Opinião: Um novo Atlético-MG vem aí

Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG

Este texto não se trata de um novo nome ou de um novo time. Trata-se da forma de jogar do melhor time em confrontos mata-mata dos últimos dois anos, no país. Foram 17 confrontos desse tipo no período, dos quais o Atlético-MG saiu vitorioso em 14 ocasiões. E detalhe: dessas 17 duelos, em 16 o clube alvinegro jogou a segunda e decisiva partida em Belo Horizonte. O último confronto foi decidido em Varginha, também em Minas Gerais.

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Muitos vão dizer que a segunda partida das finais do Mineiro em 2013 e 2014, além da final da Copa do Brasil no último ano e da semifinal do estadual deste ano, foram disputadas no Mineirão, com mando e maioria da torcida do Cruzeiro. E estarão com a razão, sem dúvidas. Mas, tecnicamente, decidir no “Gigante da Pampulha” nessas circunstâncias não é decidir tão fora de casa assim. O próprio Levir Culpi já disse que, contra a Raposa, decidir no Mineirão é como decidir no Independência.

Os clássicos no Mineirão, além de acontecerem na mesma cidade onde o Atlético manda seus jogos, têm torcida adversária (o que não acontece no Horto, por opção da diretoria cruzeirense), mais equilíbrio que nos confrontos no Independência, gramado mais afastado da torcida (o que os jogadores chamam de campo neutro) e o mais importante: o retrospecto do Alvinegro quando comandado pelo técnico Levir Culpi diante do Cruzeiro é simplesmente fantástico, inclusive no Mineirão! Desde que retornou ao Atlético foram cinco vitórias (3 no Mineirão) e dois empates. Ao longo da história são 11 vitórias, seis empates e duas derrotas.

Clássicos no Mineirão desde a Reinauguração em 2013
Campeonato Vencedor
Mineiro 2013 Cruzeiro
Mineiro 2013 Cruzeiro
Brasileiro 2013 Cruzeiro
Mineiro 2014 Empate
Brasileiro 2014 Atlético
Copa do Brasil 2014 Atlético
Mineiro 2015 Atlético

Por tudo isso, considero que dos 17 confrontos mata-mata dos últimos dois anos, o Atlético decidiu 12 em casa e cinco em campo neutro. Os quatro citados anteriormente contra o Cruzeiro no Mineirão e outro no último domingo, contra a Caldense pela final do Mineiro, apesar da maioria atleticana no estádio.

Adversário 1º Jogo 2º Jogo Resultado
Tombense 2 x 0 5 x 1 Venceu
Cruzeiro 3 x 0 1 x 2 Venceu
São Paulo 2 x 1 4 x 1 Venceu
Tijuana 2 x 2 1 x 1 Venceu
Newell’s Old Boys 0 x 2 2(3) x 0(2) Venceu
Olímpia 0 x 2 2(4) x 0(3) Venceu
Botafogo 2 x 4 2 x 2 Perdeu
America-MG 4 x 1 1 x 1 Venceu
Cruzeiro 0 x 0 0 x 0 Perdeu
Atlético Nacional 0 x 1 1 x 1 Perdeu
Lanús 1 x 0 4 x 3 Venceu
Palmeiras 1 x 0 2 x 0 Venceu
Corinthians 0 x 2 4 x 1 Venceu
Flamengo 0 x 2 4 x 1 Venceu
Cruzeiro 2 x 0 1 x 0 Venceu
Cruzeiro 1 x 1 2 x 1 Venceu
Caldense 0 x 0 2 x 1 Venceu

Mas a partir de agora, os confrontos começarão a ser decididos fora de Belo Horizonte. Fora de Minas Gerais. O primeiro confronto, que também pode ser o último na Libertadores, é contra o Internacional, que nunca esteve tão bem nos últimos três ou quatro anos. Tem um treinador que conhece, jovens promessas jogando ao lado de jogadores consagrados e de qualidade, além de um mando de campo que também faz diferença. Não é fácil vencer no Beira-Rio. Que o diga o atleticano com menos 29 anos, que nunca viu o seu time vencer o Internacional lá. Além disso, acaba de ser pentacampeão estadual sobre o Grêmio, seu maior rival.

Mas quero saber mesmo é desse novo Atlético, que na verdade é, e não é, praticamente o mesmo da temporada passada. Mudou apenas uma peça no time base titular, em relação ao último ano. Parece ter ganhado muito em poder de decisão com a chegada do argentino Pratto. Mas perdeu muito da sua mobilidade ofensiva, além de um jogador diferenciado, com a saída de Diego Tardelli.

Tática e jogadores a parte, estou curioso para ver como esse time vai reagir decidindo jogos longe de Minas Gerais. Sabemos que desafiou o improvável algumas vezes, diante de adversários fortes e de tradição, mas sempre empurrado pela torcida, no Horto ou no Mineirão. Sempre ao som do “Eu acredito!”. Como esse time reagirá decidindo o jogo em um estádio onde o pessoal do “Eu Acredito!”, certamente será minoria?

Com certeza muitos comentaristas, senão todos, dirão que tudo que pode acontecer no 2º jogo, em Porto Alegre, depende do resultado do jogo da próxima quarta, no Independência. E não deixarão de estar com a razão. Porém, vejo que toda a história do confronto depende da postura do Internacional no Horto. Explico…

De todos os times que jogaram a segunda e decisiva partida de um confronto mata-mata contra o Galo em Belo Horizonte, com mando de campo do alvinegro, dois deram muito mais trabalho que os outros no sentido de conseguir o resultado necessário: Tijuana, nas quartas de final da Libertadores 2013, e Botafogo, oitavas de final da Copa do Brasil do mesmo ano. O que eles fizeram em comum, ambos jogando no Horto? Sem adentrar nas táticas ou na maldição que faz com que o Botafogo quase sempre vença o Atlético, eles foram para o Horto para vencer. Coincidentemente empataram, mas tiveram chance pra vencer, apesar de que o Botafogo nem precisava da vitória para eliminar o Galo naquele ano.

Em todas as outras situações, os adversários vieram para empatar, perder de pouco ou desesperados, como o São Paulo, em 2013. E desse jeito não funciona em Belo Horizonte. Não para o adversário, claro. Diante disso, creio que a maneira de jogar do Internacional, aqui em Minas Gerais, decidirá os rumos do confronto.

Time Base Libertadores 2013 Time Base Copa do Brasil 2014 Time Base Libertadores 2015
Victor Victor Victor
M. Rocha M. Rocha M. Rocha
L. Silva L. Silva L. Silva
Réver Jemerson Jemerson
Richarlyson D. Santos D. Santos
Pierre Rafael Carioca Rafael Carioca
L. Donizette L. Donizette L. Donizette
Ronaldinho Dátolo Dátolo
Bernard Luan Luan
Tardelli Tardelli Pratto
Carlos Carlos

Outro ponto importante: pela primeira vez nesses dois anos, o Atlético não tem um craque ou um jogador acima da média em sua linha de frente. Depois de Ronaldinho e Tardelli, talvez Guilherme pudesse assumir esse posto, mas não é fisicamente confiável. O Pratto já mostrou poder de decisão e é nele que a torcida alvinegra aposta suas fichas. Entretanto, a principal vantagem desse time é ser praticamente o mesmo que venceu bravamente a Copa do Brasil ano passado. Além disso, tem no treinador Levir Culpi um vitorioso em confrontos mata-mata desde que voltou. Perdeu apenas um dos oito que disputou, diante do Atlético Nacional nas oitavas da Libertadores 2014, quando havia acabado de assumir o comando técnico clube (herança de Paulo Autuori) para o jogo da volta.

Quem acompanha esse time desde 2013, percebeu que ele sabe jogar em função dos resultados, tanto na vitória quanto na derrota. Obviamente não perde um jogo fora de casa por 2 a 0 de propósito, para depois virar o resultado em casa, até porque não foi sempre assim (apenas quatro vezes). Mas parece ser um time que nasceu para jogar mata-mata. O nível de concentração da equipe nesse tipo de confronto tem sido extremo nesses 2 anos. Já protagonizou eventos inacreditáveis (ao menos para os torcedores de outros times) e já sabe (ou deveria saber) o que fazer e o que não fazer no segundo jogo quando tiver uma boa vantagem ou precisar correr atrás de um resultado improvável. A diferença agora é que o segundo jogo é longe de Minas Gerais.

Um novo Atlético vem aí! Não sei se tão espetacular, tão infartante e tão vitorioso quanto o Atlético dos últimos dois anos em mata-mata, mas certamente muito concentrado no que precisa fazer para vencer os adversários. Concentração, entrosamento e o Horto: armas que o Atlético utiliza muito bem. Acho que o time, que não adere à concentração quando joga em Belo Horizonte, dificilmente abrirá mão do Horto antes de uma possível final. Mas vamos por partes. Atlético e Internacional devem fazer o duelo mais equilibrado dessa fase, que promete ser espetacular. Que comece o mata-mata da Libertadores (o melhor do mundo no quesito emoção) e que apareça esse novo Atlético!

Foto: Getty Images



Redação do Torcedores.com