Copa do Mundo de Futebol Feminino: 1991, o início de tudo

A história do torneio mundial de futebol feminino começou antes mesmo de sua primeira edição, após iniciativa do presidente da FIFA, João Havelange. Em 1988, a entidade máxima do futebol resolveu criar uma competição de futebol feminino, que serviria como teste para uma possível criação de um Mundial. Realizada na China, o “Torneio Internacional de Futebol Feminino” teve a participação de 12 seleções, entre elas Estados Unidos, Suécia e Brasil.

Com um público de 35 mil pessoas, a Noruega sagrou-se campeã diante da Suécia. A equipe brasileira chegou na terceira colocação, vencendo a China nos pênaltis. Com o sucesso da competição, três anos depois, as atenções voltaram-se para a China, desta vez para a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino da história.

Contando com 45 seleções nas Eliminatórias, o torneio teria a presença de 12 seleções de 6 confederações diferentes, novamente com o Brasil entre as equipes. A competição foi sediada em 4 cidades, tendo 6 estádios recebendo partidas do torneio.

SELEÇÃO BRASILEIRA

A equipe que foi para a China disputar o primeiro Mundial era composta majoritariamente de atletas do Esporte Clube Radar, equipe do Rio de Janeiro. O clube foi um dos pioneiros na prática do futebol feminino, e cedeu 16 atletas, das 18 convocadas. Tendo a terceira colocação no Torneio Internacional, a equipe brasileira caiu em um grupo difícil no Mundial, com Japão, Estados Unidos e Suécia.

Na primeira partida, diante de 14 mil pessoas em Foshan, o Brasil venceu as japonesas pelo placar de 1 a 0, com seu único gol na competição. Elane fez o primeiro gol da história da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo Feminina. Mesmo com uma vitória no início, as brasileiras não conseguiram se igualar ao nível de Estados Unidos e Suécia, sendo eliminadas após perderem por 5 a 0  e 2 a 0 respectivamente.

O TORNEIO

Iniciado no dia 16 de Novembro de 1991, na cidade de Guangzhou, o Mundial Feminino teve como sua partida de estreia pelo grupo A, China contra Noruega. Melhor para as donas da casa, que fizeram 4 a 0 nas norueguesas e se classificaram em primeiro. Na outra partida, a Dinamarca bateu a Nova Zelândia, que foi o saco de pancadas do grupo. Ao final da fase de grupos, China, Noruega e Dinamarca (com o melhor 3º lugar) avançaram para as quartas de final.

No grupo B, o do Brasil, Estados Unidos e Suécia avançaram, e a Seleção Brasileira ficou na terceira colocação, tendo a pior campanha entre os terceiros. As japonesas saíram da competição sem marcar nenhum ponto, e sem marcar gols. De destaque mesmo, a vitória por 8 a 0 das suecas frente ao Japão, com boa atuação de Lena Videkull, que marcou dois gols.

No grupo C da competição, formado por Alemanha, Itália, Taipé Chinesa e Nigéria, as alemãs conseguiram se sobressair, e irem para a próxima fase como líderes, com cem porcento de aproveitamento. Além do ótimo aproveitamento, as alemãs não tomaram nenhum gol.

QUARTAS DE FINAL

Formadas as quartas de final, uma surpresa acabou tirando as anfitriãs da competição. Enfrentando a Suécia, a China foi derrotada diante de 55 mil torcedores seus pelo placar de 1 a 0, dando um adeus precoce à competição. Nas semi-finais, as suecas seriam derrotadas pelas norueguesas pelo placar de 4 a 1. Em outro jogo das quartas-de-final, uma avassaladora seleção americana venceu Taipé Chinesa pelo placar de 7 a 0, com destaque para a atacante Michelle Akers, que marcou 5 gols na partida.

SEMI-FINAIS

Nas semis, as americanas iriam enfrentar a Alemanha, que havia eliminado a Dinamarca nas quartas. Sem muitas dificuldades, a equipe americana venceu pelo placar de 5 a 2, com boa atuação da atacante Carin Jennings, que fez um hat-trick. Na final, a seleção dos Estados Unidos iria encontrar a Noruega, que goleou a Suécia, e faria no Tianhe Stadium, em Guangzhou, a primeira final da história da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

A FINAL

Diante de um histórico público de 63 mil espectadores, no Tianhe Stadium em Guangzhou,  Estados Unidos e Noruega entraram em campo na primeira final da Copa do Mundo de Futebol Feminino. Com sucesso de público total na competição, a disputa foi grande no jogo final.

Para a alegria das americanas, brilhou mais uma vez a estrela de Michelle Akers, que marcou duas vezes mais na competição, o gol de abertura e o da virada. Com o placar de 2 a 1 contra a valente seleção norueguesa, as americanas conseguiram o primeiro título da Copa do Mundo de Futebol Feminino, com a melhor jogadora eleita sendo Carin Jennings, e a artilheira Michelle Akers, com 10 gols.

VIDA PÓS-FAMA

Apesar de terem conseguido um título mundial, ao chegar em seu país, as americanas não receberiam as glórias de um campeão de futebol masculino. Muito pelo contrário. Pouquíssimas pessoas sabiam que aquelas atletas que desembarcavam da China haviam conseguido um título da Copa do Mundo.

Mesmo assim, quatro anos depois a seleção do Estados Unidos chegaria como favorita para a segunda edição do Mundial, que seria realizada na Suécia.

 

Foto: FIFA.com/ Reprodução



Estudante de Jornalismo na UFPE, fã de esportes, apaixonado por futebol mas também rugby e futebol americano.