Opinião: Por que Ademílson tem tantas chances no São Paulo?

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Existem algumas coisas no futebol que, definitivamente, não tem explicação. A existência de Ademílson no plantel de jogadores profissionais do São Paulo é uma dessas coisas. Até entendo que a diretoria anterior apostou nele, que Juvenal Juvêncio o amava tanto que o tal jovem passou a ser chamado de “jogador do presidente”, mas convenhamos: o atual (e talvez eterno) camisa 19 já comprovou ser, no mínimo, um pipoqueiro.

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Digo isso porque, quando Ademílson é convocado para as seleções de base do Brasil, ele arrebenta. É artilheiro, é eleito o melhor jogador do campeonato, faz uns gols que talvez nem ele próprio acredite que conseguiu, enfim, vira referência. Mas quando volta pro São Paulo e precisa mostrar que tem saco roxo para atuar no mesmo nível entre os profissionais, o calo aperta.

Eu não lembro de uma partida sequer em que o Ademílson foi elogiado sem adendos. Não lembro de uma única ocasião em que ele passou livre de alguma crítica. Acima de tudo: eu não lembro de alguém que tenha pensado nele como uma opção plausível para resolver um jogo, ou ajudar a resolver.

Até mesmo o nada saudoso Willian José teve seus momentos de glória no São Paulo, quando era a única opção para substituir Luis Fabiano, no começo de 2012. Silvinho, quando chegou da Penapolense (hoje é um andarilho do futebol), conseguiu atingir, em um curto período, o status de jogador lembrado por uma torcida desesperada para ganhar um jogo. Ademílson, não.

Aliás, acontece o contrário: sempre que ouço falar de Ademílson, vem junto uma coçadinha na cabeça e aquela desconfiança, meio que um pensamento de “não tem ninguém melhor, não?”. É triste, mas é a verdade.

Talvez por ter chegado aos profissionais com a responsabilidade de mostrar porque era considerado uma joia por Juvenal Juvêncio, mas Ademílson não consegue passar para ninguém que é um jogador digno de confiança. Nem digo isso pelo fato dele fazer poucos gols. Digo isso pelo fato dele ser tão jovem e tão omisso.

Os problemas de jogadores jovens são, justamente, o oposto da omissão. O que atrapalha o início de um garoto em um time profissional é seu excesso de vontade, que acaba culminando em erros bobos e comprometedores.

Ademílson, é verdade, nunca cometeu um erro crasso e fatal. Mas ele sequer tenta algo mais ousado que possa culminar nisso. E olha que ele é atacante, uma das funções dele é, justamente, ousar.

Ele está em sua quarta temporada pelos profissionais do São Paulo e até agora não justificou o “investimento”. O lado bom, é que ele tem apenas 20 anos e pode reverter a situação. Para isso, tem que começar a querer de verdade. De verdade.

Foto: Reprodução



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...