Relembre as decisões de títulos recentes mais emocionantes da F1

A F1 decide neste fim de semana quem será seu campeão em 2014. Lewis Hamilton e Nico Rosberg, ambos da Mercedes, prometem protagonizar mais uma decisão emocionante na história da categoria. Nos últimos 30 anos, os fãs da Fórmula 1 viram mais campeonatos decididos de maneira chata e enfadonha, do que grandes disputas pela taça, mas as exceções valem toda a pena.

Hamilton e Rosberg estão separados por 17 pontos na classificação do Mundial de Pilotos, mas a pontuação dobrada da última corrida, medida implantada este ano pela organização da F1, faz com que a diferença seja bem menor. Rosberg, vice-líder, precisa vencer e torcer para o companheiro chegar, no máximo, em terceiro lugar.

Essa disputa entre dois pilotos da mesma equipe remete aos tempos em que a McLaren dominava e decidia os campeonatos entre Alain Prost e Ayrton Senna, guardadas todas as devidas proporções entre épocas, equipes e pilotos, claro.

O Torcedores.com selecionou dez grandes decisões dos últimos 30 anos na Fórmula 1. Elas foram escolhidas baseadas nas disputas dentro das corridas finais, como os casos de Prost x Senna em 1989, Schumacher x Hill em 1994, e Villeneuve x Schumi em 1997, e pelo caráter da decisão em si, como os títulos de Hamilton em 2008 e Vettel 2010.

Confira abaixo:

1) 2008 – Lewis Hamilton campeão

Hamilton foi campeão apenas na última curva do GP do Brasil, que encerrava a temporada. O inglês era o sexto colocado após ser ultrapassado nas voltas finais pela então surpreendente promessa Sebastian Vettel, da pequena Toro Rosso. A poucos metros do final, porém, o alemão Timo Glock, da Toyota, teve problemas com os pneus e fez uma volta extremamente lenta e acabou cedendo a posição que Hamilton precisava para ser campeão, o quinto lugar. Pior para Felipe Massa, que comemorava o título após vencer a corrida.

2) 2010 – Sebastian Vettel campeão

Quatro pilotos chegaram à última corrida do ano, nos Emirados Árabes, com chance de título. Os principais favoritos eram Mark Webber e Fernando Alonso, mas Sebastian Vettel corria por fora. Lewis Hamilton, da McLaren, tinha chances remotas. Webber, companheiro de Vettel na Red Bull, fez uma corrida muito ruim. Alonso, da Ferrari, errou feio na estratégia e acabou preso atrás do russo Vitaly Petrov, da Renault. Não conseguiu ultrapassa-lo e reclamou muito da postura do piloto russo, que apenas defendia sua posição normalmente. Melhor para Vettel, que ganhou a corrida e saiu do terceiro lugar no campeonato para a conquista do título em uma corrida.

3) 2007 – Kimi Raikkonen campeão

Kimi Raikkonen corria pela Ferrari e não era, definitivamente, nenhum favorito ao título. Ele também chegou em terceiro, com chances de título, à última prova do ano, o GP do Brasil. O foco todo era em cima da briga interna da McLaren, entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Hamilton errou logo no começo da corrida ao colocar o carro em ponto morto. Alonso também não fazia uma boa prova. Raikkonen precisava vencer e torcer para que o espanhol chegasse, no máximo, em terceiro, e Hamilton deveria ficar abaixo do quinto lugar. De repente, Alonso era terceiro e Hamilton, o quinto. Raikkonen era o vice-líder e só precisava ganhar. Sorte dele que Felipe Massa, seu companheiro, é quem liderava. Foi só fazer a famosa troca de posições e, pronto, estava configurada uma das maiores zebras da F1.

4) 1997 – Jacques Villeneuve campeão

Michael Schumacher e Jacques Villeneuve chegaram ao circuito de Jerez de la Frontera, na Espanha, separados por apenas um ponto. O GP da Europa era a última corrida da temporada de 1997, e o alemão liderava o campeonato. No sábado, durante o treino classificatório, a primeira marca da emoção: Os três primeiros colocados no grid fizeram exatamente o mesmo tempo, empatados até nos décimos de milésimos. Eram eles Schumacher, Villeneuve, e o companheiro do canadense na Williams, o alemão Heinz-Harald Frentzen. Na corrida, Schumacher liderava e seguia firme rumo ao título, mas o piloto da Williams o alcançou. A ideia do alemão foi jogar o carro em cima de Villeneuve e provocar uma batida, já que a saída de ambos daria o tri ao astro da Ferrari. Pior para ele, que acabou ficando na brita, enquanto Villeneuve nada sofria. O canadense teve caminho livre e ainda cedeu a vitória para os dois carros da McLaren, algo que também gerou polêmica devido a um suposto acordo de bastidores entre os dois times contra a Ferrari. Schumacher, por causa da manobra, foi punido com a perda do vice-campeonato.

5) 1986 – Alain Prost campeão

Mais uma decisão com três pilotos na última corrida do ano. Nigel Mansell, da Williams, era o principal favorito e precisava apenas de um terceiro lugar para ficar com seu primeiro título na Fórmula 1. Alain Prost, da McLaren, e o companheiro de Mansell, Nelson Piquet, também tinham boas chances. Mansell acabou vendo seu pneu desmanchar de maneira incrível e abandonou a prova. O título caía no colo de Piquet com a liderança da prova, mas a Williams ficou com medo de que seus pneus estourassem também e acabou forçando mais uma prova. Foi a deixa para o francês assumir a ponta e não ser mais alcançado. Prost era bicampeão do mundo.

6) 1988 – Ayrton Senna campeão

Foi com uma corrida de antecedência, mas recheado de emoção. Assim é a história do primeiro título de Ayrton Senna, que largava em primeiro no GP do Japão, teve problemas com o carro e acabou caindo diversas posições. Fez uma corrida de recuperação, passou o companheiro Alain Prost e garantiu a vitória com tranquilidade. Era sua vitória pessoal no embate interno da McLaren contra o francês. Era a realização de seu sonho de título mundial.

7) 1989 – Alain Prost campeão

Prost liderava o campeonato e poderia ficar com o título na penúltima corrida do ano, no Japão. Senna precisava adiar a decisão e contava com a pole position para isso. Acabou largando mal e viu seu companheiro de McLaren pular à frente. O que se viu foi uma emocionante perseguição do brasileiro ao francês, que só acabou na famosa chicane do circuito de Suzuka, quando Prost fechou Senna e causou uma batida entre ambos. O francês abandonou a prova, enquanto Senna implorava aos fiscais que o ajudassem a retornar. Assim foi, e Senna conseguiu levar seu carro aos boxes para trocar o bico danificado. Fez uma corrida de recuperação tão perfeita que conseguiu retomar a liderança. Venceu e comemorou muito, enquanto Prost agia nos bastidores para conseguir a desclassificação do brasileiro. Ele alegava que Senna não contornou a chicane em seu retorno à pista. O presidente da FIA (então FISA), Jean-Marie Balestre, era muito próximo a Prost e interferiu a favor dele, desclassificando Senna. Prost era tricampeão do mundo.

8) 1994 – Michael Schumacher campeão

Três anos antes da confusão em Jerez, Schumacher teve mais sorte em suas manobras reprováveis do ponto de vista ético. O alemão corria pela Benetton e tentava seu primeiro título. A disputa era contra o inglês Damon Hill, da Williams, que teve a missão de herdar o posto de piloto número 1 da equipe britânica após a morte de Ayrton Senna, em maio daquele ano. Schumacher esperou Hill se aproximar e jogou o carro em cima dele. A Benetton chegou a levantar, mas nada aconteceu a Schumi. Hill continuou correndo, mas um problema com a suspensão de sua Williams causado pela batida fez com que ele abandonasse a prova. Schumacher era campeão pela primeira das sete vezes.

9) 2012 – Sebastian Vettel campeão

O tri de Vettel veio no Brasil, em 2012, após uma corrida emocionante marcada por chuvas, largada confusa, erros de estratégia da Red Bull. Alonso chegou a sonhar com o título, mas o poderio do alemão continuava na Fórmula 1.

10) 2003 – Michael Schumacher campeão

A disputa chegou ao último GP do ano, no Japão, em Suzuka. Michael Schumacher, da Ferrari, e Kimi Raikkonen, da McLaren, brigavam pelo título de 2003. Schumacher tinha que chegar em oitavo lugar para ser campeão. O finlandês precisava vencer e torcer para que o alemão não pontuasse. Schumacher largou em 14º lugar. Fez uma corrida de gênio, chegando exatamente em oitavo. E nem precisava, já que Rubens Barrichello, seu companheiro de equipe, também fez uma prova genial e venceu. Schumacher era hexacampeão.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.