O respeito voltou! 5 razões para o Vasco comemorar muito o título do Carioca

Fazia 12 anos que o Vasco da Gama não conquistava um título estadual que a decisão contra o Botafogo no último domingo era tão importante quanto uma final de Mundial Interclubes da Fifa. O troféu precisava vir para, no bom lema do falastrão presidente Eurico Miranda, “que o respeito voltasse de vez”. E o Gigante da Colina conseguiu a proeza, imortalizando nomes como Dagoberto, Gilberto, Guiñazu, Rafael Silva e tirando um pouco o peso da lembrança compulsiva dos herois de 2003.

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Definitivamente o Vasco sai do Carioca fortalecido e empolgando sua torcida, que vinha desconfiada neste começo de temporada após uma campanha sem brilho na Série B em 2014. Por isso, o Torcedores.com aponta cinco fatores que foram fundamentais na conquista do Estadual e fazem o torcedor cruzmaltino se empolgar para a sequência da temporada, ainda com Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil pela frente.

1) Retorno de Eurico
Charuto aceso, óculos e roupa social…soa familiar? No futebol brasileiro, não há figura que vista melhor todos esses atributos como Eurico Miranda. Em 2015, o cartola voltou à presidência do clube após sete anos com o discurso de que o Vasco precisaria trazer de volta o respeito dentro e fora de campo. Nos bastidores, Eurico começou a desestabilizar os inimigos Flamengo e Fluminense com a proposta de redução de ingressos pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). Enquanto os times de Fred e Vanderlei Luxemburgo batiam de frente com a entidade, o cartola ganhava um aliado e provou toda essa influência ao ‘peitar’ a Ferj para jogar um clássico contra o Flu no Engenhão ao invés do Maracanã. Conseguiu o que queria e ainda viu a equipe cruzmaltina vencer o dérbi. Dentro de campo, fechou treinos para a imprensa, como de costume nos velhos tempos, e não deixou pistas para os rivais antes da decisão. Por mais polêmico que seja, Eurico é um importante personagem na história do clube e, pelo jeito, conseguiu novamente o apoio de muitos torcedores que antes o odiavam no trono.

2) Dobradinha de Doriva
A incrível campanha de 2014 quando levou o Ituano ao inédito título do Campeonato Paulista fez Doriva ficar em evidência no mercado brasileiro, inclusive como opção para times grandes. Eurico não hesitou e resolveu apostar no ex-jogador para resgatar o tal respeito do Gigante de São Januário. E se no ano passado impressionou pela defesa segura no time de Itu, Doriva precisou se reiventar no Rio e trouxe um importante título para o Vasco, marcado por 35 gols no total.  O ex-volante da Seleção Brasileira entrou para a história como o primeiro treinador a dirigir um campeão paulista e carioca em anos seguidos. Nada mal para um começo de carreira no banco, hein?

3) O Atlético de Madrid brasileiro?
À frente do Vasco, Doriva praticamente se inspirou num colega de posição da mesma época, o argentino Diego Simeone, hoje técnico do Atlético de Madrid. O hermano levou sua equipe ao título do Campeonato Espanhol e ao vice da UEFA Champions League na última temporada, apostando numa defesa sólida, um meio de campo brigador e um ataque com um centroavante de referência. O Gigante da Colina não fez muitos jogos brilhantes, é verdade, mas sempre saía de campo vencedor com um placar magro. Luan e Rodrigo se acertaram em São Januário lembrando Miranda e Godín na zaga do Velho Mundo, com Guiñazú, Serginho e Julio dos Santos compondo o tal meio ‘operário’. Por fim, Gilberto assumiu a camisa 9 e ganhou a ajuda primordial do experiente Dagoberto, acostumado com títulos em São Paulo e Cruzeiro.

4) Fiel ao esquema
Com um elenco limitado, Doriva procurou tirar o máximo com os jogadores que tinha à disposição. A fórmula foi encontrar um padrão de jogo e o esquema 4-2-3-1, imposto pelo ex-volante desde a pré-temporada, ajuda a explicar tanto êxito nesses quatro primeiros meses. O Vasco da final contra o Botafogo foi aquele que procurava a posse de bola, dominando os minutos iniciais e que explora qualquer erro do adversário. Marcinho, Bernardo e Montoya tinham maior frequência no meio durante os primeiros jogos, mas logo Julio dos Santos entrou como meia pela ponta direita, o talismã Rafael Silva na esquerda, com Dagoberto mais centralizado na armação e deixando o trabalho de pivô para Gilberto. Sem a bola, o Vasco se comporta com 2 linhas de 4, em bloco médio, voltando para a defesa e marcando com praticamente todo seu plantel.

5) Ponto forte
Das 35 vezes que o Vasco balançou as redes no Carioca, 25 vieram de bola parada, ou seja, em 87,5% das vezes que um jogador cruzmaltino arrumava a bola para bater uma falta, um escanteio ou penalidades…era ‘caixa’ (gíria futebolística para gol)! Ao término do campeonato, o time de Doriva teve em Gilberto a referência na frente, vice artilheiro com nove gols, superado apenas por Fred, com 11. Aos rivais que ainda não demonstram respeito pelo Cruzmaltino, que tenham cuidado com as bolas paradas no Brasileiro e Copa do Brasil!

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Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.