Opinião: Rosberg soube perder. Quem vence é o Esporte

Nico Rosberg soube perder. Isso deve ser destacado. O alemão tinha na mente que era possível ganhar, mas também se preparou no caso de uma derrota. E agiu com a índole de um campeão, mesmo nunca tendo chegado ao título.

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A corrida de Rosberg ontem em Abu Dhabi se resumiu em duas coisas: A largada mal feita e as posições que perdeu para metade do grid e o problema no carro que o fez ser ultrapassado pela outra metade. Rosberg não teve culpa. Não era o dia dele. Ele sentia isso a cada volta, a cada escapada que o carro fazia, a cada perda de segundos que tinha em cada parcial de tempo… Deu tudo para o alemão.

Um dos grandes momentos da prova foi faltando três voltas para o final, a equipe fala para ele retornar aos boxes e abandonar. Rosberg nega e pede: “Deixem que termine a prova”. O pedido veio pouco antes de Hamilton o ultrapassar e deixar ele uma volta atrás do líder. Talvez a equipe pensasse que este ato seria uma humilhação para ele, mas só o pedido de se manter na pista, foi o suficiente para que a equipe entendesse: Deixem Nico correr.

A equipe atendeu o pedido, Rosberg fora ultrapassado por Hamilton e, sabendo que não tinha condições de encarar um inglês sedento por um bicampeonato, tentou o máximo que pôde, levou para a última etapa o campeonato, mas caiu. Não foi culpa dele.

Quando terminada a prova, Rosberg poderia muito bem sumir das câmeras, não aparecer, ir direto para o hotel… Aceitar a derrota de cabeça baixa, as falas de Toto Wolff após a prova, apontando que a culpa foi da equipe e não dele… Poderia fazer isso, sem problemas. Seria compreensível.

Mas parece que não foi apenas no dom de pilotar carros que o pai, Keke ensinou Nico. Ensinou-o a perder dignamente, e lembrar que, no final, todos somos iguais. O abraço em Hamilton, parabenizando-o pelo título e as declarações afirmando que o inglês merecia o troféu de campeão, demonstram isso.

Rosberg teve seu lado mais individualista somente esse ano, pois sempre foi um piloto mais quieto, que falava menos e tentava correr mais. Sempre foi assim. Mas pegou do seu pai esse instinto de saber perder dignamente.

Deu pena da corrida de Rosberg. Mas foi um prazer imenso vê-lo não dar as costas ao – agora – bicampeão e reconhecer seus erros e, além disso, saber que, terminada a temporada, a vida segue, e que não devemos guardar rancor.

Nico foi um exemplo perfeito de alguém que lutou bravamente até o final, que só queria ter esse gosto de correr e que, principalmente, soube perder com dignidade.

O vencedor leva os louros, mas o perdedor, se tiver dignidade, merece o respeito e a admiração, pura e simplesmente por ter sido uma coisa: Humano.



Jornalista de 29 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016. Atualmente, é comentarista na Rádio Trianon 740AM SP.