Opinião: Aguirre calou preguiçosos

Aguirre

Aguirre finalmente deve ter tido sua primeira semana efetiva de descanso das dúvidas e contestações que insistiam em cercá-lo desde que pisou no Beira-Rio. Pouco adiantou a cordialidade inicial e o fato do plantel ser modificado abruptamente em relação aos que jogaram mais em 2014. A pressão aumentava principalmente por parte de muitos preguiçosos.

LEIA MAIS:
Diego Aguirre destaca rodízio de atletas e parabeniza Inter pelo título
Mercado da bola: Alex não confirma se fica no Inter e valoriza torcida colorada

Sem vontade de tentar entender, ler e se informar sobre cada escalação diferente, alguns pediram a saída do técnico em diversos momentos. O problema não era o Inter precisar se reinventar, muito menos a necessidade em encontrar respostas pra primeira posição no meio-campo e nas laterais: a vontade era de dizer que o problema sempre fora o técnico.

E escrevo claramente que o Inter foi premiado com a sorte em não ter conseguido fechar com os primeiros postulantes ao comando da casamata do clube em 2015. Diego não só acrescentou ao clube como também brindou o torcedor com uma forma de escalar sem medo de ofender ou magoar medalhões. Blindou o vestiário com sinceridade e o famoso “quem estiver melhor, joga” além de ter optado por não fazer do Gauchão primeira necessidade.

Após o jogo na altitude contra o The Strongest (que não perdia há anos em casa) e a bobagem de Muriel em Caxias, uma avalanche de críticas intermináveis fazia de muitas colunas e comentários o lar oficial da notícia de demissão do técnico colorado.

Pois grande parte da torcida não concordou. E juntamente aos que acreditavam ser necessário tempo pra que o técnico trabalhasse, criaram um tipo de esfera de confiança que se solidificou em torno do técnico, praticamente obrigando quem escrevia críticas vazias ou adivinhatórias a estudar o Inter, acompanhar treinos, ouvir repórteres, ler mais jornais e se especializar por dentro de uma preguiça desportiva que insiste em acompanhar alguns no Rio Grande do Sul.

As críticas ponderadas e justas pareciam ser ouvidas pelo técnico que muitas vezes substituiu ou alterou em time de acordo com o pensamento lógico, sem premiar o bruxismo que mata o futebol moderno constantemente quando se instaura em algumas equipes.

Boca Juniors não repetia escalação e não era criticado. Cruzeiro não repetia muitas vezes escalação anterior sem a comparação merecida. E a culpa pra alguns ainda assim parecia ser de Diego Aguirre.

Após mais de 20 escalações diferentes, um título, melhor campanha brasileira na Libertadores e aproveitamento de 77%, Aguirre calou os críticos sem ter alterado o tom de voz ou ser deselegante uma vez sequer com várias perguntas antiquadas ou abordagens desnecessárias.

O trabalho venceu a preguiça de alguns e ganhou o respeito de muitos. O futebol é uma caixinha de surpresas e o Inter de 2015 parece disposto a abri-la unido e sem medo de ser diferente.

Foto: Reprodução/Facebook



Futebol e corneta sem esculhambar paixões.