Opinião: No Brasil, modernização não pode ser elitização

Cruzeiro
Foto: Reprodução/Facebook

Nesta semana que se passou, tivemos a finalíssima da Copa do Brasil, segundo maior torneio do país que movimentou a cidade de Belo Horizonte. Atlético Mineiro e Cruzeiro estavam prestes a protagonizar um verdadeiro jogaço. Craques de bola, muita rivalidade. Mas… cadê a torcida?

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As cadeiras vazias bem perto do gramado demonstraram o ápice, a cereja do bolo e um panorama total de como anda o futebol nacional. A Amarelinha nunca esteve tão desbotada. Grande clubes como Palmeiras, Botafogo, Vasco e até a tão falada Portuguesa passam por enormes dificuldades financeiras, não têm tantos craques quanto no passado.

Isso acaba afastando o torcedor do seu santuário, do seu lugar de fuga de tudo para se dedicar a seu time. Estão tirando os torcedores do estádio.

As tão esperadas arenas vieram, e a promessa de maior conforto e comodidade para o torcedor se realizou. Mas, para qual torcedor?  Na Copa do Brasil mesmo, tivemos a bagatela de 500 reais como preço do ingresso no jogo da volta. De que adianta a maior renda se o estádio não lota? No caso do Cruzeiro faltou emoção.

A justificativa é pela qualidade da Arena e a importância do jogo. Já foi demonstrado que se o preço dos ingressos for reduzido, o estádio lota.

Enquanto isso, na terra dos “Hermanos”, River Plate e Boca Juniors deram um show à parte pela Copa Sul-Americana. O placar agregado de 1 a 0 não era o que se esperava, mas o show das torcidas mostrou que estamos longe daquilo, longe da festa do futebol.

Alguns chamam de loucura, mas a foto emblemática de um torcedor do Boca Juniors pendurado no alambrado é muito mais impactante e bonita do que um torcedor aplaudindo apenas seu time, e vaiando quando este levar um gol.

Por mais incrível que pareça, o torcedor não pode ser um mero espectador. O torcedor deve jogar junto, deve fazer sua parte empurrando a equipe. Claro que nem tudo são flores, mas somente o fato de fazer sua parte já basta.

Se lembrarmos que a acústica das arenas foi elaborada pensando nisso, pensando em uma “panela de pressão”, resta-nos utilizar esse recurso, e não ficar apenas aplaudindo ou vaiando toda vez que um jogador acerta ou erra uma jogada.

O futebol brasileiro precisa voltar a ter seu sangue fervendo, dentro de campo e nas arquibancadas. Não precisa ser contra a modernização, apenas não ache que a cadeira do estádio que você frequenta é o sofá da sua casa



Estudante de Jornalismo na UFPE, fã de esportes, apaixonado por futebol mas também rugby e futebol americano.