Opinião: O que ficou do GP da China?

O GP da China foi tedioso e mostrou que, apesar da melhora da Ferrari nesta temporada, ainda não há real chance de disputa enquanto a Mercedes não cometer erros, ou enquanto as condições de pista não forem bem mais favoráveis a escuderia italiana. De qualquer forma, a diferença entre as “Flechas de Prata” e as outras equipes já não é tão grande como antes e isso está causando dor de cabeça nos dirigentes.

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Quando Toto Wolff solta ameaças de que poderão haver ordens de equipe, caso necessário, não são somente palavras ao vento. Caso a Ferrari continue evoluindo e se aproximando, Rosberg estará fadado a virar escudeiro e mesmo que Lewis Hamilton tenha desempenho superior, ser tratado como segundo piloto é desestimulante e injusto. Numa equipe que sempre deu total liberdade a seus pilotos então, é ainda pior. É um insulto.

Para todo fã de automobilismo, a disputa não só entre pilotos, mas entre equipes, é interessante e, neste GP, ficou claro que as três primeiras estão em patamares distintos – presenciamos uma fila indiana de equipes, cada uma delas em seu devido lugar conforme o desenvolvimento de seu carro. And this is boring.

Ao mesmo tempo em que torço para que Ferrari e Williams cheguem, também torço para que o bom senso habite a mente dos dirigentes da Mercedes e que eles não façam o que estão ameaçando, pois se Rosberg já demonstra insatisfação com a situação atual (como a última coletiva de imprensa exemplificou bem), não sei como lidaria com o fardo de ser claramente preterido em sua equipe.

A Williams continua entre as “top 3”, mas nem tudo são flores. Observamos que a Mercedes ainda está muito superior e a Williams com dificuldades para chegar na segunda força, a Ferrari. Será verdade que não só o projeto e a performance aerodinâmica sejam responsáveis pela diferença de desempenho entre carros com o mesmo motor, mas que os motores não seriam tão iguais assim? Que apesar de serem supostamente iguais, as equipes clientes não teriam os mesmos meios de otimizá-lo? É possível e até muito provável.

Falando ainda em motores… Estão terríveis os da Renault, a qual vai ter que tomar medidas para que sua imagem não fique (ainda mais) arranhada. Além do fraco desempenho que vem mostrando há algum tempo, no último GP tanto Kvyat quanto Verstappen abandonaram por quebra de motor. Uma pena, porque Verstappen tinha feito outra grande prova mas não escapou de um abandono na última volta. Mas todos viram seu desempenho e ele foi o merecedor moral da 8ª posição – se é que isso vale alguma coisa.

O meio do pelotão continua com a alcunha de “meio do pelotão”, mas pelo menos é onde vemos surgir alguma ponta de esperança em ver disputas. O GP da China nos proporcionou até um acontecimento bem inusitado: Maldonado se envolveu num incidente em que não teve culpa. E para terminar de pintar este quadro surreal, Button é quem foi o responsável! Ele inclusive foi punido após a prova, com um acréscimo de cinco segundos em seu tempo total de corrida, perdendo a 13ª posição.

Ainda no mundo do contrário: Massa não fez boa largada (fã ou não, ninguém pode negar que ele é o piloto do grid que faz as melhores largadas) e Kimi não se envolveu em acidentes. Raikkonen chegou até a dizer que se tivesse mais voltas, teria brigado pela posição com Vettel. Será que o “Homem de Gelo” finalmente está saindo dessa má fase? Torçamos.

O que também não estamos acostumados a ver é a McLaren sem pontuar após três corridas. Entretanto, já foi dito que terão a potência dos motores aumentada para o GP do Bahrein – GP este, que nos deu alegrias na temporada passada. Agora é torcer para que, também neste ano, seja palco de uma corrida pelo menos um pouco mais emocionante do que as que tivemos até agora.

Foto: Getty Images



Autora do blog sobre automobilismo Racing Journal: https://racingjournal.wordpress.com/