Opinião: Rebaixamento ensinou o Atlético-MG a ficar de pé

CBF

27 de novembro é um dia comum para muitos, mas para o atleticano é marcante. Uma data que marcou um momento triste da história, que mudou para sempre a realidade do Atlético-MG, foi resgatada por uma grande alegria.

LEIA MAIS
Opinião do torcedor: A conquista do Galo de Galileu Galilei
Atlético-MG precisou de 24 edições para levantar a taça na Copa do Brasil

Neste exato dia, há 9 anos, o Galo era rebaixado para a Série B. E aquele que deveria ter sido o momento mais triste da história atleticana acabou ensinando importantes lições, que certamente o trouxeram ao momento vivido nos últimos anos.

Ao ter disputado a divisão de acesso, com hombridade e respeito à competição, mantiveram intactas a dignidade e o caráter brigador que a camisa alvinegra carrega.

E além disso, apontaram um caminho diferente para um clube que estava acomodado, na mentalidade de “incaível”, sustentada e propagada por alguns torcedores. O que dava um certo conforto a quem dirigisse a instituição. Sempre se acreditou muito na força que a camisa tinha, um erro que ainda hoje é cometido por muitos clubes do país.

Cair fez a diretoria atleticana olhar para dentro de si e, buscar caminhos para que essa situação jamais se repetisse novamente. Tirou o Galo da estagnação, deu um novo norte a quem por anos esteve perdido, Ziza Valadares foi o presidente que iniciou este processo, porém o Atlético e o Kalil tem uma simbiose que os faz parecer um só.

Por mais polêmico que Alexandre Kalil seja, ele é um grande presidente, sem sombra de dúvida, seu desejo em fazer o time tão grande quanto aquele que seu pai dirigiu na década de 80 foi alcançado e, no meu modo de ver, superado. Prova disso, dois títulos conquistados em 2014, Recopa e Copa do Brasil, com o bônus de um deles ter sido sobre o rival, é daquele tipo de título que não tem preço.

Hoje além de um time multicampeão, o Atlético tem sem sombra de dúvida uma das maiores e melhores estruturas para formação de atletas da base do país, além de um CT – apontado como um dos 10 melhores do planeta – que dá toda a condição para que os profissionais se preparem para a temporada e se recuperem de possíveis lesões e traumas. E um departamento de futebol eficiente, que ao invés das antigas barcas de jogadores, contrata bons valores em menor número.

Planejamento, esse na minha opinião, foi o maior legado que a queda do Atlético para Série B deixou. Acredito que o atleticano não tem por que se envergonhar disso, afinal nossas quedas ensinam tanto quando nossas caminhadas.

E para que não fiquemos apenas com o aniversário de 9 anos do rebaixamento, curiosamente no dia 27 de novembro também tem outro 9 significativo na vida do alvinegro. É aniversário dos 9 a 2, maior goleada aplicada sobre o rival em confrontos diretos. Há 97 anos atrás, era consolidada a rivalidade entre Galo e Raposa, em um placar anormal, até para aquela época.

Foto: Getty Images