Campeonato de pelada no Rio de Janeiro faz torcedores ignorarem o Brasileirão

Antes da bola rolar, jogadores e torcedores se misturam dentro e fora do campo

A cada rodada do Campeonato Brasileiro se discute os motivos pelo público cada vez menos presente nos estádios. Para alguns, a falta de estrutura de chegar aos jogos é o fator principal, enquanto outros veem nos alto valores dos ingressos um fator de expulsão, mas também há aqueles que consideram o modelo de disputa do Brasileirão pouco estimulante.

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Todos os fatores apresentados são verdadeiros, dada a inegável realidade dos estádios cada vez mais vazios. Ao mesmo tempo, torneios de peladeiros pelo Brasil reúnem públicos maiores que preferem competições próprias ao torneio organizado pela CBF. O Campeonato de Futebol do Parque Fluminense, bairro do município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, é mais um exemplo disso.

No último domingo (30), enquanto ocorria a penúltima e decisiva rodada do Campeonato Brasileiro, mais de 500 pessoas não davam a mínima para isso. Espalhadas ao redor de um campinho de terra batida (coisa rara hoje em dia), os moradores do Parque Fluminense e de suas adjacências desfrutavam a final do torneio entre Rondon e Fúria, vencida por este.

O Campeonato de Futebol do Parque Fluminense já acontece há mais de 20 anos, sendo organizado pelos moradores do bairro sob a coordenação de Seu Giba e da equipe do Rodo. Eles são os responsáveis pela criação do regulamento, que prevê a exclusão dos times que abandonam a competição, por exemplo, bem como de atletas que se envolvem em confusões.

As partidas acontecem aos domingos e vão desde o final do Carnaval até o início de dezembro. Ao todo, 9 equipes disputam a competição em um fórmula que garante emoção do início ao fim. Primeiramente, elas jogam entre si e os 3 melhores colocados se classificam para um quadrangular final. Depois, começa uma nova fase em que os 6 times restantes duelam pela última vaga. Os 4 melhores clubes se enfrentam em um quadrangular final, de onde saem os dois finalistas que, neste ano, foram Fúria e Rondon.

A fórmula pode parecer injusta, mas Seu Giba, de 59 anos de idade e há 32 morando ali, garante que só assim é possível manter o público atento, já que cada domingo é decisivo:

“Pontos corridos aqui não dá. O pessoal gosta de emoção e com mata-mata temos isso. Se não fosse assim, muito time não iria ter mais pelo que lutar e desistira de jogar, mas com final a galera  vem e faz essa festa que você está vendo aí”, afirmou o organizador.

nunesgabriel
Nunes (de boné), Beto Gabriel (de camisa vermelha) e Celso Pansera (de camisa azul) ajudam o campeonato a sobreviver todo ano.

Para quem olha para o evento é impossível não concordar com Seu Giba. Já houve domingo em que o Corpo de Bombeiros estimou mais de 2 mil pessoas presentes ao local. No último dia 30, por exemplo, o público passou de 500 pessoas, dentre elas Nunes, artilheiro e ídolo do Flamengo na década de 1980.

O sucesso do torneio é fruto do trabalho de moradores do bairro e de outras regiões de Duque de Caxias, como Beto Gabriel e Celso Pansera. Assim, há mais de duas décadas o Campeonato do Parque Fluminense vai sendo o único evento de lazer da região.

 

Fotos: Glauco Costa/Torcedores.com