Opinião: O que o Inter não teve de competência, teve de sorte, no Brasileirão 2014

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Entra ano, sai ano, a conversa nas mesas de boteco são as mesmas: “esse ano o Inter vem com tudo para ganhar o Brasileirão!”. Curioso é que quem levanta essa bola são os próprios Colorados, confiantes que os mesmos de sempre vão levar o time ao lugar mais alto da classificação.

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Totalmente errados eles não estão, afinal, o Inter conseguiu conquistas até mais difíceis do que o Brasileirão nos últimos dez anos. Ganhou duas Libertadores, um Mundial de Clubes, uma Sul-Americana, enfim, torneios internacionais, de pegada mais intensa, viagens mais longas e adversários mais parrudos.

Porém, no próprio quintal, o Inter tem uma dificuldade monstruosa em se figurar como campeão. Em 2014, em especial, fez de tudo para conseguir. Tudo mesmo: foi eliminado na Copa do Brasil, depois na Sul-Americana, para times comprovadamente piores, só para se focar integralmente no Brasileirão. Abel Braga pode até negar, mas soou como algo feito de propósito.

O desfecho desse “esforço” todo foi (está sendo) sofrer para conseguir sem manter no G-4 e voltar à Libertadores. Não que seja pouca coisa, mas é bem menos do que todos esperavam. E olha que neste ano, diferente de outras épocas, o Inter fez muita gente acreditar que o título viria.

Foi o único time que fez o Cruzeiro sentir o gostinho de ficar em segundo lugar no campeonato. Durou apenas uma noite, mas ligou um sinalzinho de alerta lá nas Minas Gerais. O Inter também pode se vangloriar, de ter sido a equipe que mais de perto perseguiu o campeão, chegando a ficar a apenas dois pontos da Raposa.

Contudo, na hora H, faltou gás. Mas sobrou sorte. Sim, o Inter teve muita sorte. Primeiro por causa da ascensão atleticana e gremista, que embolou a briga pelo G-4, quando só isso restou ao Colorado, e tirou a paz de Corinthians e Fluminense, clubes que eram ameaças mais reais na época do que os outros dois.

Em segundo lugar, os avanços de São Paulo, na Copa Sul-Americana e do Atlético-MG, na Copa do Brasil, abriram possibilidades ao Inter de encará-los com times reservas ou mistos, em jogos adiantados e com menos pressão na cabeça.

Por fim, erros de arbitragem pontuais, principalmente contra os dois citados acima, e gols de jogadores questionadíssimos do elenco, deram ao Inter pontos valiosos. O golaço de Paulão, de bicicleta, contra o Goiás, se acontecer de novo, será na próxima encarnação. O gol de Fabrício, de pé direito, no último minuto do jogo contra o Galo, também.

Nessa “brincadeira”, foram sete pontos somados, que colocaram o time em quarto lugar na tabela. Terá ainda pela frente um Palmeiras desesperado, em casa, e pode garantir sua vaga com uma rodada de antecedência.

Quem diria isso, a algumas rodadas atrás? Talvez, os comentaristas de boteco, que além de tudo acertariam, por linhas tortas, seus palpites de começo de ano. Alguém falou em “sorte” aí…?

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