Opinião: O futebol brasileiro carece de identidade

Futebol

Desde o fatídico 7×1 contra a Alemanha, diversas foram as teorias sobre a decadência do futebol brasileiro: falta de investimentos nas categorias de base, desqualificação de nossos treinadores, indisciplina e instabilidade emocional dos brasileiros e diversos outros motivos foram citados para tentar explicar o fracasso homérico ocorrido no Mineirão.

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Opinião: a qualidade do futebol brasileiro caiu

Uma explicação para a queda na qualidade e na atratividade do futebol brasileiro pode ser encontrada em uma infeliz frase do ex-presidente do Corinthians, Mário Gobbi, que na época era diretor de futebol do clube: “Futebol é business”. Concordo em gênero, número e grau com a frase. Discordo completamente com o contexto em que foi utilizada: Gobbi a utilizou para explicar a venda de André Santos, Cristian e Douglas, três dos principais jogadores que ajudaram o Corinthians a vencer o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil em 2009.

O “business” é muito mais do que arrecadar cifras, é você fortalecer a “marca” (clubes, campeonatos) e o “produto” em si (no caso, o futebol brasileiro como um todo). Na questão da “marca”, a rivalidade entre os clubes faz com que este aspecto seja melhor trabalhado em casos pontuais, como o recente crescimento exponencial do programa de sócio-torcedor do Palmeiras, que fez com que o Corinthians também voltasse a investir nesse tipo de iniciativa. Mas a “marca” dos nossos campeonatos e o “produto” futebol não vem sendo trabalhados adequadamente.

E é muito fácil verificar o quanto estamos atrás de outros países na construção de uma “marca”: o número de fãs no Facebook de alguns campeonatos nacionais pode ser um bom indicador da influência que estes tem no cenário do futebol mundial. 

A Premier League (Inglaterra; 29,3 milhões de fãs) e a Liga BBVA (Espanha; 16 milhões) são, de longe, os campeonatos nacionais com maior número de seguidores. Mas a Serie A (Itália; 3 milhões) e a Bundesliga (Alemanha; 2,5 milhões) também apresentam bom número de fãs. Surpreendente mesmo é a MLS (Estados Unidos; 1,5 milhões) que apresenta praticamente o mesmo número de seguidores da Ligue 1 da França.

E quanto ao Campeonato Brasileiro? Simplesmente, não há uma página no Facebook, nenhum site, nada. A única forma de divulgação do nosso campeonato nacional é pela tão criticada Rede Globo, que apesar de não ceder em temas importantes como o horário dos jogos, é a única entidade que tenta valorizar um pouco o campeonato, o que deveria ser preocupação dos organizadores (no caso, a CBF em conjunto com os clubes).

Há na página da CBF no Facebook (com 8 milhões de fãs, mas há o efeito “Copa do Mundo”, que alavancou esse número) algumas poucas menções ao Campeonato Brasileiro, mas não existe um acompanhamento efetivo, além da falta de foco da página: nela são postadas sobre as seleções de base, seleção feminina, seleção principal e alguma coisa da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro, entre outros.

Existe também a CBF TV no Youtube, que exibe os “Gols da rodada” dos Campeonatos organizados pela entidade, além de vídeos da seleção principal. No entanto, o conteúdo é bem pouco trabalhado, o que resulta em poucos vídeos com mais de mil visualizações.

Como uma empresa pode investir em um Campeonato que não se valoriza? Como os próprios clubes podem se valorizar em um campeonato que, ano após ano, perde importância no cenário mundial? Nessa temporada, as redes de TV por assinatura passaram a exibir a MLS americana no Brasil. Qual país passou a exibir o campeonato brasileiro?

É preciso fazer muita coisa pra termos uma maior expressividade de nosso Campeonato Nacional no cenário mundial. Mas, antes de muita coisa, é preciso fazer o mínimo.

Foto: Reprodução



Economista, apaixonado por futebol, gestão e marketing.