Opinião: O Santos erra ao tentar vender suas promessas para manter Robinho

Foto: Divulgação/Santos

A diretoria do Santos pensa em vender jogadores, ou parte dos direitos dos mesmos, para acertar alguns salários atrasados e manter o atacante Robinho.

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Até aonde vale vender algumas joias da Vila para manter um ídolo com salário enorme?  Acredito ser um erro o Santos negociar promessas que podem render uma boa quantia para o clube em um futuro próximo, simplesmente para manter Robinho. Primeiro que as vendas ajudariam apenas o clube a quitar a dívida com o atacante e nada garantirá que Robinho receberia seu salário em dia, até o final do novo contrato. O que poderia fazer o atacante ficar insatisfeito em breve.

Nesse momento, o Santos deveria estar preocupado em arrumar a casa, diminuir drasticamente a folha salarial, acertar os atrasados e passar confiança ao elenco. Após esse período, buscar alternativas para reforçar o time.

O caminho inverso poderá ser um tiro no pé do clube praieiro. Vender as joias agora, seria deixar de lucrar com quantias bem mais volumosas no futuro. O Santos segurou Neymar e Ganso no elenco e vendeu por quantias bem superiores as quais teria conseguido se a vende ocorresse anos antes. E temos outros diversos casos semelhantes.

Por mais que Robinho seja um grande ídolo, o que está em jogo é o futuro do clube e isso deve ser mais importante do que qualquer coisa.

Grandes clubes, com problemas semelhantes, tiveram que abrir mão dos principais jogadores para arrumar a casa. A diretoria do Flamengo, quando assumiu o clube, teve que abrir mão do atacante Vagner Love, que na época era o principal jogador do time e ídolo da torcida. O caso de Love era parecido com o do Robinho atualmente, que é de ter um jogador com salário muito alto, em um momento o qual o clube não tem como pagar. A diretoria, na época, teve a coragem de vir a público e explicar que “naquele momento, o clube não teria possibilidade de arcar com o salário alto do atleta, tendo ainda que pagar os atrasados ao Love”. O clube carioca, hoje, começa a colher frutos da política de pés no chão. Um exemplo recente é o Grêmio. Tentando arrumar a casa, liberou o argentino Barcos, ídolo dos gremistas, por questões semelhantes à que o Santos passa.

É o momento do clube da Vila Belmiro blindar os garotos e arrumar a casa para ter um futuro próximo promissor. Garotos como os atacantes Geuvânio e Gabriel, o meia Lucas Lima e o zagueiro Gustavo Henrique, podem e devem se valorizar muito, tendo o Santos a possibilidade de receber uma quantia muito maior do que negociando agora. Principalmente para manter o Robinho, que por mais ídolo que seja, não dará retorno em uma futura venda, apenas em campo e não conseguirá fazer sozinho, sem os novos meninos da Vila.

Twitter: @allanmadi

Foto: Divulgação/Santos