Federer fora, Nadal e Djoko dentro. Veja como ficaram as quartas em Monte Carlo

Federer
Foto: Reprodução

Se em 2014 Stan Wawrinka e Roger Federer garantiram uma final suíça no Masters 1000 de Monte Carlo, nesta edição os dois sequer chegaram às quartas de final. De resto, nada de zebras já que, dos oito finalistas no Principado, seis estavam entre os principais pré-classificados na chave, com destaque para o sérvio Novak Djokovic e o octacampeão Rafael Nadal, que tiveram experiências bem distintas nessa quinta-feira.

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A seguir, confira como ficaram as quartas de final em Monte Carlo:

QF 1 – Grigor Dimitrov (BUL) vs. Gael Monfils (FRA)
Para começar o dia, Wawrinka, atual campeão do evento, foi massacrado pelo búlgaro Grigor Dimitrov, que ainda não tinha despontado nenhuma grande campanha no ano. Porém, o triunfo maiúsculo por 6/1 e 6/2 em menos de uma hora lhe dá moral para o confronto para lá de equilibrado com Gael Monfils.

O acrobático francês nem se pode considerar uma surpresa pelo triunfo contra Federer. Quem não se lembra da surra no ex-número 1 do mundo na final da Copa Davis do ano passado? A vitória de Monfils por 6/4 e 7/6(5) traz confiança para as fases finais em Monte Carlo e também o apoio do público, já que é o último representante da França no torneio.

Dimitrov, namorado de Sharapova, adapta-se bem a qualquer tipo de superfície e vale lembrar que, na terra batida, surpreendeu Djokovic em Madri, há dois anos. Por outro lado, Monfils está muito firme desde a última temporada e, se manter a intensidade e deixar as brincadeirinhas típicas de lado, pode avançar. O retrospecto marca duas vitórias para o francês, sendo a última no piso rápido do US Open em 2014.

QF – Tomas Berdych (CZE) vs. Milos Raonic (CAN)
Ainda na parte inferior da chave, o tcheco Tomas Berdych mais uma vez mostra por que é um dos jogadores mais regulares do circuito. Pela sétima vez no ano, ele chega às quartas de final de um torneio. Nessa quinta-feira, Berdych precisou de sangue frio para salvar set point contra o espanhol Roberto Bautista Agut, mas depois impôs seu jogo pesado da linha de base, mesmo num saibro bem lento.

O tcheco terá na sequência um confronto interessantíssimo contra o canadense Milos Raonic, que, até há alguns anos, patinava no saibro. No entanto, é notável a evolução técnica do pupilo de Ivan Ljubicic em todos os aspectos técnicos e nas diferentes superfícies. Contra o experiente Tommy Robredo nessa quinta, Raonic claramente teve que adquirir paciência para construir os pontos e esperar o melhor momento para atacar nas vezes em que o saque não completava todo o serviço.

Acompanhar Berdych e Raonic é esperar um jogo com muita potência e poucas trocas de bola. Ambos batem muito forte da base e procuram encurralar o adversário o quanto antes: o canadense mais com o saque, e o tcheco com as pancadas profundas no fundo. No confronto direto, vantagem para Raonic com três vitórias em quatro partidas, porém este será o primeiro duelo no piso lento.

QF – Rafael Nadal (ESP) vs. David Ferrer (ESP)
Em 2015, assistir a Rafael Nadal não vem sendo uma experiência prazerosa. O ‘Touro Miúra’ já mostra pela própria fisionomia que não está satisfeito, nem afiado com seu jogo. Bolas muito curtas, ‘madeiradas’ incomuns, número de erros não forçados que crescem… Para quem marcou uma era no saibro, hegemonia que jamais foi vista em uma quadra de terra desde os primórdios do esporte, não é normal ver Rafa tropeçando nos próprios mandamentos.

Mas com toda dificuldade de recuperar a confiança após lesões e cirurgia em 2014, Nadal não deixa de lado a humildade e o poder mental, responsáveis por fazê-lo não desistir de partidas que tem consciência de estar longe do seu auge. Nessa quinta, o espanhol teve bastante dificuldade contra o grandalhão John Isner. O espanhol chegou a ver o rival sacar com set point no tiebreak da primeira parcial, mas conseguiu a virada. E mesmo após um segundo set fraco, soube se perdoar para levar a melhor na parcial decisiva.

As quartas em Monte Carlo já se tornaram rotina para o número 5 do ranking, porém deve passar pela cabeça o revés do ano passado exatamente na mesma fase e coincidentemente contra David Ferrer, seu próximo oponente. Ao contrário do ‘Touro’, o veterano de Murcia faz excelente temporada com três títulos (Doha, Rio de Janeiro e Acapulco) e pode usar esse gás para complicar a vida de Rafa mais uma vez, especialmente se variar o ritmo com frequência, como o fez diante de Gilles Simon. O retrospecto, todavia, é totalmente favorável a Nadal com 22 vitórias em 28 jogos.

QF – Novak Djokovic (SRB) vs. Marin Cilic (CRO)
Se olha para o lado e vê seus principais rivais sofrerem para vencer, Djokovic, por outro lado, anda tendo muita facilidade em Monte Carlo. Sem perder sets até aqui, o sérvio fez outra atuação segura nessa quinta contra o austríaco Andreas Haider Maurer, que parece já ter entrado em quadra de cabeça baixa. O respeito dos adversários é algo de que Djoko se aproveita hoje, um sentimento que Nadal e, principalmente, Federer já conhecem.

Nesta sexta-feira, o número 1 do mundo tem encontro marcado com o croata Marin Cilic. O campeão do US Open do ano passado disputa apenas o segundo torneio depois que se recuperou de lesão no ombro e surpreendeu o francês Jo-Wilfried Tsonga nessa quinta, que contava com a torcida e uma preferência maior pelo saibro.

Cilic, pupilo de Goran Ivanisevic, quer mais do que nunca ritmo de jogo do fundo de quadra, e isso sobra em Djokovic, sem contar potência, variação e menos oscilação mental. Para variar, o sérvio venceu os 11 jogos contra o adversário. Com isso, é quase que improvável uma zebra acontecer contra o líder do ranking. Vamos acompanhar!

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Fotos: Getty Images



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.