Meninos, eu vi – Agora quem dá bola é o Santos…O Santos é o novo CAMPEÃO!!!

Arquivo pessoal

O ano de 2015 começou com uma crise financeira sem precedentes. Sem patrocínio master fixo há quase 2 anos, e devendo mais de 3 meses de salários e direitos de imagem para jogadores e funcionários, o Santos Futebol Clube se encontrava em situação deplorável.

Para piorar, alguns jogadores, tidos como pilares da equipe, entraram na justiça, alegando falta de pagamento dos salários e conseguiram sair do clube. Nessa época, muitos “entendidos” diziam que o Santos seria um forte concorrente ao rebaixamento, nesse ano.

Enquanto acontecia a debandada, a diretoria tentava responder contratando alguns medalhões, que já estariam em fim de carreira e não trariam retorno financeiro ao clube, como Ricardo Oliveira, Elano e Werley. A ideia era mesclar esses veteranos, somados a Robinho e Renato, com os meninos da Vila.

E não é que a ideia começou a dar certo?!?! No entanto, no meio do caminho, a diretoria resolveu demitir o técnico Enderson Moreira. Mas, com essa crise financeira, quem o Santos iria contratar? Foi após uma vitória em cima do Palmeiras, de virada, que, ainda no vestiário, todo o elenco se reuniu com o presidente e pediu a efetivação do treinador interino, Marcelo Fernandes.

A partir desse episódio o time se uniu, se fortaleceu e foi crescendo ao longo do Paulistão. E o que era considerado impossível há 4 meses, se concretizou. O Santos, após derrotar o São Paulo, na semifinal, estava classificado para a sua 7ª final consecutiva.

Dessa vez o adversário era o Palmeiras. O chamado “Clássico da saudade” não decidia um campeonato há 56 anos. O time alviverde vinha de um tabu de 7 anos sem conquistar o Paulistão, ou sequer chegar a uma decisão. Enquanto o Santos disputava a sua 7ª final consecutiva e tentava conquistar o seu 4º título. O destino de ambos seria decidido em 2 jogos.

Na 1ª partida, no Allianz Parque, o Palmeiras foi superior e conquistou uma vitória por 1 x 0. O resultado poderia ter sido mais elástico e confortável para a equipe alviverde, se o meia Dudu não tivesse desperdiçado um pênalti, no 2º tempo. Mesmo com a derrota, a torcida do Santos comemorava, pois acreditava que era um resultado totalmente reversível, agora jogando na Vila, e principalmente, com o retorno de Robinho, que não havia jogado o 1º jogo.
Parecia que a semana que antecedia a 2ª partida da decisão demorava a passar. Quem levantaria a taça? O Palmeiras depois de 7 anos ou o Santos pela 6ª vez em 10 anos?

Enfim chegava o dia 03 de maio. Um sol maravilhoso iluminava o domingo decisivo, na cidade de Santos. Durante a manhã, todos os caminhos levavam para a praia. Passeando pela orla ou pela areia, era possível observar diversas camisas e bandeiras do Peixe. Em todas as rodinhas, o assunto era o mesmo: “Será que vai dar para o Santos?”
Já na parte da tarde, o trânsito tinha um só destino: Vila Belmiro. À pé, de carro, moto, ônibus ou bicicleta, não importava o meio de locomoção, o que importava era estar presente para ver o Santos campeão.

Como de costume, cheguei ao estádio 2 horas antes, acompanhado da minha mãe e mais 4 amigos. O entorno do estádio estava lotado, colorido e com um ambiente totalmente positivo. Conforme ia aproximando o início da partida, a Vila Belmiro começava a pulsar. A energia positiva emanada da arquibancada com certeza contagiou todos os atletas.
A prova disso se deu quando a bola começou a rolar. O Santos dominou a partida e começou a criar uma chance atrás da outra. Enquanto isso, o Palmeiras abria a caixa de ferramentas para tentar parar a equipe alvinegra. Foram 4 cartões amarelos em 25 minutos.

Porém, a covardia do Palmeiras foi punida aos 29 minutos, quando após um lançamento, Robinho recebeu, em condição legal, e tocou para David Brás abrir o placar. Santos 1 x 0. Com esse placar a decisão iria para os pênaltis. No entanto, a equipe santista e nem os torcedores queriam decidir um título, novamente nas penalidades máximas.

Então, o Santos continuou pressionando, com o intuito de ir para o intervalo com a vantagem obtida. E o objetivo foi atingido aos 43 minutos, quando Ricardo Oliveira, após dividida com os zagueiros apareceu sozinho na frente de Fernando Prass e com tranquilidade chutou para fazer o 2º gol. Pronto. Agora o título estava nas mãos da equipe santista, que teria mais 45 minutos para ampliar ou segurar o resultado.

Quando o árbitro apitou o final do 1º tempo, os jogadores do Santos ao invés de irem ao vestiário, se sentaram no meio-campo e por lá ficaram recebendo massagens e orientações da comissão técnica. Episódio esse, que fez todo santista se recordar daquela épica semi-final de 95, contra o Fluminense, no Pacaembu. Infelizmente, não estava presente no estádio naquele 10 de dezembro de 1995, mas ontem estava e me arrepiei bastante.

Na volta para o 2º tempo, ao invés de manter o ritmo de jogo, a equipe do Santos recuou demais e começou a dar espaços para o Palmeiras. Com isso, o time alviverde cresceu na partida e criou chances de perigo. Aos 19 minutos, enfim, a ousadia palmeirense foi premiada e após belo lançamento de Valdívia, Lucas apareceu atrás da zaga para marcar. 2 x 1.

O alçapão que pulsava, se calou. O ambiente que era ótimo, começou a ficar tenso. O título que estava nas mãos, estava caminhando para ser decidido nos pênaltis. Só se ouvia os 800 torcedores do Palmeiras cantando, enquanto os 13500 santistas roíam as unhas e imploravam: “Meu Deus, pênaltis de novo, não!!”, relembrando a fatídica decisão do ano passado, quando o Santos perdeu o título nas penalidades.

Os 26 minutos restantes foram de apreensão para ambos os lados. Um gol mudaria toda a história do jogo e foi o que quase aconteceu nos minutos finais. Primeiro, após cobrança de falta, Amaral pegou o rebote do arqueiro santista, em posição ilegal, e tocou para o gol, que foi anulado corretamente pelo bandeirinha, para alívio do torcedor santista. Logo em seguida, foi o Santos que teve a chance de matar a partida, quando Ricardo Oliveira recebeu sozinho, entrou na área, mas bateu em cima do goleiro Fernando Prass.

Não havia tempo para mais nada. O título seria, novamente, decidido nos pênaltis. E conforme falei no texto sobre a decisão do ano passado, no meu entender disputa de penalidades máximas é muito mais psicológico do que sorte e nesse caso, acredito que a Vila Belmiro seria um aliado e tanto para o Santos. Visto que, na história recente a equipe alvinegra nunca perdeu uma disputa de pênalti no alçapão.

O nervosismo tomava conta do estádio. Ninguém queria ver o filme do ano passado se repetir. Porém, dessa vez o Santos tinha Vladimir no gol e ele, que é mais um garoto formado nas categorias de base, escreveu o seu nome na história alvinegra ao defender a cobrança de Rafael Marques. Jackson ainda desperdiçou a sua cobrança, chutando no travessão. Enquanto a equipe santista havia convertido todas as suas cobranças.

O placar apontava 3 x 2 para o Santos e Lucas Lima era o próximo a bater. Se convertesse, o título, após dois vices, voltaria para a Vila Belmiro. Todas as câmeras estavam voltadas para ele e o grito de campeão entalado na garganta de cada torcedor. O meia correu firme para a bola e bateu no canto esquerdo de Fernando Prass. A Vila, enfim, explodia de alegria!! Era o gol do título. Era o gol da consagração de uma equipe desacreditada.

Depois de dois anos, o torcedor santista pode dizer novamente, sem medo que “AGORA QUEM DÁ BOLA É O SANTOS. O SANTOS É O NOVO CAMPEÃO!!!!”

Em 10 anos, estive presente em 9 finais de campeonato paulista (2006, 07, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15) vi o Santos conquistar 6 títulos e ser vice em 3. Ganhar e perder faz parte do esporte e da vida, mas ambos fazem o torcedor ter emoções que só o futebol é capaz de oferecer e esse foi o meu intuito ao trazer essa série para vocês.

Essa série e esse título dedico ao meu eterno companheiro Alex!!!

Crédito da foto: Arquivo Pessoal