Opinião: Palmeiras não tem outra saída para 2015 a não ser reformular todo o elenco

Cruzeiro x Palmeiras

Fernando Prass, Bruno, Nathan, João Pedro e Valdivia. Tirando esses cinco jogadores, o próximo presidente do Palmeiras pode dispensar o time inteiro em 2015, que a torcida não sentirá a menor falta.

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Alguns não produzem mais por desgaste, idade, etc, como o zagueiro Lúcio, e outros não estão à altura da camisa do clube, como Felipe Menezes, Juninho, Wesley e Diogo.

O que dizer, então, de Leandro e Bruno César, “esperanças alviverdes” do começo da temporada, mas que se tornaram hóspedes do departamento médicos em boa parte do ano?

O Palmeiras precisa ter em mente que é necessária uma reformulação total, profunda no elenco. Tudo bem, não estou pedindo a saída de todos os jogadores, os cinco citados no começo do texto deveriam continuar. Mas o clube tem a obrigação de parar de ter em seu elenco atletas sem qualidade.

Em nenhum momento eu questionei, e nem se pode questionar, o compromisso deste atual elenco com o Palmeiras. Já vimos nos últimos anos, em vários clubes, mas também no Verdão, atletas que não pensavam no grupo, prejudicaram projetos e debandaram ao menor sinal de que o barco afundaria. Não é o caso deste grupo atual.

O problema é que a camisa verde com o escudo da Sociedade Esportiva Palmeiras é importante demais para ser desperdiçada com um elenco sem o menor talento. Individualmente, todos os atuais jogadores do Verdão têm potencial para fazer parte de grandes grupos. Todo time campeão tinha e tem atletas com nível técnico inferior aos demais, mas que cresciam, faziam funções importantes.

O que estraga esse Palmeiras é a falta de brilho. São vários jogadores sem nenhum grau de genialidade reunidos. Apenas Valdivia se sobressai, mas seu excesso de lesões atrapalha, faz com que parte da torcida não goste dele. Uma saída do chileno não seria propriamente uma má ideia, desde que a reformulação fosse completa.

Se for para manter o atual elenco e contratar “peças de reposição”, Valdivia tem que ficar. Mesmo que dispute um a cada cinco jogos, o importante é saber como não perder sem ele ao longo do jogo, sem que o desespero bata forte pela falta de uma referência em campo.

Para montar um novo elenco, o Palmeiras precisa estar atento à base, mas não pode queimar jogadores jovens, como aconteceu nos últimos anos. É necessário ter calma com as revelações, e isso só acontecerá se o clube tiver um grupo de atletas experientes.

Isso é fundamental até para que os meninos tenham com quem crescer, amadurecer. Jogar o peso de um clube deste tamanho, com uma casa enorme e nova, nas costas deles é um crime. Que nunca mais tenhamos que ver um jovem de 19 anos, como o zagueiro Nathan, ter que dar entrevista coletiva para explicar goleada cuja culpa não foi dele.

O Palmeiras precisa ter nomes de referência para que o torcedor tenha em quem confiar no estádio, pela televisão, pelo rádio, onde estiver. Não dá mais para aceitar que qualquer jogada seja precedida mentalmente por um “ah, tocou para esse cara, ele não vai fazer nada”. O clube tem que voltar a ser temido.

Caso contrário, caso insista em investir em elencos muito baratos, com jogadores desqualificados, sem habilidades, sem criatividade, etc, o Palmeiras se manterá firme no caminho de ser um clube “mediano”. E esse termo para o Verdão é uma ofensa tão grave, que foi difícil escrever. Que fique por aqui.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.