Opinião: O Dérbi em história e em fatos

Palmeiras x Corinthians
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O chaveamento das semifinais do Campeonato Paulista de 2015 harmoniza com o que foi torneio, até aqui. Passagem simbólica dos times menores e supremacia dos grandes, com exceção da Ponte Preta, único representante do interior na Série A.

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Mesmo com a segura análise de que o mata-mata renderá boas partidas, o clássico entre Corinthians e Palmeiras chama atenção. E é bem fácil enumerar os motivos.

Fato é que há certa diferença entre os frutos da última década para os dois times. Corinthians viveu suas maiores glórias; amargou, apenas, o deslize de um rebaixamento em 2007. Enquanto um viveu a bendita era dos títulos, os agouros dos lados da Barra Funda já anunciavam a grande ingratidão do novo século. Após chegar ao topo no final dos anos 90, o Palmeiras viu a fortuita queda para a série B em 2002 iniciar a série negativa de anos sem títulos e de grandes oscilações. Alguns, pelo óbvio, apontariam o favoritismo corintiano e diriam que a disputa já perdia o ar de clássico há muito tempo. Não aconteceu. E aí está a mística do clássico.

Foram dois grandes tabus no horizonte de tempo recente. O primeiro, com vantagem verde, começou com um 3×0 no Brasileirão de 2007, com show do veterano Edmundo. O resultado deu folga pra alegria palmeirense até o ano de 2010, quando, pelo campeonato paulista, os corintianos triunfaram no Pacaembu pelo placar mínimo e iniciaram a sequência positiva. Daquele dia em diante, a vitória palmeirense só aconteceu em uma oportunidade (2011) e o tabu mudou de lado. O ano de 2015 é o quarto do predomínio do time do Parque São Jorge, dando ainda mais tensão ao jogo de domingo (19) em Itaquera. E esses não são os únicos motivo que precedem o derby.

O jogo decisivo se aproxima com todos os elementos para ser inenarrável. Ou pra ser contado em uma epopeia.

Bom mandante:

O Corinthians não perde dentro de seus domínios há trinta jogos e tem a chance de bater a marca histórica do espanhol Sevilla, caso não perca o jogo do dia 19. A força do time em casa é tão comemorada pelo torcedor, que a derrota na estreia para o então lanterna Figueirense já foi até deixada de lado. Dos jogos sem perder, somam-se vinte e três vitórias, o que dá ao time do técnico Tite um aproveitamento de 76%.

O palestra se reergue:

Mesmo com anos frágeis, a tradição vindo dos tempos de Palestra Itália parece ter sido resgatada em 2015. Após entrar de vez na nova e moderna casa, o Palmeiras se reciclou: um novo time foi contratado e a profissionalização já toma conta do departamento de futebol. O presidente vive dias melhores com a torcida e os primeiros resultados – dignos do tamanho do clube – já vieram. Após vitória contundente em cima do rival São Paulo, a camisa Palmeirense respira. E o torcedor tem razões para alimentar a esperança.

Nas quatro linhas

No aspecto tático, o jogo tem tudo, também, para ser interessante. O Corinthians recebe o rival sem dois de seus principais jogadores. Um deles, Emerson Sheik, suspenso, tem não só o quesito técnico, como todo o lado emocional e folclórico; o comportamento exato para clássicos de jogo pegado e nervoso. O outro é Guerrero. O centroavante se recupera de um quadro clínico mais grave e deve dar lugar a Vagner Love, cujas funções são semelhantes. Mesmo assim, o retrospecto do ex-palmeirense não chega aos pés do que faz o ídolo peruano, abraçado por quase todos os corintianos.

O time mandante tem tudo para esperar o Palmeiras vir para cima. O time do “novo” técnico Tite progrediu taticamente, tendo mais opções de jogo quando não tem a bola. O meio campo apoia ao passo que marca. Característica que há de atormentar o time verde e branco.

Do lado palestrino, o veterano Zé Roberto é dúvida, o que fará Lucas – eficiente na posição – cair para o lado esquerdo, lugar onde já jogou, dando lugar na direita para o jovem João Pedro. O embate será bom pelas laterais. Se a marcação montada por Oswaldo de Oliveira funcionar, com a cobertura dos atacantes do Palmeiras, grande parte do poder de fogo do Corinthians é anulada; a solução ficaria, então, para o meio campo com Elias e Renato Augusto.

Mesmo com tudo isso, nada se pode afirmar. E daí vem o bordão que clássico é clássico. E vice-versa.

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A informação corre na veia! Seja ou não esportiva. Jornalista por paixão e pelo ganha-pão. Doente por futebol. Um mogiano tatuado de 20 e poucos anos.