Opinião: Querido Papai Valdívia

Valdivia

Querido Papai Noel, que como reza a lenda, já foi verde e virou a casaca. Bota as mãos nas barbas e relembre seu passado alviverde. A cartinha a seguir, parece um conto de terror, mas, é a história do centenário do Palmeiras.

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Parece que a coroa da majestade anda um pouco capenga pros lados da Barra Funda.

Cá estamos nós, rumo à última rodada do campeonato brasileiro, com a pontinha dos dois pés na série B. Se soprar, cai.

Quem poderá nos defender?

O Valdívia Colorado! Ohh trocadilho infame. Mas, não pude perdoar. (só me resta o bom humor).

Bom, o nosso Valdívia, o original do Chile, já deu até entrevista dizendo que não se sente em débito com o torcedor, articulou bem as respostas na coletiva e até cadenciou números.

Como ele mesmo disse, chegou no clube em 2006 com um salário de 30 mil. E começa aí, em seu discurso, a convicção de que ele é “o cara”: “Nunca fiz um pedido de aumento de salário, mesmo sendo o melhor do time por três anos”.

Um clube tão acostumado a lançar ídolos, estabeleceu uma espécie de idolatria pelo recém chegado. Tanto que ele foi, mas voltou e por um bom conjunto de cifras. No retorno, com um discurso empolgante, estava rapidamente reafirmada a relação torcedor/ídolo: “Durante os dois anos em que fiquei fora, era só de cabeça, mas o coração ficou… Pretendo me tornar um ídolo igual ao Ademir da Guia e o Marcos, os dois maiores da história do Palmeiras. Eu amo o Palmeiras”.

Então… nem tudo são flores. Vieram cobranças, um time sem grandes pretensões, futebol mediano e o meia não conseguiu carregar o elenco disponível, nas costas.

Contudo, certos episódios colocaram em cheque esse tal “amor”. Expulsões um tanto quanto curiosas, negociação que não foi negociação, mas sim férias, com o Mickey, lesões no Brasil mas, não na seleção do Chile. E pra variar, o torcedor ficou com cara de Pateta.

Sem ter pra onde correr, claro, aceitamos de volta mais uma vez após a zebra com a contratação árabe, não só com os braços abertos mas, com a tabela do campeonato esticada na mesa, já fazendo contas.

De acordo com dados do torneio, o Palmeiras fez 36 partidas. Valdívia jogou 16, ficando no caso, outras 20 de fora. Sete por lesão. Seis pela seleção, duas vezes por suspensão e cinco vezes pela tal “venda” aos Emirados Árabes.

Com uma contrapartida tão baixa, era no mínimo para ser banco, não é?

Não, no Palmeiras. Não, na última rodada. Não, quando Allione e Bruno César estarão de fora. Não, quando se vem de cinco derrotas consecutivas. E principalmente, não quando o time perdeu 20, das 37 partidas disputadas.

Já tínhamos nos conformado em não pedir título na cartinha do Papai Noel, (ele dá presente, não milagres). Também já estávamos conformados em não pedir classificação na Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana. Não ser rebaixado, seria o mínimo, mas, hoje na caixa do correio, 16 milhões de torcedores, se limitam a pedir: Valdívia, joga domingo, mas joga com o ídolo que te pintamos, joga com o amor que depositamos sobre sua camisa, joga como os caras que você disse admirar! Joga como quiser, mas JOGA!.



Curiosa por natureza e jornalista de formação. Sou autora do livro Palmeiras - O Brasil de coração italiano. Escrever sempre foi um hobby e vender por meio da mensagem tornou-se profissão. Formada desde 2012, hoje me especializo em Comunicação de Marketing em Mídias Digitais.