Opinião: Se o Cruzeiro quiser se manter no topo, precisa vender também

De todas as frases prontas e clichês que se escuta no futebol, a mais repetida em um ambiente de sucesso é: “em que time que está ganhando, não se mexe”. Até concordo com essa máxima, porém, sou bastante cético quando o tal time começa a ganhar demais.

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Além de se tornar difícil administrar a vaidade de um elenco muito vencedor, fica praticamente impossível competir com propostas, geralmente milionárias, de clubes igualmente ricos, da Europa.

Não somente a questão financeira pesa para que atletas de times brasileiros de sucesso optem por trocar a tropicalidade do nosso país, pelo friozinho do Velho Mundo. Mas também, a competitividade nos gramados daquelas terras, incomparavelmente maior e mais benéfica a um atleta no longo prazo, apesar disto ser ainda um fator secundário.

O desmanche de equipes, cujo trabalho foi muito bem feito, diminuiu muito de uns tempos para cá no Brasil. No entanto, ainda acontece, por mais que saiam “apenas” as principais peças de um elenco vencedor.

O próximo alvo na mira dos euros será, certamente, o Cruzeiro. A equipe foi a melhor do país nos últimos dois anos, este é o primeiro ponto. Dois de seus titulares absolutos estiveram presentes nas primeiras convocações da seleção brasileira após o fiasco da Copa do Mundo.

Outros dois atletas também importantes, um titular, e o outro reserva, figuraram entre os nomes chamados para compor a seleção de base, em amistosos que visam preparar a equipe para representar o país nas Olimpíadas de 2016. Estes são fatores que compõem o segundo e mais contundente ponto.

Ainda que o gerente de futebol cruzeirense, Alexandre Mattos, tenha dado entrevistas logo depois da conquista do bi-campeonato Brasileiro pela Raposa, afirmando, com segurança, que o planejamento para o ano que vem já está pronto e que, pela política do clube, é mais fácil conseguir segurar grandes jogadores em seu plantel, a história nos mostra que, na prática, não é bem assim que funciona.

Em 2003, quando o mesmo Cruzeiro ganhou a Tríplice Coroa, nomes como Alex, Deivid, Luisão e Gomes não foram assegurados pelo clube por muito tempo depois do sucesso que conseguiram.

Tudo bem que agora, 11 anos depois, a economia mundial esteja em outros patamares e, nos últimos anos em especial, tenham acontecido mais casos de bons jogadores voltando para casa, ou tendo de esperar um pouco mais do que se imaginava para fazer os europeus tirarem o escorpião do bolso, do que o contrário.

Porém, o caso do Cruzeiro é diferente. 2014 foi o segundo ano seguido em que o time passeou pelos gramados brasileiros. O volante Lucas Silva, por exemplo, já tem uma proposta do Real Madrid pelo seu futebol, de acordo com notícias que um dos principais jornais espanhóis vem veiculando.

Ricardo Goulart, que deve ser eleito o melhor jogador do campeonato, Éverton Ribeiro, que conseguiu tal título em 2013, o lateral-direito Mayke, o zagueiro Léo, e até o jovem Alisson, podem ter o mesmo papel timbrado, com valores exorbitantes, saltando às suas vistas nos próximos dias.

Acho tolice acreditar que qualquer clube do país recusaria tanto dinheiro. Mesmo o Cruzeiro, que parece ter tanto, ao ponto de, na virada de 2013 para 2014, não apenas manter boa parte do time, como ainda contratar jogador que muita gente queria, caso do zagueiro Manoel, por exemplo.

Deve-se tanta grana por estas bandas, que o grande negócio ainda é vender o almoço, para pagar a janta. Por mais que antigamente fosse um prato de arroz com feijão, e agora seja uma lasanha à bolonhesa.

 

 



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...