Opinião: A seleção foi vendida. E daí, alguma novidade?

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Grande matéria jornalistica revela a podridão dos bastidores do futebol. Boom! Todos lendo, clicando e compartilhando a matéria. Boom! Ibope para o jornal e para o jornalista. Boom! Raiva e nojo por parte dos leitores. Boom! Mais uma “sujeira” revelada. Boom!

Fala sério! Você ainda acredita nisso tudo? Não consegue ler nas entrelinhas? Ok, vamos tirar o meu sarcasmo do primeiro parágrafo e entender tudo isso. A questão é: se você ficou surpreso com a “revelação” feita pelo Estadão – sobre a venda da seleção brasileira – é porque você não conhece o futebol e, principalmente, o mundo do business esportivo. Convenhamos, isso é um fiapo do emaranhado.

Em primeiro lugar, parabéns ao autor da matéria. Não vou desqualificar a intenção dela (a de revelar o secreto e trazer a verdade aos leitores), mas também é provinciano acharmos que isso é algo excepcional. Por que você ainda acredita que a “amarelinha” deve ser vestida somente por aqueles merecedores de algo especial?

É a própria mídia que ajuda a criar o mito “seleção” para ajudar a vendê-la (marketing) pelo mundo a fora. Gente, deixem de lado ideologias e demagogias. Esse “jogo” de revelar o “secreto”, também é parte do negócio. Quem seriam essas fontes maravilhosas que agora vazaram a documentação? Hum…

Mas vamos a outro ponto: qual seria a intenção em desqualificar o negócio por trás da seleção brasileira? Vou te dizer. É essa mania de achar uma explicação para as nossas derrotas. Isso mesmo, aqueles 7 a 1 contra a Alemanha ainda doem na alma de alguns. Então, a chave para o declínio da nossa seleção está agora revelado na reportagem do Estadão? Está lá, desde 2006 a CBF “vendeu” a seleção.

Elementar meus amigos, mas pensar assim, me parece um pouco limitado. E antes? Não havia contratos para “vender” a seleção? Vamos combinar, o futebol profissional é um negócio (o que é diferente de corrupção, para deixar bem claro). Pensar em “amor a camisa” é como a execução do hino nacional antes dos jogos no Campeonato Brasileiro: todos “amam” (ou cantam), mas é algo protocolar.

“Você não tem coração, sentimentos!”, posso ouvir você já me xingando. Olha, eu sou torcedor, sofro também com derrotas, mas não tapo o sol com a peneira. Para mim, a derrota em campo é um plano mal executado, um clube mal gerido dentro do que é o business do futebol hoje em dia.

Assim, não me surpreende (de novo) a “revelação”. A matéria só confirma a tese de que a CBF faz negócios, assim como todos fazem no mundo do futebol. “Ah, mas Alemanha não faz!”, você diria. Bem, vamos esperar as derrotas para virem à publico as “revelações”.

Está na hora de sairmos da tolice de torcer apaixonadamente e enlouquecidamente, a ponto de ficarmos cegos diante da realidade. O futebol profissional depende da sua grana para sobreviver! Então dê valor ao seu suado dinheiro, e pense duas vezes antes de investi-lo em algo não gerido por você (futebol profissional).

Não gostou?! Se sente traído?! Quer esporte sem negócio?! Então comecem a dar apoio para o esporte escolar e nos clubes de comunidades. Ali pelo menos você pode ter uma chance de educar crianças através do esporte. Mas claro, estude bem o “projeto” que você vai ajudar. Sinta também prazer em torcer por algo que beneficia à todos, não ao seu próprio ego.

Enquanto ao outro futebol, o esporte profissional, você pode tentar entrar no negócio, assim como você pode entrar na política para mudar o país. A decisão é de cada um. Pois, com a sua “torcida”, essa “maquina de negócios” não vai parar.

 

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Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.