Argentina sub-20 bate recordes e manteve desde a sub-15 três vezes mais jogadores que o Brasil

AFA Media Department

Chamar de histórica a campanha argentina no Sul-Americano Sub-20 deste ano não é exagero. Além de acabar com o jejum de 12 anos sem título na categoria, a alviceleste quebrou marcas expressivas na história da competição. Parte considerável do sucesso da campeã vem do entrosamento e da manutenção de suas promessas, bem diferente do Brasil de Alexandre Gallo.

A seleção argentina foi, de fato, a única a se desgarrar do nivelamento das outras seleções. Bem organizada num 3-5-2 – que variava para um 3-4-3, fez atuações seguras e precisas, e jogava como se fosse consciente de sua superioridade e que, a qualquer momento, daria o bote e venceria o jogo. Gradativamente, o time mostrou ser o mais encorpado ao título.

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O feito que não ocorria desde 2003 veio com certa naturalidade, e técnica e individualmente o time também se destacou nos gramados uruguaios. Maioria na seleção dos melhores – além de ter o MVP Correa, os comandados de Humberto Grondona agora encabeçam, as estatísticas de todos os tempos da competição.

A marca de 24 gols em nove partidas (média de 3,00 por partida), mais positiva do torneio, faz da Argentina sub-20 de 2015 o ataque mais positivo e a melhor média de gols dentre todos os campeões da história do torneio, como mostra tabela abaixo. Os números são bastante superiores, inclusive, aos da campanha vencedora de 1999 – foram 21 gols nos mesmos nove jogos e 2,33 de média.

Ano: Campeão: GP: GC: SG: JG: Média:
2015 ARG 24 7 17 9 3,00
2011 BRA 24 7 17 9 3,00
1999 ARG 21 3 18 9 2,33
2001 BRA 21 6 15 9 2,33
2005 COL 20 6 14 9 2,22
2007 BRA 20 10 10 9 2,22
1974 BRA 18 3 15 6 3,00
1997 ARG 18 7 9 9 2,00
1995 BRA 17 4 13 6 2,83
10º 1981 URU 17 8 9 6 2,83
11º 2009 BRA 17 9 8 9 1,89
12º 1983 BRA 16 3 13 7 2,28
13º 2013 COL 16 8 8 9 1,78
14º 1991 BRA 15 5 10 7 2,14
15º 2003 ARG 15 5 10 9 1,67
16º 1988 BRA 14 2 12 7 2,00
17º 1954 URU 14 4 10 8 1,75
18º 1958 URU 13 9 4 5 2,60
19º 1979 URU 12 1 11 6 2,00
20º 1977 URU 11 2 9 7 1,57
21º 1987 COL 11 2 9 7 1,57
22º 1985 BRA 11 3 8 7 1,57
23º 1971 PAR 10 4 6 5 2,00
24º 1967 ARG 9 7 2 5 1,80
25º 1975 URU 9 3 6 6 1,50
26º 1964 URU 8 5 3 6 1,33
27º 1992 BRA 7 0 7 6 1,17

No saldo de gols, Correa, Simeone e cia também ficam bem ranqueados. Na segunda posição, com 17, somente um atrás justamente da Alviceleste de 99. Porém, tanto no total de gols quanto no saldo e também na média, ficam bem à frente, dos outros três esquadrões vencedores do certame continental – 1997 (18 gols, 9 de saldo e 2,00 de média), 2003 (15, 9 e 1,67) e 1967 (9, 5 e 1,80, respectivamente).

Também com 3,00 gols de média, o Brasil-74 de Pitta, Mauro e…Muricy Ramalho. Já o campeão com a defesa menos vazada segue sendo o Brasil de 1992, treinado por Júlio César Leal, que tinha nomes como Fábio Noronha, no gol, e dupla de zaga com Gélson Baresi e Juarez – Argel era suplente. Foi o único vitorioso a não sofrer gols.

Dividindo o primeiro lugar da lista com os argentinos, o histórico Brasil-2011 foi igualado impecavelmente, também, no aproveitamento. O time de Neymar, Lucas Moura e Oscar, que encantou quatro anos atrás no Peru, teve as idênticas sete vitórias, um empate e uma derrota da campeã atual. Assim, ambos têm a 10ª campanha de todos os tempos, com 81,49% de aproveitamento. Veja o ranking completo de todas as edições:

Ano: Campeão: Ap: % J: V: E: D:
1983 BRA 90,48% 7 6 1 0
1985 BRA 90,48% 7 6 1 0
1999 ARG 88,89% 9 8 0 1
1974 BRA 88,89% 6 5 1 0
1979 URU 88,89% 6 5 1 0
1981 URU 88,89% 6 5 1 0
1992 BRA 88,89% 6 5 1 0
2005 COL 85,19% 9 7 2 0
1995 BRA 83,34% 6 5 0 1
10º 2015 ARG 81,49% 9 7 1 1
11º 2011 BRA 81,49% 9 7 1 1
12º 2007 BRA 77,78% 9 6 3 0
13º 1954 URU 77,78% 8 4 2 0
14º 1988 BRA 76,20% 7 5 1 1
15º 2001 BRA 74,08% 9 6 2 1
16º 2003 ARG 74,08% 9 6 2 1
17º 1971 PAR 73,34% 5 3 2 0
18º 1964 URU 72,23% 6 4 1 1
19º 1991 BRA 71,43% 7 4 3 0
20º 1977 URU 71,43% 7 4 3 0
21º 2009 BRA 70,37% 9 6 1 2
22º 1997 ARG 66,67% 9 5 3 1
23º 2013 COL 66,67% 9 6 0 3
24º 1975 URU 66,67% 6 3 3 0
25º 1987 COL 61,90% 7 4 1 2
26º 1958 URU 60% 5 2 3 0
27º 1967 ARG 53,34% 5 2 2

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Argentina lidera manutenção dos talentos; Brasil é o 7º

É na sub-20, somente, que o trabalho de planejamento de continuidade e de integração entre as categorias nas federações é exposto. Um dos principais segredos para a boa mecânica argentina é revelado ao observar o retrospecto de parte do elenco, que carrega um entrosamento de quatro anos. Sete dos 23 convocados estiveram também no Uruguai no torneio sub-15. Dirigidos por Miguel Ángel Lemme, Batalla, Driussi, Lesczczuk, Mammana, Suárez, Tripicchio e Vega ficaram somente na terceira posição.

Já comandada por Humberto Grondona, ganhou o Sul-Americano Sub-17, em casa, dois anos depois. Na lista, os sete foram mantidos e, com a companhia de Compagnucci e Léo Suárez, voltaram ao Uruguai para triunfar neste ano. Segunda colocada no sub-20 e classificada à repescagem dos Jogos Olímpicos, a Colômbia superou a péssima nona colocação nos juvenis, e apostou nos jogadores vice-campeões de quatro anos atrás.  A comparação com o Brasil de Alexandre Gallo, neste quesito, mostra diferença brutal.

Mesmo campeão em 2011, o Brasil trouxe do grupo de Marquinhos Santos somente Marcos e Kenedy, menos de um terço do número argentino. Da equipe sub-17 segunda colocada na Argentina, já com Gallo no comando, o treinador preservou sete. Confira os jogadores que cada seleção sub-20 utilizou também nos torneios continentais sub-15 e sub-17:

País: Sub-15: Quem permaneceu: Sub-17: Quem permaneceu:
ARG 7 Batalla, Driussi, Lesczczuk, Mammana, Suárez, Tripicchio e Vega. 9 Batalla, Compagnucci, Driussi, Lesczczuk, Mammana, Moreira, Suárez, Tripicchio e Vega.
COL 6 Angulo, Castrillón, Joao Rodríguez, Rovira, Sánchez e Tello. 8 Angulo, Castrillón, Joao, Morelos, Rovira, Sánchez, Tello e Vásquez.
BOL 5 Alcantara, Baldomar, Flores, Javier Rojas e Saavedra. 8 Algarañaz, Alcantara, Baldomar, Bejarano, Candía, Flores e Virreira.
PER 4 Beto da Silva, Duclós, Garcés e Paucar. 7 Abram, Beto, Duclós, González Virgil, Paucar, Ugarriza e Zurek.
CHL 4 Carvallo, Matías Ramírez, Miguel Vargas e Vegas. 5 Carvallo, Díaz, Matías R., Miguel Vargas e Vegas.
PAR 3 Benítez, José Sanabria e Mereles. 7 Benítez, Cañete, Echagüe, J. Sanabria, Medina, Mereles e Tonny
BRA 2 Kenedy e Marcos. 6 Auro, Eduardo B.,, Kenedy, Léo Pereira, Marcos e Thiago Maia.
VEN 3 Díaz, Marrufo e Ponce 5 Díaz, Marrufo, Peñaranda, Ponce e Velásquez.
EQU 2 Méndez e Xavi Cevallos. 5 Intriago, Xavi Cevallos, Méndez, Recalde e Realpe.
URU 1 Thiago Cardozo. 6 Acosta, T. Cardozo, Etcheverry, Faber, Pizzichillo e Suárez.

Acrescentar os melhores e de potenciais devidamente diagnosticados no deságue à sub-20 deve ser o final de um processo de captação desenvolvimento dos nascidos em ano par nas competições Conmebol e FIFA, bienais, mas pelo monitoramento dos expoentes de anos ímpares. Independente do número de atletas de potencial a surgir periodicamente no país, o sucesso da Argentina em 2015 ratifica essa importância.



Jornalista formado pela Fiam-Faam (2016), começou a acompanhar futebol de base a partir de 2007. Colaborou para o site Olheiros.net, foi setorista do Jornal Guarulhos Hoje e trabalhou na Press FC Assessoria e na Revista Palmeiras. Escreve para o Torcedores.com desde 2015.