As estatísticas, o craque e a seleção dos melhores do Sul-Americano Sub-20

Brasil

A 27ª edição do Sul-Americano Sub-20 chegou ao fim. Em jogo decisivo, a Argentina venceu o Uruguai, por 2 a 1, e ficou com o título após 12 anos de jejum. Além de selar a quinta conquista alviceleste na categoria, o gol de Correa, aos 36 do segundo tempo, coroou o melhor jogador do torneio e tirou a vaga olímpica das mãos dos donos da casa, em pleno Estádio Centenário.

Com um Brasil enfraquecido taticamente e sem brilho, a Argentina dominou o favoritismo na competição e, com uma equipe bem postada, proporcionou que o talento de seus principais jogadores aparecesse. Como resultado, o ataque mais positivo, com 24 gols em nove jogos, número bem acima de Uruguai, com 15, Brasil, 13, Colômbia, 12, e Peru, com 11.

Autor de nove desses 24 gols, Giovanni Simeone foi o principal artilheiro do Sul-Americano. O ótimo Gastón Pereiro (URU), anotou cinco, um a mais que o compatriota Franco Acosta – goleador do Sub-17, dois anos atrás, José Cevallos (EQU), Jeison Lucumí (COL), Alex Succar (PER), Marcos Guilherme (BRA) e o closing player Ángel Correa (ARG).

Concorrentes à vaga para a repescagem, Colômbia e Uruguai tiveram a segurança defensiva como ponto forte para chegar longe. Com cinco gols nas nove partidas, ambos tiveram a menor média de tentos sofridos: 0,56. A campeã Argentina, que sofreu sete, teve 0,78. O Brasil, novamente, não se destacou: média de 1,0 – nove gols em nove jogos.

Ao todo, as redes foram balançadas 99 vezes durante a edição de 2015, média de 2,83 gols a cada partida. Se comparados aos Sul-Americanos Sub-20 de toda a história, os números do exemplar deste ano são apenas razoáveis: apenas a 16ª média dentre os 27 certames já disputados, como mostra tabela abaixo.

Edição: Média: Total de Gols: Partidas:
1958 4,53 68 15
1983 3,65 95 26
1991 3,54 92 26
2005 3,34 117 35
1954 3,32 63 19
1997 3,23 113 35
1999 3,23 113 35
1981 3,18 70 22
1987 3,18 70 22
10º 1967 3,00 60 20
11º 2003 2,97 104 35
12º 2007 2,89 101 35
2009 2,89 101 35
14º 1979 2,87 66 23
15º 2013 2,86 100 35
16º 2015 2,83 99 35
17º 1995 2,77 61 22
18º 1971 2,74 52 19
19º 2011 2,69 94 35
20º 2001 2,57 90 35
21º 1974 2,55 51 20
22º 1985 2,54 66 26
23º 1977 2,45 54 22
24º 1988 2,42 75 31
25º 1975 2,18 35 16
26º 1964 1,90 40 21
27º 1992 1,77 32 18

É de 1958 a melhor média da história até o momento, mas, bem alta, será difícil de ser alcançada. O torneio que marcou o bicampeonato uruguaio júnior teve 68 gols em 15 jogos (4,53), na ocasião, era ainda sub-19 e não contava com os 10 países do continente – a Bolívia, por exemplo, só veio a participar em 1971.

Em 13 oportunidades o Sul-Americano pôde contar com todas as seleções – 83, 85, 91 e de 97 em diante, período de 18 anos também que mantém o formato atual com hexagonal final e 35 jogos. Mesmo dentre as 10 edições com a mesma fórmula, 2015 fica apenas com a sétima média de gols, número que atesta a pouca disparidade técnica apresentada entre as seleções no torneio.

OS PIORES
Se de modo literal a Venezuela foi a seleção que sofreu menos gols no torneio continental – foram quatro, mas com 1,25 de média, a Vinotinto marcou apenas um. Bolívia, com dois, e Chile, com quatro, também foram péssimas no setor ofensivo. As defesas mais vazadas foram as da Bolívia (13 vezes e 3,25 de média), do Chile (11 vezes e 2,75) e do Peru (21 vezes e 2,67).

AS VAGAS
A Argentina garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de 2016, para qual o Brasil já está garantido por ser país sede. A Colômbia, com o segundo lugar, disputará repescagem contra seleção da CONCACAF para ir ao evento pela quinta vez em sua história. Além dos dois, Brasil e Uruguai estarão no Mundial Sub-20, da Nova Zelândia, neste ano. Ambos últimos, junto a Peru e Paraguai, também tem vaga no Pan de Toronto, também em 2015.

A DECEPÇÃO
O modo de jogo dos comandados de Alexandre Gallo decepcionou e irritou os brasileiros, é verdade. Mas o Paraguai foi, sem dúvidas, a grande decepção do torneio. Do futebol mais vistoso na primeira fase a saco de pancadas no hexagonal, os albirrojos não foram ao Mundial, muito por conta das atuações apagadas de Tonny Sanabria, principal jogador do time, que passou em branco no Sul-Americano e foi a decepção individual.

OS CAÇULAS
A categoria sub-20 é a única na base que privilegia os nascidos em ano ímpar. O indicativo serve, também, para observar seleções que usam dos mais velhos e desenvolvidos fisicamente para priorizar o resultado. De forma oposta, Paraguai, Brasil e Bolívia levaram ao Uruguai em 2015 os planteis mais jovens. A média de idade, no entanto, nem sempre simboliza o nível de maturação dos atletas.

Na ‘Média 2’ mostrada abaixo, foram divididos conforme o ano de nascimento, critério usado na base para classificar os jogadores em categorias. Neste caso, o Brasil destaca-se por ser o país com menor número da safra 95. Vale lembrar que os nascidos em 1998 são elegíveis, ainda, para o Sul-Americano Sub-17 deste ano, e, junto aos 97, poderão jogar o próximo Sub-20, em 2017. Dentre eles, destaque para Gérson (BRA) e Medina (PAR).

País Média: Média 2: /95: /96: /97: /98:
PAR 18,84 19,30 12 7 3 1
BRA 19,00 19,26 10 9 4
BOL 19,03 19,26 11 9 1 2
CHL 19,19 19,43 14 7 2
EQU 19,28 19,52 15 6 1 1
URU 19,30 19,56 15 6 2
COL 19,32 19,61 14 9
PER 19,34 19,52 14 7 2
ARG 19,38 19,56 13 10
VEN 19,46 19,61 16 5 2

O CRAQUE

Ángel Correa, 19 anos – 1995 (ARG, Atlético de Madrid/ESP)

Não somente o título esteve em jogo no embate entre Argentina e Uruguai. Em campo, o duelo entre Pereiro e Ángel Correa definiria, também, quem seria o MVP. Destaque da Libertadores 2014, Correa superou um problema cardíaco, em junho, e meses depois, é agora o melhor jogador do Sul-Americano Sub-20 2015. Técnico, audacioso e decisivo, a promessa provou que, muito em breve, poderá ser protagonista em Madri.

Confira os outros dez jogadores que, junto ao MVP, foram a lista dos XI melhores do Sul-Americano Sub-20 do Uruguai:

Goleiro: Gaston Guruceaga, 19 anos – 1995 (Uruguai)
Seguro e de ótimo reflexo, o goleiro do Peñarol orienta a defesa e se impõe debaixo das traves, mostrando mais potencial que o antecessor Cubero.

Lateral-direito: Leonardo Rolón, 20 anos – 1995 (Argentina)
Válvula de escape pela direita na campeã com muita velocidade, Rolón é titular do Vélez Sarsfield e provou ser melhor que seu badalado irmão, Maxi.

Zagueiro: Davinson Sánchez, 18 anos – 1996 (Colômbia)
Jogador de muito vigor físico e velocidade, tem biotipo parecido com o de Jherson Vergada, campeão em 2013 com os cafeteiros e hoje no Milan.

Zagueiro: Paolo Lemos, 19 anos – 1995 (Uruguai)
Leve, técnico, tranquilo e com velocidade fora do comum para a posição. Lemos faz lembrar Miranda, parceiro de seu compatriota Gódin no Atleti. Não deve ficar muito tempo no Defensor.

Lateral-esquerdo: Jeison Angulo, 18 anos – 1996 (Colômbia)
Sem atuações exuberantes, destacou-se pela regularidade e segurança no lado esquerdo da defesa. Alto e rápido, é titular do Deportivo Cali.

Volante: Andrés Tello, 18 anos – 1996 (Colômbia)
Recém emprestado pelo Envigado à Juventus-ITA, Tello pode, sem exagero, ser considerado o principal jogador da seleção. Marca bem e é preciso nas coberturas.

Volante: Mauro Arambarri, 19 anos – 1995 (Uruguai)
Outro jogador do Defensor, Arambarri mostrou bom posicionamento e chegada à frente como elemento surpresa. Dinâmico, fez três gols.

Meia: Tomás Martínez, 19 anos – 1995 (Argentina)
Destaque da Argentina na primeira fase, o meia do River caiu de rendimento no hexagonal, mas foi importante para o título. Todas as jogadas de perigo passaram por seus pés.

Meia: Gastón Pereiro, 19 anos – 1995 (Uruguai)
Segundo melhor jogador do torneio e decisivo nos jogos importantes, Pereiro confirmou as expectativas sobre ele. Elegante, deve ter futuro promissor na Celeste.

Atacante: Giovanni Simeone, 19 anos – 1995 (Argentina)
Se antes do Sul-Americano Giovanni causava desconfiança pelo pai famoso, no torneio afirmou que tem futebol pra seguir carreira solo de sucesso. É oportunista e tem boa mobilidade.

Time de ‘reservas’:
Batalla (96, ARG); Cotugno (95, URU), Cabaco (95, URU), Cañete (95, PAR) e Cardozo (95, ARG); Guachire (95, PAR), José Cevallos (95, QUE), Lucumí (95, COL) e Marcos Guilherme (95, BRA); Deinner Quiñónez (95,COL) e Succar (95, PER).



Jornalista formado pela Fiam-Faam (2016), começou a acompanhar futebol de base a partir de 2007. Colaborou para o site Olheiros.net, foi setorista do Jornal Guarulhos Hoje e trabalhou na Press FC Assessoria e na Revista Palmeiras. Escreve para o Torcedores.com desde 2015.