Opinião: Com o elenco que o Inter tem, um esquema ofensivo seria o ideal

Divulgação/Internacional

Uma das principais, das muitas críticas que o técnico Diego Aguirre vem recebendo no comando do Inter, é a de que a equipe, com quatro meses decorridos no ano, três deles de trabalho em campo, ainda não definiu um padrão de jogo, sequer delimitou um esquema tático.

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Nos primeiros jogos do ano, o pragmático técnico repetiu o que era feito em 2014 por Abel Braga e preservou o 4-5-1, com dois volantes, um deles livre para sair ao campo ofensivo e três meias de criação, sendo um centralizado e dois caindo pelas pontas, para dar suporte aos laterais e municiar o único atacante com jogadas pelas pontas.

Depois, criticado por estar sendo vazado demais, Aguirre decidiu adotar o sistema com três zagueiros e dois alas. Colocou o time assim em jogos fáceis do Gaúchão e no embate com o Emelec-EQU, fora de casa, pela Libertadores. Com exceção dos fracos adversários do Estadual, o Inter levou um gol dos equatorianos e só não perdeu o jogo porque o rival, por mais faceiro que seja, ainda não tem aquele traquejo que separa os grandes times, dos excelentes times.

Em ambos os esquemas colocados em cancha, independente dos resultados que teve, Aguirre foi criticado. Todos reconhecem que, de fato, o aproveitamento de pontos até aqui é ótimo, mas o futebol jogado é péssimo. O medo de ser eliminado das competições quando o bicho pegar é que faz o forasteiro do banco de reservas ser tão bombardeado. O time do Inter não inspira confiança.

Não sou daqueles que compactuam com a pressão descomunal sobre Aguirre, mas aceito a tese de que, sim, ele não tem sabido utilizar muito bem as opções do elenco e, principalmente, não tem respeitado as características dos jogadores que tem em mãos.

O Inter é um dos poucos times do Brasil que pode se vangloriar de ter três meias rápidos, habilidosos, que batem bem na bola e canhotos: D’Alessandro, Alex e Anderson. Também é um dos poucos que tem atacantes rápidos, de boa movimentação e finalização fatal: Eduardo Sasha, Vitinho e Nilmar. Um dos poucos que possui dois volantes de ótima marcação e boa saída de bola, também bons finalizadores: Aránguiz e Nilton.

Isso, sem contar os jovens da base, que demonstram seu poderio sempre que podem: Valdívia, Taiberson, Cláudio Winck e Alan Ruschel são apenas alguns deles. Todos estes citados, garotos ou não, têm uma coisa em comum: são jogadores leves e muito, demais, bastante ofensivos. Me soa um choque de filosofia esse cenário, em comparação ao estilo uruguaio de Aguirre, mais marcador, raçudo, cadenciador. É aí que mora a dificuldade em encontrar o caminho das pedras.

Mudar crenças em um estágio avançado da carreira, como é o caso do técnico, é complicado, sem dúvida. Mas pior que isso é morrer abraçado a ideias que deixarão capacidade ociosa e a vocação ofensiva do time de lado. Com o material humano do Colorado, um 4-3-3 seria tri. E poderia trazer o tri da Libertadores.

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Foto: Divulgação / SC Internacional



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