Opinião: Disputa por pênaltis é a maior injustiça do futebol

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Aos amigos leitores, alguns concordarão comigo, outros discordarão, mas vi ontem que pênalti não é pra qualquer um não. Não é pra qualquer um torcedor ou jogador. Tem que ter sangue frio pra essa hora maldita! Ontem passei por essa experiência, e olha, não é nada agradável.

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Assistir em casa, até que vai. Ver uma disputa em que não seja o seu time, chega a ser até confortante, alegre, as vezes engraçado. Mas quando você se depara com o seu escudo indo do meio campo até a marca da cal, você começa a entrar em desespero. Aqui se inicia essa minha crônica sobre o jogo de ontem entre São Paulo e Nacional da Colômbia, valendo vaga na final da Copa Sul-Americana 2014.

Nove horas da noite. Menos de uma hora para o início do jogo. A chuva havia chegado em São Paulo pela tarde e não dera uma trégua. Somente a noite ela acalmava, e seria para não estragar o espetáculo? Eu, e mais de 45 mil são-paulinos, começava a adentrar as arquibancadas e cadeiras do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Todos confiantes, pois apenas um gol de diferença no jogo de ida seria coisa fácil de se reverter, logo em casa com toda essa massa apaixonada empurrando, quando a energia de todo o estádio vai embora.

Blackout no Morumbi inteiro. Parecia que haveria um show musical e não um jogo de futebol, uma das cenas mais lindas que já presenciei no Morumbi. A torcida cantando com luzes, celulares, qualquer coisa que brilhasse em punho. 20 minutos de escuridão até a energia ser totalmente retomada, e ai sim, vamos ao jogo.

Foi um jogo atípico. Vi uma torcida apoiar os mais de 90 minutos, sem se quer um grito de xingamentos ou punições verbais aos jogadores por alguma falha, pelo contrário, após um erro apoiávamos para gritarmos junto dos jogadores por um carrinho numa recuperação da jogada. Mas o jogo demorou para esquentar. Parecia aquele Belina antiga, a álcool, que demorava barbaridades para esquentar em dias de frio. Mas ontem não estava frio, algo estava estranho neste caso.

O primeiro tempo do jogo não foi nada daquilo que era esperado por se tratar de uma decisão, uma semifinal com um dos times (o meu no caso) precisando da vitória mais que nunca. Além dos raros lances de perigo, entre eles uma entrada cara a cara com Rogério Ceni defendida por ele e outra de Michel Bastos, mas essa sem conclusão pois o zagueiro afastou, o primeiro tempo foi fraco, foi truncado num meio-campo cheio de jogadores.

De minha parte, percebi um medo dentro de campo, por ambas as partes. Por parte colombiana, percebi um receio de tomar mais que um gol e ter ali a sua participação encerrada, receio mais que justo, mas percebi que fora os contra-ataques óbvios puxados pelo seu atacante isolado, eles haviam abdicado dos ataques.

Queriam realmente o pênalti, ou no caso de tomarem dois gols, lutariam por uma bola apenas. E um receio por parte tricolor, esse maior, por ter que sair para o jogo e tomar um gol em um contra-ataque, que praticamente mataria o jogo. Por isso esse primeiro tempo fraco, mas o segundo estava por vir, e o futebol apareceria.

Segundo tempo se iniciava, e a angústia do zero a zero continuava, o grito de gol preso no céu da boca, não mais na garganta de tanta ansiedade. E aos 8 minutos Paulo Henrique Ganso fez a torcida explodir no Morumbi, ao cobrar uma falta pela direita e contar com a “ajuda” de ninguém, que ao passar por todo mundo engana o goleiro e entra.

Gol do São Paulo, 1 a 0, 40 minutos a mais pela frente para conseguir mais um tento, e 45 mil vozes a te empurrar. Cenário perfeito né? Seria, mas ontem não foi. E o São Paulo continuou forte, e como! Michel Bastos teve duas chances mais que claras, uma ele recebeu na área sozinho, com a bola na perna boa, mas desperdiçou chutando no goleiro.

Na segunda chance, mais atrapalhou o atacante Luís Fabiano do que outra coisa quando, no chute do camisa 9 são-paulino que bateu na trave e retornou para o mesmo concluir para o fundo das redes, o meia do tricolor se colocou na frente e disparou para fora da meta já impedido.

Nos pés do camisa 7 saiam as melhores chances, todas desperdiçadas. Viria pela frente ainda mais um lançamento para ele dentro da área, e com a cabeça tiraria do goleiro. Mesmo sem ângulo ao evitar a saída de bola para linha de fundo, ele cruza rasteiro para trás, e Kaká dominando mais ou menos a bola chutou e ela caprichosamente explode na trave. O São Paulo estava fortemente presente no ataque, mas a bola teimava em não entrar. Fim dos 90 minutos regulares, vamos aos pênaltis.

Vale ressaltar aqui a minha opinião sobre os pênaltis. Acho injusto. Não no caso de se disputar 90 minutos de ida, 90 de volta e mais 30 de prorrogação. Acho injusto você jogar 90 de ida, 90 de volta e no caso de igualdado no agregado, pênaltis. Como aconteceu ontem.

Esse tipo de regulamento sem prorrogação favorece os menores times. No caso do jogo de ontem se houvesse mais 30 minutos de bola rolando, hoje não estaria aqui nesse tom de enterro, nesse tom melancólico escrevendo, pois com toda a certeza que existe no mundo futebolístico, o São Paulo finalizaria o massacre que iniciou ontem ao voltar do intervalo. O time colombiano não suportaria tamanha a pressão que continuaria a lhes ser imposta pelo time mandante.

Nunca havia passado por essa experiência como já disse no início deste texto. Sempre fui em jogos com meu pai, e ele sempre me dizia em decisões com probabilidade de pênaltis “se for pra decisão de pênaltis eu não assisto, a gente se encontra no carro” e nunca entendia o porque da sua insatisfação e descontentamento com as penalidades máximas.

Ele já havia me contado a sua experiência com 15 anos, ao ir para o Mineirão em 77 ver a final do Campeonato Brasileiro contra o Atlético Mineiro. Mais de 100 mil pessoas e uma disputa de pênaltis. Ele assistiu o jogo inteiro, na hora das cobranças foi para o ônibus e ouviu com o motorista. Tamanha sua ansiedade, nervosismo. Até hoje carrega com ele esse trauma, essa mística.

Pênalti é loteria sim. Não existe sorte ou azar nesse momento. E competência? Existe, mas poucas vezes decide. Pênalti é único, é de matar!

Ontem aconteceu com o atacante tricolor, Alan Kardec, o que poderia acontecer com qualquer jogador em qualquer disputa de pênalti, escorregou. Jogadores perdem pênalti, até os melhores do mundo como Baggio na decisão de 94 que nos deu o tetra, como Chicão e Cerezo em 77 na final do Mineirão que meu pai “assistiu”. Pênalti é acima de tudo treinamento, e um pouco de confiança. Se treinou bate. Se treinou e não está confiante, bate e bate forte no meio.

Ontem tivemos 7 cobranças. Das 4 colombianas, nenhuma desperdiçada. Das 3 são-paulinas, Kardec escorregou e mandou longe, Toloi teve sua batida defendida pelo goleiro, e Rogério Ceni marcou. Dos dois perdidos pelo São Paulo, se tivéssemos que escolher um culpado, seria Toloi, pois acho mais displicente, mais incompetente voce bater um pênalti e o goleiro defender, do que bater pra fora. Mas é uma opinião minha, outras que diferem da minha estão espalhadas pelo mundo, ou até mesmo dentro da minha casa.

Mas ontem acabava ali a participação do São Paulo Futebol Clube na Copa Sul-Americana 2014. Que fique claro que não saímos abatidos. Sim muito desolados pela forma da desclassificação, mas não abatidos. Prova disso foram os 45 mil torcedores incentivando o time após a conclusão dos pênaltis em favor dos alviverdes da Colômbia.

Gritamos o nome do clube, o hino, gritamos pelo amor. Pela dedicação e entrega de todos os jogadores que entraram ontem em campo e defenderam as cores do São Paulo até o último momento.

Mais um ponto a ressaltar, e esse é um apelo não só meu, mas da maioria dos torcedores. Necessitamos urgentemente de um preparador físico de alta qualidade como tínhamos com Carlinhos Neves. Os jogadores simplesmente morrem em campo na etapa final de jogo. Não têm fôlego algum para aguentar os 90 minutos em campo.

O time do São Paulo ontem da metade pra frente do segundo tempo, se arrastava em campo na transição da defesa pro ataque. E hoje Carlinhos Neves continua o seu excelente trabalho no Atlético Mineiro. E o time mostra em campo, com os títulos que vem ganhando. Libertadores ano passado, Copa do Brasil esse ano. Reforços serão precisos também. Na zaga e nas laterais.

Muricy precisa se reciclar na sua forma de treinar e armar o time. Não existem variações táticas, jogadas ensaiadas, nada! Apenas aquilo que se inicia e ponto. Ontem os nossos volantes armavam o jogo mesmo com a presença de Paulo Henrique Ganso e Kaká. Alguma coisa tem que mudar pro ano que vem. Ano de Libertadores, ano decisivo.



Jovem estudante de jornalismo, com quase 20 anos de vida e todos eles amando o futebol. Escrevo com a razão se sobrepondo sobre a emoção mas não deixo essa esquecida. Gosto de qualquer outro esporte que esse mundo possa nos apresentar, e procuro conhecer as suas regras primárias. Exponho as minhas opiniões sobre diversos assuntos e espero ajudar no entendimen