Opinião: O declínio da Fórmula 1 é o pit-stop do brasileiro

Fórmula 1

Detentor de oito títulos mundiais na Fórmula 1 e terceiro país com mais conquistas na competição, o Brasil perdura um jejum de 24 anos sem ter um piloto campeão mundial, nossa última conquista foi em 1991 no tricampeonato de Ayrton Senna que também sagrou-se campeão em 1988 e 1990. Antes dele, os brasileiros Emerson Fittipalti (1972 e 1974) e Nelson Piquet (1981, 1983 e 1987), levaram o Brasil ao lugar mais alto do pódio em um período que contava com grandes pilotos como Niki Lauda, Nigel Mansell e Alain Prost.

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Atualmente à Fórmula 1 já não desperta mais àquela paixão de outrora, pelo menos não para o público brasileiro. O país que parava aos domingos de manhã para acompanhar Senna perdeu o gosto pela competição após o trágico acidente no Grande Prêmio de Imola, cuja fatalidade encerrou a carreira do último grande ídolo brasileiro no esporte. Outros fatores também contribuíram para desvalorização do mais charmoso campeonato automobilístico.

A hegemonia do piloto alemão Michael Schumacher que durou de 2000 a 2004, conquistando cinco títulos consecutivos. A ausência de um piloto brasileiro brigando efetivamente por um título mundial, Rubens Barrichello obteve nesse período dois vices- campeonatos com a Ferrari, porém o brasileiro nunca passou de um coadjuvante do alemão.

Fato esse comprovado no GP da Áustria em 2002, prova em que o piloto brasileiro liderou durante grande parte, sendo ultrapassado pelo companheiro de equipe na última curva, após ordem da escuderia italiana. Momento este marcado pela narração de Kleber Machado no famoso: “Hoje sim, hoje sim, hoje não”.

Além disso, a constante mudança de regulamento ofuscou a disputa entre os pilotos. Até 2006 apenas os seis primeiros colocados marcavam pontos, entre 2003 e 2010 a faixa de pontuação se expandiu até o oitavo colocado, e desde 2011 os dez primeiros pontuam.

Uma tentativa da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em resgatar grandes disputas dos anos 80, mas que não vem repetindo o mesmo sucesso seja pela qualidade dos carros ou competência dos pilotos, caso de Felipe Massa que ainda esta devendo, além dos outros brasileiros que passaram pela Fórmula 1 sem deixar saudades.

É verdade que em 2015, Felipe Nasr reacendeu a esperança do brasileiro em ouvir o tema da vitória. Em sua primeira corrida quebrou um recorde, ao tornar-se o melhor estreante do Brasil na Fórmula 1 conquistando um quinto lugar. Entretanto, ainda é necessário dar muitas voltas, queimar pneu e gastar combustível para que o brasileiro volte a se apaixonar e acelerar o coração ao ouvir o hino nacional tocando no lugar mais alto do pódio novamente.

Foto: Getty Images