O futebol brasileiro ainda espera o seu verdadeiro “13 de maio”

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Na história do Brasil, o dia 13 de maio de 1888 ficou imortalizado como data da abolição da escravidão. Ainda que esse episódio tenha se caracterizado como um registro formal de um ato que trouxe pouquíssimas mudanças sociais, ele marca um momento importante para o país. No caso do futebol, há ainda a espera pelo verdadeiro 13 de maio.

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Uma das principais consequência dos mais de 350 anos em que o Brasil escravizou negros vindos da África foi o racismo. Em tese, o dia 13 de maio de 1888 pôs fim a esse tipo de discriminação que a Constituição Federal de 1988 (curiosamente 100 anos depois) considerou crime, mas na prática não é assim tanto dentro quanto fora de campo.

Ainda é comum, infelizmente, em alguns jogos registros de atos racistas. O duelo entre Grêmio x Santos ocorrido no ano passado, por exemplo, é um registro inegável disso. O futebol é apenas um reflexo da sociedade e o Brasil não é o único que passa por essa situação, pois tanto no restante da América Latina quanto na Europa, existem casos desse gênero.

Outro ponto nada positivo dessa situação é a questão da remuneração. Um dos aspectos que caracterizam o trabalho escravo é justamente a falta de alguma contraprestação financeira pelo serviço prestado, ou seja, trabalhar “de graça”. Engana-se quem pensa que o futebol não proporciona situações desse tipo. Além dos casos nos grandes clubes de atrasos constantes e não solucionáveis de salário, há nas divisões menores, sobretudo as Séries B e C dos estaduais, casos de jogadores que jogam em troca apenas de exposição.

O 13 de maio de 1888 não foi a solução para as desigualdades no Brasil, porém, o futebol nem sequer tem um momento em sua história em que se busque, por esse esporte, modificar um pouco a realidade social. Vasco, Ponte Preta, Bangu, Internacional dentro outras equipes lutaram contra o racismo e pela profissionalização dos atletas, contudo, precisamos de mais do que isso. O futebol brasileiro ainda espera pelo menos o seu “13 de maio”.

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