A F1 clama por mudanças

Fonte: http://andriesvanoverbeeke.com/

Sim, a F1 está chata, isso é um consenso geral entre fãs, dirigentes (exceto os da Mercedes, acredito eu) e pilotos. Desde que o campeonato teve seu regulamento alterado a partir de 2014 a Mercedes dominou de forma avassaladora. Nesses quase 18 meses de novo regulamento RedBull e Ferrari só venceram em cima das falhas ou erros dos alemães.

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Muitos dirão: “Mas a F1 foi dominada no final dos anos 80 e início dos 90 pela McLaren, além da era Ferrari-Schumacher e recentemente quem dominou por 4 anos foram Vettel e RedBull”. Isso é verdade em partes.

Na época das vitórias da McLaren, havia emoção, as disputas Senna X Prost faziam todos os espectadores e também telespectadores vibrar e torcer, coisa que não aconteceu na era Schumacher-Ferrari, o alemão praticamente não tinha adversários.

Chegamos então a era Vettel. O alemão foi tetracampeão de forma seguida, mas não teve vida fácil na conquista desses quatro títulos. 2010 ano do seu primeiro título o campeonato chegou à última corrida com chances de Vettel, Webber e Alonso levarem o caneco, em 2011 um campeonato também muito disputado, mas ganho com certa tranquilidade. 2012 a meu ver foi o campeonato mais divertido dos últimos anos, com vários pilotos vencendo e uma corrida frenética em Interlagos debaixo de chuva. Em 2013 por conta do novo regulamento que entraria em vigor o alemão nadou de braçadas.

Houve domínio nos períodos citados? Sim. Porém, havia que sumiu das pistas nos dias de hoje: O barulho. Ah, o barulho, ensurdecedor, arrepiante, que fazia quem assistia abrir um sorriso praticamente de forma automática sem nem ao menos pensar.

A F1 se perdeu, no meio de regulamentos, de novas regras absurdas, de punições em excesso. Com tanta tecnologia embarcada os pilotos conseguem tirar o máximo do carro e nem saem da corrida cansados ou esgotados fisicamente.

Para chegar ao final da corrida os pilotos precisam economizar combustível, um absurdo inimaginável dez anos atrás.

O público perdeu o interesse, o ingresso é caro, as corridas são chatas e silenciosas. Há pilotos pagantes e desconhecidos no grid, a categoria aos olhos dos especialistas já não é mais tão divertida como antigamente e nem pode ser colocada como a máxima do automobilismo mundial.

Mas o que fazer para a F1 voltar a ser o que era? Existe uma frase que diz: “ A simplicidade é o auge da sofisticação”. Talvez o retorno aos grandes tempos seja esse: Simplificar.

Motores V6 turbos divididos em várias partes, com relação fixa de marchas para todas as corridas e que não fazem barulho servem para que? Para nada. Simplificação seria o ideal. Qualquer montadora é capaz de produzir um motor V8 aspirado, é barato, o barulho é ensurdecedor e arrepiante junte a isso permissão para cada equipe ajustar a relação de marchas como bem entender, pronto! As chances de haver mais montadoras no certame com essas configurações seriam muito maiores, além de voltarmos a ter corridas ao menos interessantes.

Antes das corridas, pensemos no treino classificatório. Qual a necessidade de 1 hora de treino dividido em três partes? O Modelo ideal para pilotos e equipes seria: uma volta lançada para cada piloto (como já foi feito), o piloto tem que ser mentalmente forte e acertar a volta. Para isso teria disposição um pneu de classificação e o tanque mais vazio possível.

A pontuação devia mudar também, o piloto fez a pole? Ponto para ele. Fez a volta mais rápida na corrida? Ponto novamente. Liderou todas as voltas de ponta a ponta? Ponto mais uma vez.

Uma corrida especial também seria bem-vinda, por exemplo: Temos um campeonato com 19 corridas, a décima corrida seria exatamente a divisora entre primeira e segunda parte do campeonato, então porque não fazer dela um espetáculo à parte? Com permissão para equipes correrem com 3 carros e pontuação dobrada?

Ainda falando em pontos se mais equipes entrassem no certame porque não aumentar a zona de pontuação? Usemos a MotoGP e a F-Indy como exemplo, pontos a rodo para posições quem vão além do 10º colocado podem fazer diferença no final do campeonato.

Simplificar o regulamento também seria interessante. Deixar que os engenheiros tenham interpretações destoantes para desenhar carros, fazendo com que a categoria tenha carros esteticamente diferentes assim como eram nos anos dourados.

Não fixar limites de motores e caixas de câmbio para uma temporada, a F1 não é laboratório e nem precisa ser, durante corridas motores tendem a estourar, é algo natural, e permitir apenas 5 motores por temporada para cada piloto é um verdadeiro absurdo.

Dividir o dinheiro de forma igual para todos os participantes do campeonato. Será que isso é difícil? Se há 10 equipes que disputam o caneco, divida o que entrou em 10 partes iguais, todas fazem parte do show, não há segredo.

Facilitar a entrada de novas equipes também seria interessante. Já pensou pré-classificações novamente aos finais de semana? Seria o auge da alegria para os fãs que viveram os melhores anos da categoria.

Manter suas pistas clássicas também é um caminho de manutenção de identidade. A cada ano A F1 corre risco de perder pistas clássicas como: Spa, Monza, Nurburgring, para dar lugar a pistas sem graça alguma nos Emirados Árabes, Rússia, ou corridas em ruas de cidades sem identificação nenhuma com a categoria.

Outro aspecto importante que muito têm-se debatido é a segurança, após os “recentes” acidentes de Bianchi e Maria de Villota a F1 presenciou uma quase tragédia entre Alonso e Raikkonen com a McLaren do Espanhol passando a centímetros da cabeça do Finlandês.

Jackie Stweart afirmou essa semana que ainda considera a categoria perigosa e reacendeu as discussões sobre a cobertura do cockpit, isso após pilotos terem dito que aceitariam testar coberturas, uma vez que a segurança seria mais elevada. O artefato poderia tornar os carros até mais velozes, mas faria com que a categoria viesse a perder um pouco sua identidade.

O designer holandês Andries Van Overbeeke apresentou ao mundo recentemente uma série de imagens de como poderiam ser os F1 de um futuro próximo, o resultado não ficou feio, muito pelo contrário, ficou bonito e interessante, além dos protótipos cobertos, o designer criou outros dois modelos que podem ser vistos clicando aqui, aqui e aqui. Acredito que a implantação seja válida, porém de forma gradativa, para haver um consentimento e aceitação tanto dos pilotos quando do público.

Falando de modo sincero como fã da categoria, a F1 desandou, isso é fato. Eu acompanho a categoria desde 1993 (nasci em 1988) e nunca presenciei corridas tão chatas como as de 2014 para cá. Os pilotos entendem que há vida em outras categorias (F-E, FIA WEC, F-Indy,  Blancpain GT, DTM), Hulkenberg é a prova mais recente disso. Ou a F1 se reinventa ou com pouco mais de 70 anos de vida, corre sério risco de ser extinta.



Serranegrense de 26 anos. Diferente da maioria dos escritores,não sou jornalista formado, e sim cientista, detalhe esse que não diminui minha paixão pela escrita automobilística. Apaixonado por esportes à motor desde criança, se há corrida passando na TV, paro pra assistir independente do que tenho pra fazer. F1, F-Indy, Motogp, Stock Car, Formula-E.