Opinião: A Babilônia de Neymar

Brasil x Japão - Neymar

No amistoso diante do Chile, Neymar aplicou um chapéu em Gonzalez, aos 45 do segundo tempo, que me trouxe a límpida convicção de que, pro craque brasileiro, o campo é a réplica perfeita dos Jardins Suspensos da Babilônia. Quando o nosso 10 põe os pés na planície retangular do gramado, a paisagem é a de uma das sete maravilhas do mundo antigo do futebol. É o resgate de uma arquitetônica arte do esporte que, atualmente, parece escondida em ruínas.

Na boa e na bola, Neymar lembra mesmo Nabucodonosor, o rei mesopotâmico dos elevadiços jardins. A Babilônia, aliás, foi uma cidade considerada muito avançada para a sua época, especialmente porque seus moradores tinham habilidades acima da média. Para uns, a tradução literal de “porta de Deus”; para outros, sinônimo de “grande confusão”.

Caros amigos, aí está a relação de DNAs entre Neymar, Nabuco e as belezas da Babilônia. É algo mesmo fílmico, novelesco, o “muleque” bom de bola enlouquece os marcadores, provoca o caos, ao ponto de os defensores não saberem ao certo o que é ficção e o que é realidade…

A expressão do chileno depois do lençol foi de dar dó. É tudo tão natural pra Neymar, que ele parecia se dar ao luxo de chupar um cacho de uvas, enquanto dava aquele extraordinário “balão”. Ao olhar pro alto, pra procurar o “caroço”, o já confuso Gonzalez viu mesmo a “porta de Deus”. Divina categoria…

O gol do jovem Firmino, aos 27 da etapa final, foi belíssimo, mas reparem como a zaga chilena fica confusa e estremecida com a presença de Neymar do outro lado. Resultado: o companheiro ficou livre pra irrigar o gol com os encantos das águas do Rio Eufrates.

Essa é a Babilônia de Neymar, essa é a bola de Babele, esse é o talento que realmente faz a história do futebol…



Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente é professor do Departamento de Televisão e Rádio da mesma faculdade.