UFC fecha 2014 com pior número de vendas desde 2005

Crédito da foto: Getty Images

O sonho de Dana White e da família Fertitta em transformar o UFC em um esporte maior que o futebol encontrou um obstáculo em 2014. O crescimento acelerado na última década – que colocou o Ultimate entre as 10 franquias mais valiosas do mundo -, fez o mandatário Dana White enfiar os pés pelas mãos neste ano. A organização administrada pela empresa Zuffa teve as piores vendas desde 2005, representando uma queda de 40% no faturamento total.

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De acordo com uma pesquisa realizada pela ESPN, o maior responsável pela queda foi a diminuição da venda de pay per view. Apenas 3.225.000 pacotes vendidos em 2014, número pequeno se comparado aos 6.075.000 de 2013 e quase 9 milhões de 2010. Um dos maiores motivos para o mau resultado é o número exagerado de eventos por ano.

Neste ano, 45 eventos e 503 lutas foram aconteceram, mas Dana White sentiu na pele que mais eventos não significa mais vendas. Em média, um evento foi realizado a cada três semanas. Mas o que o presidente do UFC não previu foi que a qualidade dos combates vale mais do que realizar diversas lutas sem apelo ao público.

Com o número elevado de eventos, muitos lutadores desconhecidos – que não rendem venda de pay per view – surgiram para o Ultimate, mas a maioria deles não vingou. O público quer ver eventos com no mínimo quatro ou cinco lutas boas. Em 2014, aconteceram apenas 15 disputas de cinturão em 45 eventos. A disputa do título também impulsiona a venda das lutas porque o espectador quer ver sempre os melhores em ação.

Outro fator que prejudicou Dana White foi o excesso de lesões. Anderson Silva, GSP, José Aldo e Renan Barão foram alguns dos que sofreram com alguma contusão. E com os eventos inchados, os grandes astros são pressionados a entrarem no octógono mais vezes, ocasionando mais contusões.

A falta de falastrões – aqueles lutadores que instigam e provocam os adversário – também atrapalha a venda dos pay per views. O estilo Chael Sonnen de promover as suas lutas está sumindo do mapa e levando junto o interesse dos fãs do MMA. Para solucionar esse problema, Dana White trouxe Rampage Jackson e Brock Lesnar de volta ao UFC: dois sucessos na venda de PPV. Outra contratação para 2015 foi CM Punk, astro do WWE, principal evento de luta combinada nos EUA.

Além de promoverem suas lutas de forma polêmica, estes lutadores sabem dar show para o público. Eles vão para cima do adversário a qualquer custo, na tentativa de finalizar a luta de forma brutal. O interesse no UFC diminuiu também pela chatice das lutas. Dana e seus organizadores estão dando muito valor ao Wrestling (luta agarrada) e esse estilo não empolga tanto os fãs da franquia. Muitos fanáticos por MMA pedem a volta do Pride, que era um evento mais agressivo e mais ativo do que o UFC.

A verdade é que o UFC perdeu um pouco do brilho neste ano. Esperamos que 2015 seja melhor para os lutadores e para nós, meros espectadores.



Jornalista esportivo!