo troféu acabou. O próprio presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, declarou que o time agora se focará apenas na Copa Sul-Americana.

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Contudo, apesar desse discurso conformado, “admitindo” a perda do título, eu vou por uma outra linha. A meu ver, não foi o São Paulo quem perdeu o campeonato. Mas sim, foi o Cruzeiro quem o ganhou. E com todos os méritos do mundo.

Em primeiro lugar, o Cruzeiro manteve toda a base vencedora de 2013 e ainda reforçou com peças pontuais, como Marcelo Moreno e o zagueiro Manoel. Depois, enquanto todos se engalfinhavam para conseguir patrocínios, ele já tinha o dele – que por mais que fique esteticamente feio na camisa, garante boas receitas e uma tranquilidade ímpar.

O terceiro fator que fez do Cruzeiro o campeão incontestável (bi-campeão, né), foi o planejamento. Aqui, de novo, enquanto todo mundo estava pensando ainda no que ia fazer (salvas algumas exceções, como o Inter e o Fluminense), esperando a Copa do Mundo passar para definirem as coisas, o Cruzeiro já estava com tudo certinho, preto no branco.

Esses três fatores, somados à falta de concentração que muita gente deixou abater sobre si no período pré-Copa, fez o Cruzeiro ir fazendo sua parte, quietinho, somando seus pontos e disparando na frente. Quando perceberam, ele já estava com mais gordura do que um Rei Momo.

Aliás, por falar em reis, a tríplice coroa ainda pode acontecer. Não seria injusto (por mais que o Atlético-MG esteja jogando muito) e seria mais um fruto a se colher dessas sementes inteligentemente bem plantadas, lá atrás.

Quanto ao São Paulo (e todos os outros), resta retomar o pensamento de longo prazo que o clube sempre teve e que, por problemas políticos e picuinhas do nível de uma novela para adolescentes, se perdeu no tempo.

Faltam três jogos no Brasileirão e duas decisões, se tudo der certo, na Copa Sul-Americana. Que tal fazer agora o que não foi feito em janeiro? Que tal se concentrar e ter motivos para começar 2015 pensando como gente grande?

Afinal, tricolor nenhum quer ver o recorde de três títulos brasileiros consecutivos igualados, creio eu.



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...