Opinião: Michel Bastos pode começar a se tornar um ídolo na próxima quarta

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Já faz um tempo que a torcida do São Paulo sente falta de um ídolo. Aliás, faz tempo que sente falta de um título, daqueles considerados de peso, contra gigantes do futebol. O último, nestes moldes, foi em 2008, quando conquistou o tri-brasileiro, em uma arrancada que tirou 11 pontos de diferença para o Grêmio, algo que ninguém imaginava. Naquele time, além de Rogério Ceni, Hernanes se consolidou como um jogador decisivo, além de uma figura querida pelos são paulinos.

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Em 2012, quatro anos depois e já sem Hernanes e boa parte daquele elenco que buscou o Tricolor gaúcho na liderança, veio o último título que o São Paulo conseguiu em sua história, a Copa Sul-Americana. Ela ajudou a tornar o garoto Lucas, já muito bem quisto pela torcida por causa da raça e habilidade demonstradas, alguém com direito a um lugar no hall dos grandes jogadores da história do clube. Porém, faltou um algo mais para ser considerado um ídolo de fato, no nível de um Lugano e um Raí, que além de grandes títulos, construíram parte de suas carreiras no Morumbi, vivenciando momentos turbulentos após o auge de erguer troféus.

Michel Bastos, o cara que tem sido mais decisivo atualmente no clube, pode começar a forjar sua própria idolatria a partir da próxima quarta-feira, na casa Tricolor. Nela, começam as oitavas-de-final da Libertadores, competição mais amada pelo são paulino e que, neste 2015, tem um gosto ainda mais especial, por ser a última – provavelmente – que Rogério Ceni irá jogar. O time quer conquistá-la de qualquer forma, não apenas por si mesmo, mas pelo valor simbólico que terá.

A despeito da lacuna que a aposentadoria do goleiro irá deixar nos corações tricolores, pelo que fez (e faz) em campo, ficará o vazio pela falta do ídolo, o representante-mor do que é jogar e torcer pelo São Paulo, a imagem do líder. Neste contexto, o meia, presente no clube há menos de um ano, já conseguiu posicionar-se com respeito e respaldo de tudo e todos, mesmo dividindo as atenções com Kaká ao longo de boa parte de sua passagem, e com Luis Fabiano sempre, uma vez que o camisa 9, apesar de não ser muito carismático, é, inegavelmente, um jogador que se entrega em campo.

Com os dois longe do gramado na noite de quarta-feira, só restará a Michel Bastos confirmar o bom futebol que se espera dele. Não precisa nem fazer chover, as arquibancadas já deram alguns bons créditos ao jogador pelos serviços prestados até então. O importante é eliminar o Cruzeiro e seguir vivo. O gol que ele fez contra o San Lorenzo, na fase de grupos, demonstra que o jogador é bom nisso. É o primeiro passo para virar herói.

Foto: Divulgação



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