Opinião: O Inter deve dar mais uma chance ao problemático Fabrício em 2015?

Parecia o mesmo filme de outras tantas vezes: Fabrício nervoso, ameaçando partir pra cima do árbitro da partida, sendo seguro pelos companheiros de time, insandecido por, mais uma vez, ter sido expulso de maneira patética.

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É até possível concordar que esse último caso de expulsão envolvendo o lateral-esquerdo do Inter, Fabrício, tenha tido um quê de injustiça, afinal, o jogador foi instigado à entrar em uma confusão, depois de ter sido agredido pelo meia Bruno César, do Palmeiras.

No entanto, com um histórico “invejável” de duas expulsões no Brasileirão 2014, além de inúmeras ocasiões em que perdeu a cabeça por motivos fúteis e foi para o chuveiro mais cedo ao longo da carreira, Fabrício é o único jogador do Inter que não poderia mais se envolver em confusões.

Quando um sujeito fica marcado assim, por destemperos emocionais, ele se torna alvo fácil. O treinador do adversário orienta seus jogadores a tentar desestabilizá-lo, os juízes ficam sem paciência, o tribunal não aguenta mais ver seu nome na pauta de processos do dia.

Inicia-se um ciclo sem fim, na qual o enfezado é punido, justamente por ter se enfezado, e fica enfezado por ter sido punido por ter se enfezado. É complicado, mas é assim que funciona.

Luis Fabiano, atacante do São Paulo, sabe bem o que é isso há muito tempo. Desde sua primeira passagem pelo Tricolor, em 2001, até hoje, o jogador tem consciência de que é carta marcada em campo. Não apenas por ser um matador nato dentro da grande área, mas por ser fácil desequilibrá-lo emocionalmente.

Seja por uma falta não marcada ou por um gol perdido, Luis Fabiano perde as estribeiras. Gesticula de forma ostensiva, xinga muito. E entra naquele ciclo descrito dois parágrafos acima.

A diferença de Luis Fabiano para Fabrício, é que o camisa 9 do São Paulo é muito bom jogador. Quando quer jogar para valer, torna-se um cara indispensável. É um dos maiores artilheiros da história do clube. Já foi titular absoluto da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.

Fabrício, não. Na verdade, Fabrício não tem quase nenhum álibi a seu favor. Ele tem uma idade avançada para um jogador de futebol (27 anos), não obteve destaque em nenhum dos clubes pelos quais passou, nunca ganhou um grande título e o principal: não demonstrou, pelo menos até hoje, que seu futebol é indispensável para o Inter. Na verdade, a impressão que dá é que ele só joga por não ter outra opção melhor para o seu lugar.

Até que ponto o Inter, que voltará à Libertadores na próxima temporada, está disposto a dar mais uma chance a um jogador que o faz ficar com um a menos em campo com frequência? Até que ponto o clube, que tem obsessão em ser o maior das Américas, arriscará uma posição de seu elenco, dando uma nova oportunidade a um jogador sem controle emocional, justamente em uma competição onde tal “habilidade” é requisito básico?

Acho que a única chance de Fabrício é se Abel Braga se mantiver no comando. E mesmo assim, pensando em longo prazo, capaz de nem Abel Braga segurar de novo esse rojão. Sabe como é: homem-bomba, quando explode, não morre sozinho. Leva vários consigo.

Foto: Lucas Uebel  ⁄ Getty Images

 



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