Grafite relembra dia em que salvou o Corinthians: “fiz o meu trabalho”

Divulgação/Vipcomm

Aos 35 anos, o atacante Grafite consolidou a sua carreira no Ah-Ahli, do Emirados Árabes, e não pensa em retornar ao Brasil, apesar das várias propostas que ele recebe constantemente dos clubes brasileiros.

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Os colaboradores Thiago Jacintho, Rafael Alaby e Glauco Costa fizeram perguntas para o atacante do Al-Ahli, que falou sobre diversos assuntos de sua carreira. Grafite não se furtou de abordar até o Paulistão de 2005, quando ele defendia as cores do São Paulo e marcou os gols contra o Juventus que salvaram o arquirrival Corinthians do rebaixamento para a segunda divisão do Estadual. “Fiz apenas o meu trabalho naquela partida”, relembrou.

Confira a entrevista exclusiva de Grafite ao Torcedores.com:

Torcedores.com: Como viu a goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo? Concorda com a tese de que o país está bem atrasado em relação aos grandes centros da Europa? De quem foi a culpa pela derrota humilhante?
Grafite: Foi um jogo atípico e infelizmente aconteceu numa semifinal de mundial aonde nos estávamos sediando o torneio. Uma pena mesmo! Mas, a Alemanha jogou bem melhor e mereceu ir a final da Copa. Em relação aos questionamentos que aconteceram depois da Copa, acho normal. Claro que se tem muita coisa a melhorar em termos estruturais do nosso futebol. Sabemos que sempre vamos ter grandes jogadores sendo revelados, mas como mante-los em nosso pais e melhorar a qualidade do campeonato entre outros é algo a ser pensado e revisado.

Torcedores.com: Em 2005, atuando pelo São Paulo, você foi vítima de ofensas racistas vindas do argentino Desábato, do Quilmes. Recentemente vários casos de racismo voltaram a pipocar no futebol. Tem esperanças de que algum dia não ouviremos mais coisas desse tipo?
Grafite: Espero que sim. Fico triste que essas coisas ainda acontecem na nossa sociedade.

Torcedores.com: 2014 foi um ano histórico no futebol brasileiro: o Grêmio foi severamente punido devido aos atos de racismo cometidos por parte de seus torcedores contra o goleiro Aranha, do Santos. Você, que foi vítima do mesmo crime, acredita que o racismo no futebol brasileiro está à caminho de ser coibido de uma vez por todas?
Grafite: O que acontece num estadio de futebol é apenas uma reflexão da nossa sociedade. Apenas a educação pode mostrar as pessoas que o racismo na nossa sociedade, e consequentemente no futebol, não deveria de existir.

Torcedores.com: Você atuou no futebol brasileiro, sul-coreano, francês, alemão e dos Emirados Árabes. Em algum desses lugares, com a exceção do caso do Desábato, você sofreu discriminação racial? De que maneira você acha que o futebol lida com essa situação?
Grafite: Não, em nenhum lugar sofri discriminação. É uma pena que isso ainda acontece não só no futebol, mas na sociedade em geral. Não existe lugar para o racismo. Somos todos iguais e as pessoas deveria respeitar e valorizar as diferenças de cada um.

Torcedores.com: Sua convocação para a Copa do Mundo de 2010 foi a surpresa da lista de Dunga. A decisão de Dunga em levá-lo foi surpresa para você? Alguém, no jogo contra a Irlanda (último amistoso antes da lista final), o alertou sobre essa possibilidade?
Grafite: Eu estava no meu melhor momento no futebol. Acho que a convocação foi merecida por tudo que eu estava fazendo naquele momento e pelo que conquistei. Portanto, a decisão de Dunga não foi surpresa. Fiquei muito feliz que ele me deu essa confiança de poder ajudar o nosso país numa Copa do Mundo.

Torcedores.com: Você foi convocado para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, mas não teve uma chance sequer de jogar. Acredita que foi injustiçado, uma vez que vivia na época, talvez, a fase mais brilhante da sua carreira?
Grafite:
A seleção era muito boa. Tínhamos bons atacantes e fiquei feliz de fazer parte da seleção. Infelizmente contra a Holanda não conseguimos vencer, pois estávamos bem no jogo e com tudo para passar adiante. Claro que todo jogador quer estar sempre jogando, mas fazer parte de um grupo de Copa do Mundo vestindo as cores do meu país foi uma honra e algo que nunca vou esquecer.

Torcedores.com: Você foi companheiro de ataque de Diego Tardelli no São Paulo em 2004 e 2005. Diego Tardelli, no entanto, parece que conseguiu produzir o melhor de seu futebol apenas agora, em 2014, praticamente dez anos depois de ter sido lançado no futebol. Quais fatores você considera serem os mais importantes para que um jogador de futebol consiga desenvolver e mostrar todo o seu potencial?
Grafite:
Diego é um grande jogador e teve sucesso aonde passou. Mas no futebol, o sucesso só é medido por títulos. Ele conseguiu títulos importantes pelo Galo e por isso que você está fazendo essa pergunta. Eu acho que ele vem jogando em alto nível, mas encaixar num time que esta certo e que consegue ter muito sucesso não é sempre. Nesses dois últimos anos o Galo foi bem, conquistou títulos e o Diego foi importante para essas conquistas.

Torcedores.com: Desde 2010 seu nome é especulado no Vasco da Gama como um grande reforço para ser contratado, contudo, isso nunca aconteceu. Alguém do Vasco nestes últimos anos entrou em contato com você?
Grafite:
Sempre tem sondagem e especulação em todas as janelas de transferências de times do Brasil. Eu estou muito feliz com a minha família aqui e por isso que não retornei ao Brasil.

Torcedores.com: Você ficou marcado por ter feito os gols pelo São Paulo que salvaram o Corinthians de cair para a segunda divisão. O quanto esse jogo marcou a sua carreira? São-paulinos e corintianos ainda falam disso com você?
Grafite:
Acho que vai sempre ter torcedor falando desse jogo. Como jogador, entramos em campo sempre para dar vitória ao nosso time. Nunca pensamos em ajudar ou não o adversário. Portanto, fiz apenas o meu trabalho naquela partida. Se ajudou o Corinthians, legal para eles. Mas a minha preocupação sempre foi em ajudar o meu time a sair vencedor dos jogos que disputei e disputo.

Crédito da foto: Divulgação/Vipcomm



Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com