Arqueiro indígena Dream Braga é a mais nova promessa do Tiro com Arco

Um dos mais novos integrantes da seleção brasileira de tiro com arco, o atleta indígena Dream Braga da Silva, 18 anos, da etnia Kambeba, saiu da cidade de Três Unidos, no Amazonas, para treinar tiro com arco em Manaus. Em seguida foi para a escola de tiro de Maricá, Rio de Janeiro, e hoje está entre os quatro melhores arqueiros da seleção juvenil.

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Praticante do arco e flecha, o jovem não imaginava existir uma modalidade olímpica semelhante à que praticava em sua aldeia sem nenhum compromisso. Quando saiu de casa recebeu o seguinte conselho da família: “Vai, mas não com o espírito de se vingar dos brancos. Vai para ser um campeão”. Conselho que lembra todos os dias, principalmente nas horas do treino, mas que pretende consolidar com a conquista de uma medalha olímpica. Dream saiu de sua aldeia para treinar em uma vila militar em Manaus, quando foi descoberto pela Fundação Amazonas Sustentável.

Sua nova trajetória profissional inclui participação em competições, seminários e muito treino, que acontece até mesmo nas horas vagas no hotel onde está hospedado. O arqueiro está no nível de alto rendimento, categoria juvenil, mas pretende melhorar participando dos campeonatos que vêm pela frente e alcançando bons resultados. “Foi uma grande surpresa ser chamado para a seleção brasileira de tiro com arco, existem atletas que treinam há oito anos e não conseguiram entrar para a seleção”, disse.

No seminário de Políticas Públicas de Esporte e Lazer para os Povos Indígenas, em Cuiabá (MT), realizado na semana passada, o atleta falou a cerca de 350 pessoas, entre indígenas e não indígenas, sobre sua nova trajetória. Ele foi exemplo e incentivo para os seus parentes, que ficaram encantados com sua história e não perderam a oportunidade para tirar uma foto com o novo arqueiro.

O desempenho do país na modalidade, crescimento do esporte e a participação de indígenas no tiro com arco foram os assuntos tratados na entrevista do Portal do Ministério do Esporte fez com o presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTarco), Vicente Fernando Blumenschein. Confira a íntegra da entrevista:

Quais as expectativas para a modalidade tiro com arco nas próximas competições e nos Jogos Rio 2016?

Melhorar a classificação de outros arqueiros, além do Marcos Vinícius, e lutar para a inclusão de arqueiros indígenas em competições internacionais. Com relação aos Jogos 2016, nossa expectativa é conquistar duas medalhas uma no individual e outra por equipe.

Que ações a confederação vem desenvolvendo pensando nos grandes mundiais?

A confederação tem um plano de trabalho chamado Master Plan que prevê todo o treinamento, todo o fornecimento de equipamentos para que a gente consiga manter o nível atual e melhorar cada vez mais.

Ao proferir palestra no Fórum de Esporte e Lazer Indígena, o senhor falou que nas próximas olimpíadas (2020 e 2024) a seleção de tiro com arco terá grande participação de indígenas, o que a CBTarco está fazendo para que isso aconteça?

Acreditamos que em algum momento teremos uma equipe formada por atletas indígenas, estamos tentando dentro das atuais 17 federações criar a possibilidade de aumentar a participação de um indígena na modalidade de alto rendimento.

Segundo melhor arqueiro do mundo em 2014, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude na China e atleta-revelação do esporte olímpico brasileiro, Marcus Vinícius, de apenas 17 anos, é a grande esperança de medalha brasileira no Tiro com Arco na Rio 2016.

Créditos: Ministério do Esporte



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