Saiba como foi o dia da primeira eleição direta no Palmeiras

Palmeiras
Foto: Divulgação/Palmeiras

Resolvi não sair de casa tão cedo. Amigos me ligavam desde às 9h da manhã diretamente do clube, mas preferi chegar um pouco mais tarde, com calma. Estacionei o carro no banco próximo ao Palmeiras e vestido com a minha camiseta Fora Mustafá, fui descendo a Rua Turiassú.

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Comecei a perceber que os cabos eleitorais de Paulo Nobre eram tão desinformados, que diversos folhetos me foram oferecidos. E olha que o Fora Mustafá da camisa é gigante! Enfim, recusei todos.

Muitas, mas muitas pessoas, me parabenizaram assim que cheguei no clube. Um conselheiro, amigo meu, me guiou até a entrada do ginásio para votar. Ao chegar lá, meu amigo Degon, que seria diretor de futebol se Pescarmona ganhasse, me indicou a fila que deveria votar.

Entrei no ginásio, entreguei minha carteirinha de sócio e retirei a minha senha. Na hora de votar, uma verdadeira bagunça de cabines. Não se tinha qualquer privacidade na votação. Fiscais de Paulo Nobre passavam toda hora para verificar. Quando cheguei na urna, o outro voto, do sócio anterior, não tinha sido encerrado ainda. Enfim, coisas de Palmeiras.

A urna era coligada em um netbook que estava colhendo os dados. Eu, como eleitor, não senti qualquer segurança nessa situação. Ao sair, a senha com o código de barras recebeu um rabisco de canetinha para não ocorrer um segundo voto com a mesma senha.

Saindo do ginásio, fui até o bar do tênis conversar sobre a eleição e sobre o Palmeiras. Muitos eleitores do Pescarmona me falaram que, pela manhã, muita gente de Nobre foi votar e que o desânimo tomou conta do pessoal da campanha. Mas depois das 14h, muita gente da oposição votou e a campanha tomou corpo e esperança.

Mas a alegria durou pouco. Surgiu a informação de que Paulo Nobre desembolsou cerca de R$ 60 mil para deixar o título de alguns sócios inadimplentes em dia e, assim, aptos para voto. Talvez essa tenha sido a diferença que deu a vitória à ele.

Poucos antes do anúncio oficial, dentro do Palmeiras, eleitores da oposição já deixavam o clube. Teve alguns bate-bocas isolados, mas nada que caracterizasse agressão ou violência.

Pescarmona então surgiu, e o hino do Palmeiras foi entoado. Antes das 19h, Paulo Nobre saiu escondido do clube cercado por, pelo menos, 10 seguranças. Segundo informações não confirmadas e talvez não verídicas, Nobre buscou amigos na Polícia Civil para fazer sua segurança dentro do clube na hora das eleições. Um saiu escondido, pela porta dos fundos, outro saiu ovacionado, com a torcida, na porta da frente.

O que mais me surpreendeu nessas eleições foram algumas pessoas que brigavam contra Mustafá e Nobre e que apareceram com camisas e fazendo campanha para a situação. Digo sócios radicais mesmo, que criticavam ferrenhamente o atual presidente e seu padrinho político. A promessa de carteirinhas de diretor e manutenção dos “mimos” é algo que realmente define votos no clube. Até promessa de vagas de estacionamento trouxeram aliados para Paulo Nobre e Mustafá Contursi.

Enquanto isso, no Sul do Brasil, o time estava perdendo por 1 a 0 e acabou sendo derrotado por 3 a 1, deixando a decisão sofrível no ano do Centenário para a última rodada.



Thiago Gomes é Administrador de Empresas. Trabalha com estratégias digitais e consultoria de e-commerce. É palmeirense e um apreciador do futebol, tanto nacional quanto internacional. Escreve para site esportivo desde 1996.