Análise: Palmeiras não tem margem para mais erros em 2015

Antes da vitória contra o São Paulo por 3 a 0 no Allianz Parque há uma semana, o Palmeiras era visto com desconfiança. Tudo porque o Alviverde não tinha empolgado seu torcedor em nenhum jogo na temporada, mesmo com a liderança cômoda no Grupo C. Todos os triunfos do time de Oswaldo de Oliveira vieram contra adversários fora da divisão de elite do Campeonato Brasileiro e de forma “sofrida”, e as únicas partidas contra equipes de expressão (Ponte Preta e os clássicos contra Corinthians e Santos) não acabaram bem para os lados da Academia.

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Por isso, a torcida, que começou o ano eufórica com a contratação de Alexandre Mattos, diretor-executivo que montou o Cruzeiro bicampeão brasileiro de 2013 e 2014, e a chegada de 19 reforços (que somam 20 agora com Egídio, ex-Cruzeiro), não conseguiu confiar plenamente no Palmeiras de 2015. O time precisava de um real teste de fogo para intimidar os grandes rivais. E a prova veio exatamente na última quarta-feira contra o São Paulo de Muricy Ramalho, Rogério Ceni e companhia.

Os 3 a 0 serviram para “lavar a alma” de qualquer palmeirense no dia seguinte. Bastava sair na rua e ver um torcedor com a camisa vestida orgulhosamente. Porém, mais que vencer um plantel como o Tricolor, o palmeirense certamente queria ver uma continuidade do que o seu time do coração mostrou nos 90 minutos da noite anterior. Nessa linha de raciocínio, a tal regularidade, ou melhor, a falta da própria foi o que mais decepcionou o torcedor alviverde quatro dias depois com o revés para o Red Bull Brasil por 2 a 0 em Campinas. Em 90 minutos, o time da capital de nada lembrou a equipe aguerrida e bem postada taticamente que anulou o São Paulo em casa.

Os erros de posicionamento da zaga (principalmente de Vitor Hugo no segundo gol), a demora para recompor a marcação nos contrataques e a apatia para criar algo diferente (ou alguém que fizesse esse trabalho) foram pontos explorados à risca pelo Red Bull de Fabiano Eller e Lulinha, que aproveitou a “ressaca” alviverde para entrar de vez na briga pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

Do lado palmeirense, voltou-se a desconfiança do mais fiel torcedor. É claro que não há razão para tanto pânico, já que o time está classificado para o mata-mata com antecedência e ainda busca o entrosamento ideal, com jogadores gabaritados sem ter estreado no torneio como Valdívia e Cleiton Xavier.

Só que a paciência que tanto Oswaldo precisa para engrenar a máquina em suas mãos tem deadline, principalmente para a Turma do Amendoim. Com tantas contratações, 2015 foi tratado como o ano de mudanças para o Palmeiras e a torcida espera e cobra por resultados (na melhor tradução, títulos). Decepções e sofrimento, como o risco de rebaixamento no Brasileirão do ano passado, não estão sequer cogitados para os próximos meses.

Pressão x paciência
Por isso o Verdão deve encarar com bastante atenção os jogos contra Mogi Mirim e Ituano, os últimos da primeira fase do Paulista. Até o momento, o Palmeiras é o pior dos quatro grandes na classificação geral com 27 pontos, dois atrás do São Paulo, três do Santos e oito do Corinthians. Se a fase de grupos terminasse hoje, teria que viajar para o interior a fim de jogar as quartas de final, de acordo com o regulamento da Federação Paulista de Futebol (FPT). Entretanto jogar perto da torcida caipira não representa perigo ao Palmeiras, que sempre é bem recebido pelos paulistas, e sim, a sequência dos jogos daí para frente.

Ficar em quarto lugar na classificação significa um confronto único na semifinal contra o melhor da primeira fase no Paulistão, ou seja, o Corinthians, fora de casa. No Itaquerão, os alvinegros só perderam uma vez desde que estrearam a casa nova, em 2013.

Com isso, Dudu, Robinho, Arouca e até o experiente Zé Roberto devem compreender que qualquer deslize a partir de agora é decisivo para definir o caminho do Palmeiras. Não importa se vale título do Paulista, Copa do Brasil ou Brasileirão, a aposta da diretoria é formar um time vencedor. E se o ano é viver apenas três competições, a torcida, certamente, pressionará por títulos, desde aquele que só soma na estante de troféus até o que trilha o retorno à Libertadores.

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Foto: Divulgação



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.