Os erros de Abel Braga no comando do Inter em 2014

Estamos no final de novembro, faltam duas rodadas para o término do Brasileirão, um jogo para o fim da Copa do Brasil e três para acabar a Copa Sul-Americana. Daqui algumas semanas, restará para nós brasileiros, futebolisticamente falando, apenas aqueles jogos de confraternização, entre Amigos do Fulano x Amigos do Beltrano, e especulações do mercado da bola.

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Antecipando-se a esse movimento natural do universo em que estamos inseridos, é chegada a hora de mensurar os erros e acertos dos principais personagens do futebol brasileiro, para tentarmos entender onde, como e porquê algo deu certo e algo deu errado.

O primeiro da série será o treinador do Inter, Abel Braga, e analisaremos onde foi que o treinador errou e o que isso acarretou.

Apostas equivocadas para o ataque – Abel Braga acabou colocando boa parte de suas fichas em dois jogadores que nunca foram realmente decisivos, pouco vencedores e com quase nenhum álibi para dizer que poderiam ser, pelo menos, bons de grupo.

Wellington Paulista e Rafael Moura não foram, nem de longe, os centroavantes que o time gostaria. Não se encaixaram bem no esquema tático – pelo contrário, atrapalharam o esquema tático -, não fizeram muitos gols, não souberam se movimentar para abrir espaços.

Os dois juntos conseguiram, no Brasileirão 2014 por exemplo, fazer 11 gols. Muito pouco, para alguém cujo trabalho é balançar as redes. O volante / meia Aránguiz, por exemplo, sozinho, fez metade disso.

Demora em ajustar o elenco – É certo que isso não é competência apenas do treinador de um time, mas é ele quem precisa reconhecer o que está em falta para informar a Diretoria do clube e esta, por sua vez, precisa fazer das três, uma: ou dispensar peças, ou contratar, ou aproveitar jovens da base.

O Inter até fez isso, mas demorou demais. Valdívia, Eduardo Sasha e Taiberson, por exemplo, demoraram um bocado para serem realmente aproveitados por Abel. Em contrapartida, Alan Patrick e Wellington, tiveram várias e várias chances no time.

Os três jovens, à sua maneira, fizeram a diferença na equipe em dados momentos. Já os outros dois, não justificaram tanta confiança em nenhuma situação. É legal e compreensível o lado “paizão” de Abel Braga, de demonstrar acreditar plenamente em seus atletas. Mas quando isso o faz ignorar a necessidade de correções de percurso, mais atrapalha do que ajuda.

As derrotas “estranhas” na Copa do Brasil e Sul-Americana – Esse foi o maior equívoco do ano, não somente no âmbito dos erros de treinadores de futebol brasileiros em 2014, como em todo e qualquer âmbito. Na época em que o Inter iria encarar o Ceará, pela terceira fase da Copa do Brasil, o time gaúcho estava “voando” em campo, demonstrando uma gana excepcional.

Porém, diante dos cearenses, o time resolveu tirar o pé. Perdeu ambos os jogos do mata-mata e foi para a Sul-Americana. Lá, enfrentou o Bahia e, mais uma vez, jogou mal demais para quem, na época, brigava pela liderança do campeonato, e foi eliminado.

Tempos depois, o treinador deu entrevistas comentando o assunto. Disse que em 2012, quando foi campeão pelo Fluminense, um dos grandes trunfos do Tricolor carioca foi ter passado o segundo semestre inteiro se preocupando apenas com o Brasileirão. Bom, acho que nem é necessário supor mais nada.

Dali em diante, o Inter entrou em parafuso e perdeu jogos bobos, alguns deles, memoráveis. A derrota de virada para o Figueirense, em pleno Beira-Rio, e a goleada de 5 a 0 que levou da Chapecoense, na Arena Condá, demorarão para sair da memória do torcedor. Inegavelmente elas foram produto de um equívoco e geraram um prejuízo que não estava nos planos.

A sorte de Abelão é que com o currículo dele, chances de reverter o quadro e acertar mais das próximas, não vão faltar. Resta saber se o próprio Inter é quem dará essa oportunidade.

(Foto: Reprodução / Getty Images)



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