Kaká: O agregador que fará muita falta ao São Paulo

A liderança exercida por Rogério Ceni durante todos esses anos no São Paulo foi conquistada com todos os méritos e merece sempre ser exaltada. Porém, existem momentos no futebol onde o simples fato de contar com um grande líder pode não fazer com que um elenco, mesmo que contando com grandes peças, traga os resultados esperados. Por isso, a chegada de Kaká no meio do ano foi o elemento que faltava ao grupo.

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Muitos podem afirmar que isso não adiantou muito, já que o máximo que o time conseguiu foi garantir o vice-campeonato do Brasileirão e uma semi-final de Copa Sul-Americana. Olhando apenas para a questão de resultados, de maneira fria, foi exatamente isso que aconteceu. Mas quem disse que o futebol ou a montagem de uma equipe envolvem apenas números ?

A mudança na postura da equipe com relação as partidas em geral, um clima de maior descontração  no elenco (menos sisudo, mas sem perder a seriedade), um estilo de jogo mais leve fluído, tudo passando pela chegada (e pelos pés) de Kaká foram ganhos bem maiores do que apenas títulos.

A maturidade trazida pelo jogador eleito o melhor do mundo em 2007 quebrou a relação unilateral de liderança entre Rogério e o elenco. E não foi uma quebra negativa, com rachas e intrigas, mas exatamente o oposto: Tornando-a menos pesada, mais justa com relação a divisão das responsabilidades.

Na questão individual, sobre poder de decisão, pouco pode se falar de Kaká. Mas não pelo fato de ter atuado em poucos jogos ou por não ser efetivo, mas sim porque a sua entrega visando o bem do esquema tático simplesmente não permitiu que víssemos o clássico atleta de arrancadas estupendas ou jogando com total proximidade da grande área.

Os últimos seis meses mostraram um jogador que estava tanto no ataque como na defesa, além de atuar como o cadenciador do meio-campo. Por consequência, o camisa 8 fez crescer o futebol de duas importantes armas ofensivas do São Paulo: Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso.

Será uma missão ingrata para os dirigentes continuarem a sua procura por um substituto ao menos a altura de Kaká para o elenco em 2015. Com a mesmo identificação seria impossível, já que o único atleta semelhante (Lugano) já foi negado seguidas vezes pela Diretoria.

Ou seja, o perfil da busca seria, basicamente, achar um jogador que saiba “trazer” o grupo para si, se dedique ao máximo em campo, tenha a confiança de Muricy Ramalho e que caia nas graças da torcida.

Seja lá qual for o resultado dessa busca, provavelmente só saberemos no ano que vem. Mas uma coisa é certa: Kaká foi um agregador que fará muita falta.

Foto: Rubens Chiri

 



Jornalista formado em 2012 pela FIAM e que tem paixão por esportes, destacando-se Futebol, MMA, Basquete e Automobilismo. Foi editor e repórter do Universo dos Sports.