F1 tem 2014 marcado por motores polêmicos e domínio da Mercedes

O ano de 2014 chegou cercado de expectativas no mundo da Fórmula 1 por causa do novo regulamento, que mudou os motores dos antigos V8 para os modelos V6 Turbo. Os carros da F1 também tiveram mudanças aerodinâmicas e as regras ganharam mudanças bizarras, como a pontuação dobrada na última corrida da temporada.

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O que se viu, porém, foi um domínio arrasador da Mercedes, como nunca se viu na história da categoria. Um fenômeno que superou em alguns números o predomínio da McLaren-Honda de Alain Prost e Ayrton Senna em 1988, até este ano o maior exemplo de temporada monopolizada. A emoção ficou por conta da briga interna entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pelo título. O alemão liderou a maior parte do campeonato, mas Hamilton ultrapassou na reta final e não perdeu mais a posição, caminhando firme rumo ao bicampeonato.

Hamilton e Rosberg protagonizaram toda a temporada, deixando apenas três vitórias para Daniel Ricciardo, da Red Bull-Renault. O australiano, que desbancou seu companheiro de equipe logo no primeiro ano no cockpit da equipe austríaca, conseguiu deixar a temporada menos “prateada”. Mas o desempenho foi suficiente para deixar o tetracampeão Sebastian Vettel pouco à vontade, e o alemão saiu do time para se juntar à Ferrari em 2015.

Em 1988, a McLaren só perdeu uma corrida, sendo ainda dona do melhor aproveitamento de temporadas, 93%. Mas, em número de dobradinhas, a Mercedes conseguiu superar o time Senna-Prost. Foram 11 ao longo do ano, contra 10 da equipe de Ron Dennis em 1988.

Os motores foram os maiores temas de polêmicas na temporada, sobretudo no começo do ano. Foi difícil fazer os fãs da Fórmula 1 se acostumarem – se é que se acostumaram – ao novo ruído dos carros, muito menor do que nos anos anteriores. Desde os primeiros vídeos que surgiram na internet com os motores V6 Turbo em ação, foi escancarado o descontentamento com as mudanças.

Até mesmo Bernie Ecclestone se manifestou de forma contrária quando esteve em um autódromo e presenciou o novo ronco das “unidades de potência”, nome adotado pela categoria para se referir ao sistema de motores e recuperação de energia.

Nos motores, o domínio da Mercedes enquanto montadora foi ainda mais visível. Pela segunda vez na história, apenas uma fornecedora fez 100% das poles positions de uma temporada.

A outra havia sido com a Ford, em 1969, quando apenas 11 corridas eram disputadas no calendário oficial anual. Desta vez, foram 19, sendo 18 da Mercedes e uma da Williams-Mercedes, faturada por Felipe Massa.

Na classificação geral de construtores, o bom desempenho de Ricciardo foi fundamental para que a Red Bull ficasse com o vice-campeonato, dando um respiro para os motores Renault na classificação. A grande surpresa, se levada em conta a situação dos anos anteriores, foi a vitória da Williams sobre a Ferrari.

Felipe Massa, que não teve seu contrato renovado após oito anos de Ferrari, se mudou para o time de Frank Williams e participou da vitória sobre sua ex-equipe. O brasileiro teve que lidar com um começo de temporada muito ruim, marcado por falta de sorte, como a batida sofrida logo na primeira curva do GP que abriu o ano, na Austrália, erros dele e da equipe, e de superioridade na pista do companheiro Valtteri Bottas.

Mesmo sem conseguir alcançar o finlandês na classificação, o brasileiro deu a volta por cima e até conseguiu um segundo lugar na última corrida do ano, nos Emirados Árabes, enchendo os torcedores de esperança por dias ainda melhores em 2015.

Na Ferrari, clima de total decepção com o desempenho e um ano cheio de problemas. A escuderia teve uma troca em seu comando no meio da temporada, com a saída do chefe Stefano Domenicali e a chegada de Marco Mattiacci, que não era ligado à Fórmula 1 e trabalhava com os negócios da montadora na América. No fim do ano, Mattiacci também deixou o cargo, sendo substituído por Maurizio Arrivabene para o ano que vem.

Fernando Alonso, que chegou a cinco temporadas sem o tão sonhado título na Ferrari, deixou a equipe e assinou com a McLaren. O time de Ron Dennis fez temporada discreta, mas chega a 2015 com a expectativa de melhorias com a volta da parceria com a Honda, montadora que impulsionou os carros da equipe na era de ouro de Ayrton Senna.

2014 chega ao fim como um ano de expectativas frustradas e pouca competitividade entre equipe, mas com a promessa de uma temporada melhor no ano que vem.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.