Os erros de Levir Culpi no comando do Atlético-MG em 2014

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O torcedor do Atlético-MG não pode reclamar do que o destino o reservou neste 2014 que está próximo do fim. Apesar de o primeiro semestre não ter cumprido com as expectativas criadas, principalmente pela eliminação precoce na Libertadores, os seis meses finais do ano trouxeram emoções de sobra.

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Aliás, essa tal eliminação antes da hora na Libertadores foi o marco divisor de águas da estória que o clube mineiro vivenciou na temporada. Foi ali que Levir Culpi começou seu trabalho. E foi dali em diante que o planejamento do Atlético-MG para o ano passou a surtir efeito, mesmo que por linhas tortas.

Apesar de tudo, o treinador atleticano cometeu alguns equívocos ao longo da temporada e, por mais que ele tenha, no fim das contas, sentado na janelinha do bonde que pegou já em movimento, houve alguns tropeções até lá. São eles:

1 – Demora em forjar um sucessor para Ronaldinho Gaúcho

Se por um lado Levir Culpi teve uma postura correta ao cobrar de Ronaldinho Gaúcho mais comprometimento com o grupo, “forçando” o dentuço a colocar sua viola no saco e ir para o México, por outro, o treinador demorou um bocado para eleger alguém do elenco que suprisse a ausência da figura de líder.

Nem tanto pela liderança moral em si, uma vez que Réver, Leonardo Silva e Victor já cumpriam esse papel, mas uma liderança técnica também, alguém que fosse referência na hora de ter de tirar um coelho da cartola para resolver um jogo.

Diego Tardelli, depois de bons deslizes do time na temporada, acabou sendo o eleito e cumpriu com as expectativas. Mas nessa indecisão, foram um ou dois meses (e muitos pontos valiosos) jogados fora.

2 – Resistência com as contratações do pós-Copa

O próprio Levir Culpi declarou, em entrevista recente, que foi contra a contratação de Douglas Santos, o lateral-esquerdo que virou uma das principais peças do time na reta final da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

O jogador veio por empréstimo, junto à Udinese-ITA, e de fato, seu futebol era pouco conhecido por aqui. Junto à ele, inclusive, chegou o volante Rafael Carioca, também por empréstimo, mas do futebol russo. Esse foi um pouco mais bem recebido, porque na época, todos os outros volantes do elenco estavam machucados, mas não tinha um pingo de respaldo do técnico.

Os dois acabaram caindo muito bem no time e fizeram Levir Culpi queimar a língua.

3 –  Relutância em confiar no potencial de Luan

Hoje Luan é ídolo do Atlético-MG e considerado um dos jogadores-símbolo das várias reviravoltas que o Galo promoveu na Copa do Brasil, bem como da arrancada para o primeiro pelotão do Brasileirão. Mas até meados do nada longíquo outubro, a coisa não era bem assim.

Levir Culpi resistiu até onde pôde em promover Luan da condição de reserva de luxo, aquele que só entrava no jogo quando precisava indenciar o gramado, para um dos titulares mais absolutos do time, praticamente um intocável.

O treinador relutou muito em considerá-lo mais que um talismã – percepção que a torcida do Atlético-MG tinha, diga-se de passagem. Quando perdeu o medo e confiou no potencial de Luan, teve os momentos mais gloriosos da temporada. O camisa 27 do Galo provou que arriscar faz parte do jogo. Literalmente.

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