Opinião: O Internacional precisa ser mais que isso

Aguirre

Há quatro meses começou o ano do torcedor colorado em 2015. O cálculo não está errado, começou em dezembro mesmo. Com a percepção de que Abel Braga não teria seu contrato renovado, a torcida do Internacional começou a maquinar quem seria o próximo profissional de abrigo ou terno em frente a casamata.

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Após uma série de tratativas frustradas, surgiu o nome do bom técnico Diego Aguirre, que viria respaldado por Luís Fernando Costa e Vitório Píffero, vice de futebol e presidente respectivamente.

Com uma ou duas campanhas excelentes e outras um tanto medianas, Aguirre teria a responsabilidade de ser o chefe do vestiário e o grande executor de novas alternativas que dessem fim ao famoso chuveirinho a partir dos 15 do segundo tempo.

Pois bem: efetivamente o chuveirinho terminou.

Logo após o início de janeiro, o clube colorado se viu abalado pela iminente perda do seu vice de futebol. Píffero resolveu assumir o cargo de vice, mas não deixou claro se isso teria a ver com esperar por outro nome ou simplesmente desenvolver a função de meio-campista entre jogadores, técnicos, imprensa, direção e torcedores em geral. Logicamente, um presidente não pode fazer isso, mas vá lá, era uma emergência e houve entendimento naquele momento.

Aguirre teve liberdade de fazer suas mais variadas opções e dar chance a quase todo o plantel que disputa a Libertadores e o Campeonato Gaúcho, inclusive com experiências tais quais Winck e Ruschel na meia, Jorge Henrique como volante e gratas surpresas que foram Taiberson e Rodrigo Dourado, esse último alçado a titularidade por grande parte da imprensa e também por muitos torcedores.

A grande verdade é que não há dia em que Aguirre não seja contestado. Sem um padrão específico de jogo, o técnico não parece birrento ou criador de problemas em escalar o time. A grande decepção do período de testes talvez tenha sido Alex não ter jogado como ala pela esquerda, talvez por sua condição física ou convicção por parte do comandante em campo.

O técnico uruguaio está, como se diz pras bandas da República Oriental do Uruguay, “solito no más”. Sem respaldo evidente por parte do clube, com cobranças veladas em entrevistas de rádio por parte de alguns dirigentes, contestado por parte da torcida que não quer tão somente resultado mas também o mínimo de padrão de jogo que o colorado não obteve em 2015 (e convenhamos, nem em 2014 e talvez nem sei se em 2013).

É sabido que Aguirre precisa fazer o Inter ser mais do que vem apresentando em campo. Todas as peças foram testadas e a variação entre 3-5-2 ou 4-5-1 deixam claras as ânsias em defender solidamente antes de atacar.

Vice-líder do seu grupo na Libertadores e líder do campeonato gaúcho por aproveitamento, os amantes do Inter não querem deixar 2015 sem títulos expressivos.

Há que se jogar mais sem deixar que o time dependa das subidas de Fabrício. O Inter precisa voltar a ser menos contestado dentro de campo.



Futebol e corneta sem esculhambar paixões.