Opinião: O Inter que não se repete

Já estamos no final de março e depois de 17 jogos sob o comando do técnico Diego Aguirre, o Internacional conseguiu a incrível façanha de não ter repetido a escalação uma vez sequer.

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O 4-2-3-1 com variação para 4-2-2-2 nas dez primeiras rodadas não foi o suficiente pra que a torcida e a imprensa se contentasse com as atuações do time capitaneado por Andrés D’Alessandro.

Contestado por muitos, a partir da 11ª partida, três zagueiros foram necessários pra criar um sistema mais sólido que desse credibilidade aos anseios colorados na temporada 2015.

O eterno laboratório da dupla Gre-Nal chamado Campeonato Gaúcho, mais uma vez fez desfilar uma série de experiências, desde Rodrigo Dourado sendo primeiro ou segundo homem de meio-campo com a mesma qualidade ou ainda algumas atuações abaixo da crítica de Winck e Ruschel na meio-cancha jogando com outros dois laterais na linha defensiva (confesso que esse dia foi louco pro meu entendimento.)

Até abandonar o esquema inicial e pensar em três zagueiros foram 10 partidas, sendo sete vitórias, dois empates e a derrota pro The Strongest na altitude. O time do Inter até então, de acordo com a incidência de escalações:

Alisson; Léo, Paulão, Alan Costa e Fabrício; Nílton, Aránguiz, Alex e D’Ale; Sasha e Nilmar.

Na ânsia de testar um time com três zagueiros, o recém-chegado Réver e o experiente Juan entraram na esquerda e no miolo de zaga respectivamente.

O volante Nico Freitas, indicação de Aguirre, chegou e em uma semana já estava jogando sem decepcionar o torcedor colorado. Firme, inteligente e dinâmico.

Então, Aguirre decidiu fazer uma nova experiência: três zagueiros, dois volantes de contenção (com o terceiro homem ou um volante responsável por auxiliar na cobertura de Fabrício) e Sasha fixado na frente, por vezes abastecido pela parceria de Alex e D’Ale ou com o ingresso de Vitinho no decorrer das partidas. Lisandro e Nilmar entregues ao departamento médico deixaram o time carente das presenças de Valdívia, que por vezes é colaborativo e outras caminha em campo ainda no primeiro tempo.

Aqui as dúvidas de Aguirre começaram a aparecer após um longo período onde pareciam estar dirimidas: um ou dois homens no ataque? Qual lateral dá mais consistência nesse meio-campo com a possibilidade de chegar ao ataque sem desqualificar o sistema defensivo?

Então Aguirre deixou Winck de fora do sistema 3-5-2. Sequer foi testado nesse esquema. Outra dúvida é D’Alessandro, que jogou apenas metade de uma partida com essa estratégia e ainda por cima retornando de lesão.

Para completar os novos problemas de Winck, William é o novo lateral do Inter. Winck e Léo estão lesionados e cabe a ele, em qualquer esquema, estar com a camisa 2, colorada. Se pelo lado direito Winck conseguiu desenvolver uma espécie de disputa, pelo lado esquerdo Fabrício segue titular em função da qualidade superior aos participativos Géferson e Alan Ruschel.

Rodrigo Dourado pede passagem provavelmente na vaga de Nílton, que embora aguerrido e entregue aos jogos, por vezes parece lento demais ou ainda deixa a desejar na saída de bola com passes sem grande efetividade.

A verdade é que o técnico colorado trabalha com uma série de possibilidades e problemas também. A única derrota na bola aconteceu contra o The Strongest porque contra o Juventude a falha de Muriel disse muito mais do que foi o jogo em si. Entretanto, não acredito que um empate lá teria deixado as coisas menos tensas para o futebol do time da Avenida Padre Cacique.

O Inter não se repete porque não está conseguindo.

Foto: Getty Images



Futebol e corneta sem esculhambar paixões.