Opinião: Futebol brasileiro melhorou estádios e piorou quase todo o resto

Cruzeiro
Divulgação/Arena Pantal

O futebol brasileiro viveu nos últimos 10 anos um modismo, quase obsessão, pelas novas arenas. Surgiram os estádios novinhos para a Copa do Mundo do ano passado, que foram 12, mais as casas novas ou reformadas de Grêmio e Palmeiras, além do novo Independência, em Belo Horizonte. Um salto de qualidade. Mas, e o resto?

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Os clubes que inauguraram arenas próprias têm mostrado força no marketing, o uso parece promissor. Internacional, Corinthians, Grêmio e Palmeiras são bons exemplos de como os estádios novos agregam renda, presença de público e aproximam o torcedor dos jogos. Mas, e os jogos?

Vivemos uma fase terrível que combina uma geração ruim de jogadores com árbitros horrorosos, mudança de perfil dos torcedores nos estádios, elitização das arquibancadas, competições entediantes, times medíocres, vexames brasileiros em competições internacionais. Não é ser pessimista, qualquer pessoa que queira ser realista olha para o 7 a 1 e não enxerga um “fato isolado”. Perder para a Alemanha na Copa é normal, mas não com essa dimensão.

Tratar o vexame da Copa como algo único, isolado, acidental, é esquecer que é com o Brasil que estão acontecendo os vexames mundiais mais recentes. Zebras no futebol são normais e fazem esse esporte ser incrível, ter toda essa graça. Mas não é incrível que apenas clubes brasileiros tenham ficado fora de finais do Mundial de Clubes da Fifa, perdendo nas semis para Mazembe e Raja Casablanca? Não há nada de errado em ser um brasileiro a vítima da maior derrota em uma final dessa competição, um 4 a 0 para o Barcelona?

O Brasil se empolgou com quatro conquistas seguidas da Libertadores entre 2010 e 2013 e acabou vendo seus representantes fora de uma semifinal no ano seguinte. Uma semi que teve times como Defensor, do Uruguai, Nacional, do Paraguai, e acabou coroando o título do San Lorenzo.

As arbitragens sempre foram polêmicas, mas hoje são deprimentes, horríveis. Marcações absurdas que só o futebol brasileiro é capaz de proporcionar. Inversões bestas de faltas, critérios disciplinares nulos. Fora dos campos, um mal explicado caso que derrubou a Portuguesa no Brasileirão de 2013 e gerou suspeitas sobre um monte de gente.

Não é possível que alguém ache que tudo isso está certo, que tudo está bem, ou vai melhorar sozinho, como uma gripe que a gente só deve tratar os sintomas. O vazio existencial do futebol brasileiro está grande demais para ser preenchido com novas arenas. Enquanto isso, as crianças escorrem como água pelas nossas mãos e passam a ter como times do coração equipes como Real Madrid e Barcelona. É demais.

Foto: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.