Opinião: Se o Paulistão é ruim, a arbitragem supera

árbitro

Hoje, é possível afirmar que a grande maioria dos torcedores brasileiros não têm atração alguma pelos campeonatos estaduais. Em São Paulo, com o Paulistão, não é diferente.

Em 2015, a média de público do Campeonato Paulista até as quartas-de-final é de 7.116 torcedores. Número salvo por Corinthians e Palmeiras que atraíram grande públicos com suas novas arenas, 28.211 e 27.739 respectivamente. A pior média foi do Mogi Mirim, com 960 torcedores por jogo.

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Mas, se o Paulistão é ruim, a ponto de não atrair a atenção dos torcedores mais fanáticos, a qualidade da arbitragem supera a má qualidade dos jogos na competição. Pudemos ver isso com clareza no último final de semana, justamente nos jogos de quartas-de-final.

Na tarde de sábado a Ponte Preta foi claramente prejudicada após o assistente Vicente Romano Neto anular um gol legítimo de Renato Cajá, ainda no primeiro tempo. Momento em que o time de Campinas era infinitamente superior e um gol naquela altura mudaria os rumos do jogo.

O erro do assistente fez os torcedores rivais (não apenas os pontepretanos) e até alguns amigos corintianos entoar o grito de: “Caiu em Itaquera o juiz opera”. Grito esse que se faz valer devido a reincidência dos erros em prol ao Corinthians em sua arena.

Mais tarde, no segundo jogo que definia outra vaga para as semifinais, embora o trio de arbitragem não tendo interferência direta no resultado do jogo, se mostrou muito confuso e perdendo o controle da partida. Em um desses lances, na falta que resultou o primeiro gol do Tricolor, anotado por Rogério Ceni, a bola ficou parada por, nada menos, do que dois minutos, com o jogadores das duas equipes fazendo o arbitro, o senhor Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, de otário.

Já no domingo de manhã foi a vez do Palmeiras, em seu próprio estádio, ser prejudicado. Os erros principais se resumem em dois pênaltis em Dudu, não dado pelo senhor Marcelo Rogério, além de não expulsar André Rocha, após agressão em Valdívia, e um impedimento não dado que quase resultou em gol do Botafogo-SP. Isso sem contar a falta de critério disciplinar.

Neste jogo em especial, o trio de arbitragem pode ter sido prejudicada pela pressão de ter o mesmo patrocinador que o time de Palestra Itália. Tal fato não é motivo para os erros, mas na dúvida o lance era dado contra o Palmeiras para os árbitros não serem acusados de beneficiar o time do qual tem o mesmo patrocinador.

Por incrível que pareça, o jogo entre Santos e XV de Piracicaba teve uma ótima arbitragem, comandada pelo senhor Guilherme Ceretta de Lima, sem lances contestáveis, na minha opinião, apesar dos dois pênaltis dados a favor do time da Vila. O engraçado é o por que de ter o melhor e mais experiente arbitro em um jogo teoricamente mais fácil?

Muito podem dizer que é devido ao sorteio, então também temos que melhorar as normas destes sorteios.

O curioso também é que foi o único jogo em que eu vi o Coronel Marinho, responsável pela arbitragem em São Paulo, presente no estádio. No entanto, não posso afirmar se ele estava ou não em outros jogos. Gostaria de acreditar que estava.

Não acredito – ou pelo menos não quero acreditar – em má fé dos árbitros e e assistentes. Acredito sim em falta de qualidade técnica para apitar uma partida de tamanha importância, por mais que o Paulistão já não tenha tanta importância assim.

Muitos podem se defender dizendo que errar é humano, mas eles estão lá para acertar. Bem ou mal, são pagos para isso. E se eles se submetem isso, é preciso fazer com o máximo zelo e a máxima responsabilidade possível.

Espero que a Federação Paulista, assim como todos os responsáveis pela arbitragem, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, tomem as providências necessárias para que, no mínimo, não tenhamos mais interferências diretas em resultados.

O que acontece hoje demonstra cada vez mais que o futebol brasileiro vive uma crise sem fim, exposta após o fatídico 7 x 1 para a Alemanha na última Copa Mundo. Se ainda não chegamos lá, estamos próximos de ser os piores, entre os melhores.

É preciso que a cartolagem se renda a má fase do nosso futebol e procure, juntamente profissionais sérios e qualificados, uma saída, pois, do jeito que está, caminhamos de volta ao passado, rumo à várzea (com todo o respeito a várzea).

Foto: Reprodução/Facebook



Jornalista formado em 2012, atuando na área desde 2010, com experiência em impresso e TV. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte em 2014. Apaixonado por futebol, sempre procurando novas formas de divulgar o esporte.