Opinião: No saibro, Nadal é favorito até contra Djokovic

Rafael Nadal

Nesta segunda-feira (13), Rafael Nadal disse ao site da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) que não é favorito a nada, justamente na véspera da estreia do Masters 1000 de Monte Carlo, o primeiro grande torneio do ano no saibro.

LEIA MAIS

Bellucci e Feijão brigam por uma vaga nos Jogos Olímpicos de 2016

“Estou jogando pior que o resto dos meus rivais. A pressão não é para mim. Chego aqui com a motivação de fazer melhor que estou agora”, desconversou o espanhol, que já ganhou 46 títulos de ATP na terra batida e tem um histórico de 325 vitórias e apenas 25 derrotas.

Nadal é mestre nesse tipo de declaração de respeito aos oponentes e de fazer um pouco menos de si próprio. Mas essas declarações não passam de uma tentativa de afastar a pressão, aliás, como ele não escondeu na entrevista. Nadal é favorito, sim, no saibro e já entra em quadra com vantagem sobre qualquer adversário apenas pelo histórico na superfície, em especial em Roland Garros, o que representa uma imposição psicológica. É favorito até contra o sérvio Novak Djokovic, líder do ranking com sobras.

Sem estar 100% mentalmente, fisicamente e, quiçá, tecnicamente, ele será até o fim da temporada do saibro um grande problema para qualquer oponente. Nessa mesma época em 2013, Nadal também era apenas o número 5 do ranking, depois de ter sofrido com lesões. E venceu torneios, venceu em Paris.

Vamos aos fatos. A bola de Nadal não machucou muito até aqui na temporada, vide os dois campeonatos de saibro que participou em 2015. Foi campeão em Buenos Aires, mas caiu nas semifinais no Rio Open diante do italiano Fabio Fognini. Mas é importante dizer aqui que aquele foi apenas o terceiro torneio no ano, de lá para cá ele teve mais rodagem em quadra, seja com treinos ou jogos. Ele estará melhor e tem uma regularidade incrível.

Em relação à parte física, o espanhol se recuperou das lesões e, mesmo não estando no auge, dificilmente deixa a desejar para alguém nesse sentido. Quase sempre chega inteiro ao fim das partidas. Quando está com algum problema, dá um tempo no circuito e não fica só “fazendo número”.

Na teoria, o problema aparece mais quando se analisa a cabeça do jogador, sem confiança ultimamente. É verdade. Mas poucos tenistas na história do esporte foram tão fortes nesse aspecto quanto Nadal. Aliás, poucos foram tão capazes quanto Nadal é de conseguir dar uma reviravolta na carreira. Eu acredito.

Foto: Fotojump



Jornalista desde 2008, é um estudioso do esporte e se orgulha por ter participado da cobertura de duas Olimpíadas: na Folha e no iG. Fecha o caderno de esportes do jornal ABCD MAIOR, que fica na Região do ABC Paulista