Os campeões da Copa SP em 2010: Onde está a base, Cotia?

O trabalho de base no aspecto de ser um dos maiores exportadores de jogadores entre todos os clubes do mundo sempre foi feito questão de ser exaltado no São Paulo.

Com o reforço na estrutura do moderno CFA Laudo Natel, na cidade de Cotia, a possibilidade de aumentar a eficiência em revelar talentos teve como grandes frutos a saída de atleta para a Europa e o título da Copa São Paulo em 2010. Mas será que isso valeu o investimento empregado?

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Vejamos onde foram vários dos integrantes do elenco tricolor para a competição que culminou com o título nos pênaltis, diante do Santos, no dia 25 de janeiro de 2010:

Richard: Goleiro que pegou três pênaltis na decisão, não teve sequer chances no quadro de goleiros do time principal. Sendo constantemente emprestado a outros clubes, agora defende o Rio Claro-SP.

Filipe Aguaí: Com a necessidade do elenco, o meia atacante teve que atuar na lateral direita e se saiu muito bem durante toda a campanha. Com a falta de aproveitamento pelo clube, passou por Sport, Jacuipense e hoje atua pelo Monza, da Itália.

Fabiano: O zagueiro que mostrou grande personalidade durante toda o torneio também não foi aproveitado, depois de jogar no Barretos, atua pelo Pirassununguense.

Bruno Uvini: Zagueiro mais prestigiado do sistema defensivo. Com grandes expectativas de se tornar um nome forte, nunca vingou nas chances que começou até mesmo como titular no time profissional. Após ser vendido ao Napoli (Itália), Uvini hoje joga pelo Santos.

Zé Vitor: Apesar de muito elogiado nos tempos de Copa SP, o volante teve poucas chances no profissional do tricolor. Depois de ser emprestado ao Slovan Bratislava, da Eslováquia, o jogador foi vendido ao São Caetano e hoje defende a Chapecoense.

Casemiro: Depois de início promissor entre os profissionais, acusações de baladas e um estilo marrento fizeram com que o jogador perdesse espaço e, mesmo em baixa, ser contratado pelo Real Madrid B. Após subir ao time principal espanhol, Casemiro perdeu espaço com a chegada de Carlo Ancelotti e atualmente joga no Porto.

Jéferson: Atleta que fez dupla no meio-campo com Lucas, nunca foi aproveitado no elenco profissional. Transferido para a base do Botafogo no ano seguinte a conquista, hoje integra o elenco do Oeste.

Lucas: Na época chamado de Marcelinho, em alusão a sua passagem pela escolinha de futebol pertencente ao ídolo do rival Corinthians, desnecessário dizer o sucesso que lhe rendeu protagonismo nos profissionais, convocações a Seleção Brasileira e a transferência ao Paris Saint-Germain.

Ronieli: Autor de um lindo gol de voleio, que levou a decisão da Copinha de 2010 para as penalidades máximas, o atacante sequer foi lembrado no time de cima e passou a ser um andarilho do futebol, indo a Turquia, Coreia do Sul e Japão, em todas as oportunidades por empréstimo. Ainda pertencendo ao clube, hoje está na Chapecoense.

Lucas Gaúcho: O artilheiro da Copinha em 2010 era tão exaltado ao ser promovido ao elenco principal quanto Lucas e Casemiro. Porém, não vingou no elenco principal e também rodou o planeta, fazendo escalas na Espanha, Hong Kong, Tailândia e Tunísia. Hoje, joga pelo Al-Shabab Seeb, de Omã.

Praticamente 80 % dos jogadores descritos acima, mesmo com a chancela de ganharem um torneio vistoso como a Copa SP, sequer receberam chance no elenco principal. Falta de comunicação entre os departamentos, preparo mal-feito, impaciência da comissão técnica, listem quaisquer que sejam os motivos.

Porém, uma coisa é certa: Com um investimento do tamanho do CFA Laudo Natel, não se pode contentar com um “novo” Lucas a cada década. Qualquer coisa menos que uma espinha dorsal para o elenco principal e ai sim, posteriormente, vender atletas ao exterior, é insatisfatório.

Foto: Getty Images



Jornalista formado em 2012 pela FIAM e que tem paixão por esportes, destacando-se Futebol, MMA, Basquete e Automobilismo. Foi editor e repórter do Universo dos Sports.